quinta-feira, maio 03, 2007

2XSpike Lee


















Depois de dois serões dedicados ao senhor Spike Lee. Aqui vão os pensamentos deste blogueiro sobre estes dois filmes muito díspares.

Spike Lee, sempre foi um provocador, desde o explosivo Do the Right Thing (1988), ao instigador Malcom X (1991) ou o incendiário Summer Of Sam (2001). E provocação é o que não falta em She Hate Me, história algo inverosímil de um executivo demitido, que agora ganha a vida com um trabalho no mínimo invulgar: engravidador de lésbicas.

O conceito que a inicio parecia prometedor na primeira metade do filme, acaba por descaír para um moralismo bacoco e completamente desadequado que me surpreendeu muito pela negativa. O Problema de She Hate Me é querer ser muita coisa ao mesmo tempo, filme de corporações, comédia sexual, drama familiar. É como se várias peças de um puzle que não encaixam, fossem juntas à força com um martelo. Apesar dos bons desempenhos, foi uma desilusão.


Mas o visionamento deste She Hate Me, trouxe algo de positivo, fiquei com vontade de rever um Spike Lee à séria, aquele dos bons velhos tempos, que agitas as consciências, e toca em feridas dolorosas mas que não podemos (ou não devíamos) ignorar. E o sorteado foi este Clockers. Projecto inicialmente destinado à dupla Scorsese/De Niro que entretanto preferiram filmar o sublime Casino (1995), fiquando Scorsese como produtor deste filme.

Desde o magnífico genérico com imagens reais de mortos em tiroteios relacionados com o tráfico de droga, ficamos com a sensação que esta viagem vai ser dura, E essa dureza (ou rudeza) de Spike Lee, é que o que melhor funciona como grande trunfo na sua carreira. O olhar de Lee, nunca desvia, pelo contrário ele mergulha, e as ideias preconcebidas que temos (neste caso do tráfico de droga e segregação social e racial) vão pela janela fora.

Todos os personagens aqui têm uma humanidade latente, apesar de uns serem maus e os outros mais maus ainda. Uma sequência particularmente cruel apesar de recheada de humor negro, é aquela em que os polícias (magníficos Harvey Keitell e John Turturro) revistam um cadáver e gozam com a situação falando directamente para o morto. A desumanidade nessa cena é desarmante. Mas Clockers, não é um filme sem esperança, apesar da tragédia sempre eminente, o final é luminoso e com uma luz de esperança.

Bravo Spike Lee! Apesar de alguns She Hate Me’s pelo percurso, todos os Clockers, 25th Hour ou Summer of Sam, revelam-nos que estamos na presença de um dos maiores cineastas do cinema norte-americano contemporâneo.

3 comentários:

Carlos Pereira disse...

Não vi Clockers, e confesso que não sou um grande fã de Spike Lee (também é verdade que conheço muito pouco). Não gostei particularmente de Summer of Sam mas, em oposição, amei o 25th Hour, que, a meu ver, é um dos melhores filmes deste novo milénio. Abraço Luís! ;)

joseo disse...

gosto muito do spike, e por acaso o Clockers foi um filme que me marcou muito mesmo...formalmente bombastico...apesar de achar que Spike Lee nunca fará mais nada como A Ultima Hora

Knoxville disse...

Também adoro Spike Lee, mas para ser honesto nunca vi o Clockers. A corrigir dentro em breve!

Um abraço!

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