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terça-feira, março 16, 2010

Marnie (1964)


de Alfred Hitchcock


Obra algo polémica e injustamente ignorada na carreira de Hitchcock, Marnie é um excelente complemento a um dos seus filmes maiores, o inesquécivel Vertigo. Repescando a sua heróina loura de The Birds (Tippi Hedren) e tendo Sean Connery como substituto de James Stweart, Hitchcock assina mais um retrato sobre os seus temas recorrentes: a obsessão sexual, a culpa, o amor, identidades falsas, mentiras, traumas e fixações maternais. Esta história de uma atraente ladra, que é aprisionada por uma das suas “vítimas” num jogo de psicanálise e obsessão, é uma reveladora incursão ao lado mais pessoal do mestre do suspense. Marnie é complexo, pois funciona como thriller, história de amor e drama psico-analítico. E é essa amálgama de géneros contraditórios, que lhe dão um sabor estranho e invulgar. Hitchcock parece mais interessado na dinâmica da relação quase sado-masoquista do seu casal de protagonistas e menos no mistério que serve de motor à história. Os resultados dessa abordagem, apesar de desequilibrados, são bastante satisfatórios, pois a fita funciona em diversos níveis permitindo diversas leituras. Connery nunca foi tão ambíguo quanto aqui. E Hedren brilha num papel torturado e difícil apenas ao alcance de uma grande actriz. Marnie possuí ainda uma das mais belas bandas sonoras do mestre Bernard Herrman e este filme assinalou a sua ultima colaboração com o mestre do suspense. Uma obra a ver por todos os aficionados do grande Hitch.

domingo, abril 13, 2008

Under Capricorn (1949)

de Alfred Hitchcock

Esta história ambientada na Austrália do século XIX, aborda temas como amor, adultério e culpa, ou seja as obcessões recorrentes na obra de Hitchcock. Mas apesar disso, trata-se de uma obra atípica na carreira do mestre, uma vez que se trata de um filme de época. Nas palavras do seu realizador, este foi um filme que apenas aceitou fazer, devido ao seu deslumbramento pela maior estrela feminina da altura, a deslumbrante Ingrid Bergman.

Filmado com algumas das técnicas utilizadas em Rope (os planos sequência), Under Capricorn, falha no seu todo. E essa falha deve-se a um guião anémico, que apenas faz engrenar a história, após passar-mos a primeira hora de filme. Até lá, Hitch delicia-se (e delicia-nos) com a sua actriz principal, e intriga-nos com o tom de mistério que envolve a relação de Bergman com o muito seguro Joseph Cotten. Mas todo esse jogo, sabe a muito pouco.

Apesar de sêr uma obra menor na carreira do mestre do suspense, Under Capricorn, vale o visionamento. Nem que seja pela destreza técnica e narrativa do seu realizador, assim como pelo carisma e talento dos seus actores principais.

sábado, abril 12, 2008

Hitchcock & Truffaut - A entrevista

Para ouvirem a entrevista que deu origem a um dos mais célebres livros sobre cinema, basta clicarem na imagem. São 25 ficheiros de pura magia cinematográfica, que consistem numa análise a toda a carreira de Hitchcock, conduzida de forma inspirada por Truffaut. Enjoy!

quarta-feira, abril 09, 2008

segunda-feira, março 10, 2008

domingo, março 09, 2008

Shadow of a Doubt (1943)

de Alfred Hitchcock

Quando o tio Charlie (um ambíguo Joseph Cotten) decide visitar a família, a sua sobrinha (Theresa Wright) também chamada Charlie, é a única a desconfiar que o seu tio esconde um segredo que poderá incluir vários assassinatos. Mas será mesmo o tio Charlie um assassino, ou a sua sobrinha estará apenas com uma grande dose de paranóia? Shadow of Doubt gira em torno do tema preferido de Hitchcock, a suspeita. Tal como eu Rear Window, ou em Rope, aqui temos uma protagonista que suspeita de algo terrível, com a mais valia dramática, de o suspeito ser o seu simpático e (aparentemente) inofensivo tio.

A abordagem de Hicthcock é no mínimo ambígua, pois o realizador parece simpatizar na mesma medida com a sua protagonista e com o seu antagonista. E Hitch vai mais longe ainda, criando uma forte identificação com o tio e a sua sobrinha, tal como Theresa Whright diz a certa altura, “ mais que o meu tio, ele é o meu gémeo”. Essa ligação entre personagens, é estabelecida formalmente através de composições que funcionam como espelhos entre os dois protagonistas. Mas não é de gémeos que aqui estamos a falar, pois claramente há aqui um subtexto, com uma sugestão de uma possível atracção incestuosa. Mas Hitch, devido ao código Hays, nunca leva demasiado longe essa sugestão. E ainda bem, pois o filme não é nenhum drama psico-sexual, é sim um belíssimo thriller, onde a sugestão é muitíssimo mais eficaz no espectador, do que qualquer visualização. Quase até ao final, o brilhante cineasta não abre o jogo, deixando todas as leituras possíveis. Somente quando chegamos ao climático final, é que a verdade é revelada e a monstruosa face do mal emerge de forma perturbante.

Outro ponto curioso, é o local onde decorre a história. Uma pacata cidade do interior. Hitch, ao situar o clima de suspeita nos habitantes desse ambiente, parece sugerir que o mal não conhece fronteiras, pois até em zonas perfeitas e idílicas, o mal pode surgir a qualquer momento e assumir a forma de um terrível pesadelo. E isto tudo 43 anos antes de Blue Velvet. Um filme a descobrir por todos os fãs do mestre do suspense.

Lição de cinema com o mestre - Parte 1

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Hitch Blonds

Nº3
Tippi Hedren


Nº2
Grace Kelly


Nº 1
Kim Novak

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Rope (1948)

de Alfred Hitchcock

A premissa simples e inspirada em factos verídicos, gira em torno de dois amigos que cometem um assassinato apenas para provar a sua superioridade intelectual. Para cúmulo decidem convidar todos os amigos do falecido para uma festa em que a mesa de comes e bebes é é uma arca que no seu interior contém …o morto. Mas entre os convidados está o seu antigo professôr (James Stewart), que no decorrer da festa começa a desconfiar que algo está errado.

O brilhantismo deste filme, pouco referido na obra do mestre do suspense (o seu 1º a cores), é algo que deve ser destacado de imediato. Filmado como se fosse um enorme plano sequência, só não o é devído às limitações técnicas da altura (as bobines só levavam 10 minutos de fita), mas que Hitchcock, consegue camuflar escondendo os cortes no escuro das costas dos personagens em momentos chave. Além desse desafio temporal, há o desafio espacial uma vez que todo o filme decorre num único local, um apartamento. Mais tarde outros filmes do mestre partilhariam esta característica, Dial M For Murder e a obra-prima Rear Window.

A encenação e virtuosismo visual, que com movimentos de câmara precisos e enquadramentos únicos, consegue criar um enorme clima de suspense ( a cena da criada a arrumar a mesa), assim como escapar à limitação do espaço, criando cinema e não teatro filmado. O que é admirável na forma como Hitch filma, é a sua capacidade para virar o jogo, tornando o espectador cumplíce do que se está a passar em todos os momentos, ficando os personagens muitas vezes para trás. Nesse capítulo, o realizador dava cartas como nínguem.

Além do virtuosismo técnico, há o tom deliciosamente cómico e macabro que caracteriza os melhores filmes do mestre. A forma como os dois assassinos jogam com a situação que criaram e a maneira como Hitch filma essa situação, faz com que personagens e realizador, partilhem do mesmo gozo de estar um passo à frente do jogo. As interpretações são todas sólidas, destando-se um seguro James Stewart (a sua 1ª de muitas colaborações com Hitch) , que no final leva uma grande lição de vida (ou será de morte?) e um maquiavélico John Dahll, sempre com tiradas de um humor negro inspiradíssimo. De salientar também a magnífica galeria de personagens secundários, que acabam por humanizar e contextualizar o personagem que se encontra morto na arca

Em suma, Rope é um filme pura e simplesmente brilhante! Sendo provavelmente aquele mais experimental e formalmente ousado, na obra desse grande génio, a quem tantos cineastas devem (e cinéfilos já agora), de seu nome Alfred Hitchcock.

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