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sexta-feira, novembro 12, 2010

E tudo o vento levou



Acabadinho de ver o The Kiling, só me apetece escrever que o que fica para além da estrutura completamente mirabolante e arrojada (que Tarantino "homenageou" à descarada) é um dos finais mais irónicos e desarmantes da história do cinema. Dizer que Kubrick era um génio é banal. Mas porra! Kubrick era um génio!

quinta-feira, outubro 28, 2010

Top Kubrick

Nº5 COMOVENTE
Nº4 PERTURBANTE
Nº3 FEROZ
Nº2 SUBVERSIVO
Nº1 TRANSCENDENTE

domingo, outubro 17, 2010

Barry Lyndon (1975)


de Stanley Kubrick

À partida esta obra de época teria tudo para ser um filme rigoroso mas artificial, pois a sua temporalidade e ambiente nas mãos de um cineasta (injustamente) acusado de distante e cerebral, poderia dar azo a um filme frio. Mas que grande engano. Barry Lyndon será provavelmente será o filme mais humano e tocante da carreira de Stanley Kubrick. A história do Barry Lyndon do título é magistralmente incarnada por um inesperado Ryan O’Neal assim como muito bem secundada pelo restante elenco. A história deste irlandês que nascendo numa família da burguesia provinciana, se lança ao mundo tendo um percurso de vida alucinante, em que conhece a guerra, tornando-se um vigarista e acabando por ascender à nobreza graças a um casamento por conveniência. A ajudar (e de que maneira) no relato da sua história existe uma voz off irónica, desarmante e reveladora dos acontecimentos futuros na vida de Lyndon. E como é seu apanágio habitual, Kubrick é brilhante quer na técnica, quer no lado formal e pictórico. As suas composições criam imagens mágicas (as famosas cenas filmadas à luz das velas são um prodígio fotográfico), a gestão do ritmo narrativo e das tensões da mise-en-scene é magistral e a fantástica escolha e gestão musical de temas clássicos é brilhante (indo dos Chieftains, a Schubert e a Vivaldi). Todos esses factores acumulam e ajudam a fazer um filme poderoso. Mas se a produção é faustosa, o guarda-roupa exuberante ou cenários imponentes, nas mãos de um cineasta “cerebral ou frio”, isso poderia facilmente esmagar os personagens, e Kubrick não o permite. O seu Lyndon está condenado desde o início, pois como diz o narrador, ele tinha os defeitos das suas qualidades. E o que é impressionante na abordagem de Kubrick é a forma justa como ele filma o percurso descendente do seu herói(?), sem nunca pestanejar ou fugir dos momentos mais emocionais e sem caír nas armadilhas do sentimentalismo. Convenceu-me e de que maneira. Um dos filmes maiores de um monstro do cinema.

terça-feira, dezembro 15, 2009

5 motivos para amar a FC

1 - A metafísica e a perfeição de Kubrick
2 -O deslumbre e a audácia de Lucas

3 - O visual e o lirismo de Scott

4 - A magia e a emoção de Spielberg

5 - O arrojo e o engenho dos Wachowski

quinta-feira, abril 16, 2009

THE END - Parte 3

Apesar de acusado de ser um cineasta distanciado e frio, esta cena é a prova de que Kubrick tambem sabia emocionar o espectador, sem cair em sentimentalismos baratos. Esta cena final de Paths of Glory, é "apenas" um dos momentos mais comoventes (e justos) da história da 7ª arte.

sábado, abril 11, 2009

Paths of Glory (1957)

de Stanley Kubrick


Stanley Kubrick foi um cineasta que se caracterizou pela enorme facilidade em exprimir o seu génio nos mais diversos géneros cinematográficos. O seu toque de Midas manifestou-se em géneros tão distantes como a ficção cinetifica (2001, A Clockwork Orange), no filme de crime(The Killing), no horror mais profundo (The Shinning) ou no psicodrama (Lollita, Eyes Wide Shut). Mas parece-me, que dos vários géneros que abordou, havia sempre um que lhe era mais querido, ou se preferirem, pessoal: o cinema de guerra. Senão, como explicar as três incursões de Kubrick a diversos cenários bélicos como foram a guerra fria (Dr. Strangelove), o Vietname (Full Metal Jackett) e as trincheiras da 1ª guerra mundial, neste Paths Of Glory. Junte-se a estes filmes, as obras não concretizadas, mas minuciosamente preparadas, sobre as conquistas de Napoleão e o Holocausto nazi, e fica-se com a ideia, de um cineasta motivado para expor e denunciar, o lado mais monstruoso do ser humano. Tal como nos exemplos referidos, Paths of Glory expõem de forma brutal, crua e visceral, toda a injustiça e loucura de qualquer guerra. Esta filme baseado num caso verídico, conta a história de um general francês, que condenou à morte três soldados do seu exército, acusado-os de cobardia, por não terem conquistado um objectivo militar, que era impossível de conquistar à partida. O olhar de Kubrick é implacável no retrato desumano e altivo destes generais, que observam à distância os resultados sangrentos das suas táticas cruéis e irrealistas. Nas mãos desses generais, as vidas de milhares de homens são apenas carne para canhão e um caminho para chegar aos ambicionados louvores e promoções. Paths of Glory, tal como Strangelove e Ful Metal Jacket, expõe ao ridículo, qualquer discurso militarista e confronta o espectador com a injustiça e insanidade dos conflitos bélicos. Saliente-se ainda a coragem de Kirk Douglas, que no seu duplo papel de protagonista/produtor entregou a um jovem Kubrick os comandos desta produção polémica e corajosa. Tecnicamente, trata-se de um filme irrepreensível. Nomeadamente nas composições que o olhar prodigioso de Kubrick elabora, ou nos travellings que nos fazem mergulhar de forma eficaz no inferno das trincheiras, ou ainda no apurado trabalho sonoro, que dispensa a utilização de partitura musical, confiando no som diagético dos tambores militares, das explosões das bombas ou na voz de uma cantora que encerra o filme com uma performance muito especial. Essa comovente cena final, é a prova, que tal como Spielberg disse, por detrás deste enorme cineasta acusado (injustamente) de frio e cerebral, havia um ser humano com uma grande empatia pelo seu semelhante, e com uma enorme capacidade artística para retratar o lado negro do Homem. Um filme marcante.

Spielberg sobre Kubrick

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