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quarta-feira, março 24, 2010

Os 10 MAIS DA DÉCADA - Nº5

MUNICH
(2005)
de Steven Spielberg

O filme mais profundo, arriscado e desencantado da carreira de Steven Spielberg. Com uma coragem admirável, o realizador mergulha numa questão polémica, perigosa e actual, com o mérito acrescido de focar ambos os lados de forma justa e deixando espaço para o espectador tirar as suas conclusões. Muito mal recebido quer pela comunidade judaica, quer pela árabe, Munique é um thriller de alta voltagem, com ressonâncias de Hitchcock, Pakula e Lumet. Raros são os filmes mainstream actuais, com a coragem ou a vontade de abraçar o cinema político. Munique fá-lo sem concessões mostrando a tragédia, a loucura, a violência e o preço da espiral olho-por-olho. Como nota final, aquele ultimo plano que numa imagem sintetiza toda a mensagem humanista do filme. Sublime!

terça-feira, dezembro 15, 2009

5 motivos para amar a FC

1 - A metafísica e a perfeição de Kubrick
2 -O deslumbre e a audácia de Lucas

3 - O visual e o lirismo de Scott

4 - A magia e a emoção de Spielberg

5 - O arrojo e o engenho dos Wachowski

domingo, outubro 18, 2009

segunda-feira, junho 15, 2009

Tiros no Pé - Steven Spielberg

Com esta rubrica, irei procurar abordar e falar um pouco daqueles filmes malditos, que fazem os seus autores corarem de vergonha tal o desnorte e os desastrosos resultados das películas em causa. Para começar aqui fica o maior barrete que apanhei o ano passado, cortesia de Steven Spielberg.

Indiana Jones And The Kingdom of The Crystal Skull

Tentativa descarada para rentabilizar financeiramente as aventuras deste herói querido por todos os amantes do bom cinema. Este Kristal Skull é apenas o mais imbecil e descaracterizado filme da carreira deste grande cineasta. Do guião ridículo, ao CGI espatafurdio e aberrante, passando pelo mais completo desgoverno de personagens em piloto automático, nada parece funcionar nesta sequela completamente dispensável. Este será para mim, o pior momento de um cineasta a todos os níveis sublime. Esperemos que Tintin o reabilite, pois Spielberg ficou muito mal neste retrato digital sobre um herói analógico, que merecia ter sido mais bem tratado.

O tiro fatal – o final completamente disparatado e a tresandar a falta de ideias

sábado, abril 11, 2009

quarta-feira, março 18, 2009

"The doctor with the bullwhip"

Em 1978 e durante 5 dias, George Lucas, Steven Spielberg e Lawrence Kasdan fecharam-se num hotel para uma sessão de escrita criativa, que daria origem a um dos mais amados e bem conseguidos personagens da história do cinema. Esses 5 dias foram gravados e mais tarde passados para papel. O que se segue é o fascinante registo dessas sessões históricas, que demonstra as diferentes personalidades e o génio criativo dos seus intervenientes.


(excerto)
Kasdan — Is it necessary that he really be trained?
Lucas — It's not absolutely necessary. I just thought it
would be amusing if people could call him a doctor.
Spielberg — I like that. The doctor with the bullwhip.

Podem fazer o download do pdf deste documento fascinante aqui.


quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Indy 4 - A verdade

Aqui estão as imagens chocantes que mostram o que os criadores de Indiana Jones & Kingdom of the Crystal Skull fizeram ao seu mítico personagem. Chamo à atenção para a natureza perturbante deste vídeo, nada aconselhável aos mais impressionáveis.


segunda-feira, março 31, 2008

Saving Private Ryan (1998)

de Steven Spielberg


Existem duas vertentes distintas no cinema de Steven Spielberg. Se numa o cineasta aposta claramente em filmes escapistas e de grande espectáculo (Jaws, Indiana Jones, Jurassic Park), na outra o seu cinema vira-se para terrenos mais “adultos”, com histórias geralmente inspiradas em factos verídicos e com uma forte componente humanista (Schindler’s List, Amistad, Munich). Saving Private Ryan, insere-se claramente na segunda vertente. Duro e com um realismo que retrata de forma o mais fiel possível, toda a violência de um campo de batalha. Nunca até Saving Private Ryan, o cinema tinha ido tão longe, no mostrar sem complacências, toda a barbárie que é uma guerra.

Os seus primeiros 30 minutos (a batalha da Normandia) foram apelidados na altura da sua estreia, como os 30 minutos mais violentos da história do cinema. Exagero? Não. Realmente o realismo da violência do desembarque das tropas aliadas, possuiu uma carga tão visceral (em certas cenas literalmente), que é difícil, ficar indiferente ao que passa à frente dos nossos olhos. Um após outro, vários são os momentos, em que nessa sequência de abertura, somos chocados com a loucura e a brutalidade do que é a guerra realmente. A violência surge de forma animalesca, completamente aleatória e igualmente implacável para ambos os lados do conflito. Spielberg mostra-nos essa questão fundamental, de forma clara. Especialmente na forma como filma toda a acção como se de um documentário se tratasse. O efeito é o arrastamento do espectador para o centro da batalha. Seja através de longos planos sem montagem, captando toda a acção à sua volta com um hiper-realismo dantesco, ou através de outra ferramenta essencial para a imersão do espectador, o impressionante trabalho sonoro. Nunca o som das balas, dos tiros de canhão, da carne a ser dilacerada, foi tão autêntico e presente. Spielberg sabiamente, opta por não utilizar música durante as cenas de batalha. Nelas a banda sonora é o som da morte que envolve os seus personagens.

Mas essa abordagem documental não se reflecte apenas nas fortes imagens e sons de Saving Private Ryan. Também na escrita de Robert Donat, as acções e motivos dos personagens são por vezes moralmente questionáveis. Os nossos “heróis” comandados por um misterioso Capt. Miller (Tom Hanks irrepreensível), são rapazes assustados com os quais simpatizamos, mas que nos momentos de batalha, são capazes de matar soldados já rendidos e desarmados. É essa ambiguidade moral que está magnificamente sintetizada na cena da captura do soldado nazi, onde apenas uma voz (Jeremy Davies num belíssimo papel) se insurge contra a loucura do que estão prestes a fazer. Cruelmente, esse soldado irá ressurgir mais tarde, para ter papel crucial no destino de vários personagens. Spielberg observa todas as acções com um distanciamento que não é comum na sua carreira. E é esse distanciamento que torna a sua abordagem justíssima e equilibrada. Pena é, que o filme sofra de alguma dispersão na sua narrativa episódica. E além disso, algumas cenas estão a mais, e perturbam o tom do filme (toda a sequência que envolve as altas patentes militares e a mãe de Ryan era perfeitamente dispensável).

Steven Spielberg tem aqui um dos maiores sucessos artísticos e comerciais da sua carreira. Saving Private Ryan, confirma em definitivo a transição para cineasta “sério”, tendo inclusivé ganha outro oscar. Pena algumas lacunas, pois senão teríamos aqui o melhor filme de sempre sobre a 2ª guerra mundial. Sendo assim esse continua a sêr The Thin Red Line.

terça-feira, março 25, 2008

Filmes da Minha Vida - VIII


Adulto, desencantado, provocador, subversivo, arriscado, polémico. Munich é isso e muito muito mais. E é por isso mesmo que adoro este filme. Uma obra maior, incompreendida e inesperada, de um dos maiores nomes de Hollywood. Com um casting perfeito (enorme Eric Banna), uma equipe no auge (destaque para Janus Kaminski e John Williams)e um realizador apostado em usar o seu enorme poder, para chegar de forma justa e sem concessões, ao âmago de algumas das mais pertinentes questões éticas, morais e humanas alguma vez abordadas em filme. O facto de vir de Hollywood, só valoriza este obra única na carreira de Spielberg. Um filme de uma profundidade tocante que assombra o espectador muito após a saída do cinema. E aquele plano final...

domingo, janeiro 06, 2008

Filmes da Minha Vida - VI

A pérola na filmografia de Spielberg. A par do recente Munique, é o seu filme mais realista, pertinente e pessoal. Aquando da sua estreia vi-o pelo menos 3 vezes em sala. As interpretações são únicas: o magnetismo assombroso de Liam Neeson e a malovolência que Ralph Fiennes emana. A fotografia é um achado: a primeira colaboração entre o cineasta e o brilhante Janus Kaminski, transmite toda a melancolia e tristeza que a história conta. A montagem de Michael Kahan é original e francamente virtuosa, conseguindo com o simples poder de um corte entre dois planos, falar mais que mil palavras. A banda sonora é imortal: aqueles acordes de Itzhak Perlman e John Williams, arrepiam sempre que os oiço. E por fim a realização, o verdadeiro ás de trunfo desta magnífica obra de arte, que é do mais cinematográfico e inspirado que Spielberg alguma vez conseguiu, com inúmeros momentos transcendentes que levam o espectador numa viagem com tanto de horrível, como de sublime.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Filmes da Minha Vida - IV


Entretenimento? Sim. Escapista? Definitivamente! Ocasionalmente inverosímil? Sem dúvida. Mas afinal de contas não é isso que por vezes nos leva ao cinema? Exemplo máximo da qualidade que pode emergir do cinema-pipoca, este é daqueles filmes em que a mão e a originalidade do seus criadores (Spielberg e Lucas), levam o espectador numa montanha-russa de emoções, através de personagens bigger than life, em aventuras que sucedem num ritmo verdadeiramente halucinante. Além da virtuosa realização de Spielberg (recheada de citações cinéfilas), ou da magnífica representação de Harrisson Ford (no papel que o inscreve nas grandes figuras da história de cinema), ou ainda da inesquécivel banda sonora do maestro John Williams, Raiders of the Lost Ark, é um marco na história do cinema. Com tanto de comercial como de artístico, um filme brilhante e incontornável. Até para o mais sisudo dos cinéfilos.

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