
terça-feira, agosto 19, 2008
Felicitazioni Nanni !

segunda-feira, dezembro 10, 2007
Filmes da Minha Vida - V
Autoretrato narcisista para alguns. Obra de arte corajosa, original e única para outros. No meu caso revejo-me na 2ª posição. Dívidido em 3 segmentos (Vespa, Ilhas e Médicos) Caro Diario é um retrato fascinante e surpreendente ao lado pessoal, emocional e intelectual de um dos maiores nomes do cinema mundial. O 1º segmento está cheio de referências incontornáveis na memória deste cinéfilo. Os passeios de Moretti por uma Roma deserta ao som de Leonard Cohen, ou a visita a um desolado monumento dedicado a Pier Paolo Pasolini ao som de Keith Jarret. Vespa é o capítulo mais sensorial. O 2º segmento é uma sátira à sociedade italiana, abordando um tema recorrente na obra de Nanni Moretti, a incomunicabilidade (magníficamente representada pelas ilhas em questão) Ilhas é o capítulo cómico e satírico. A 3º e último segmento, é o meu favorito dos 3. Médicos, é um retrato cómico e ao mesmo tempo comovente, da odisseia que Moretti viveu na realidade, ao tentar descobrir a origem de uma misteriosa doença que o afligiu durante um ano. Neste segmento temos uma 1ª cena em que Moretti se filma numa situação real e em que partilha directamente com o espectador um momento verdadeiramente doloroso. Médicos é o capítulo mais pertinente e emocional. Uma obra hilariante, dramática, sensível e poética. Um filme que revejo vezes sem fim e que é uma verdadeira fonte de inspiração.domingo, dezembro 09, 2007
Momento Sublime
Um grande momento de Moretti
quinta-feira, dezembro 06, 2007
sábado, setembro 15, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
La Messa è Finita (1985)
de Nanni MorettiDon Giulio é um jovem padre que regressa à sua terra natal, após um período de exilio voluntário, numas das várias ilhas do mediterrâneo (um prenúncio das ilhas de Caro Diario). Nesse regresso é confrontado com várias situações, que vão desde o aborto que a sua irmã pretende fazer, ao abandono da família por parte do seu pai para ir viver com uma miuda 30 anos mais nova, ao isolamento e recusa de viver em sociedade a que um antigo companheiro lutador anti-fascista se resignou, a um antigo camarada que se tornou terrorista e passou das teorias aos actos, acabando preso durante 7 anos. Todas estas situações deixam Don Giulio desgostoso, indignado e à beira de um ataque de nervos.
Deixem-me dizer que parece-me que este é o filme mais semelhante ao magnífico O Quarto do Filho. Semelhante na (quase) ausência de humor, e no tom pessimista que atravessa o filme. Moretti compõe talvez o seu personagem mais complexo até á data. Don Giulio é um poço de contradições, neuroses, fixações, desejos, frustrações e indignações. A violência do seu carácter que vem muitas vezes à tona, alterna entre o perturbante e o patético, mas revela toneladas da revolta interior, que o genial Moretti compõe de forma sublime. Mas ao contrário de Bianca, a violência acaba por não ter consequencias trágicas, sendo nesse aspecto mais optimista. Este é para mim o papel da vida de Moretti, uma vez que mostra que além de Moretti-o-realizador, existe um Moretti-o-actor, que se revela um verdadeiro poço de subtileza e sensibilidade.
Um salto qualitativo em relação a Bianca, é o tratamento que é dado ao personagens secundários. Mais que instrumentos para revelar a natureza perturbada de Don Giulio, eles são o retrato de uma geração à deriva, que fracassou nos seus objectivos sonhadores e lutas inglórias, das quais apenas sobrou uma amargura, que os afasta da sociedade e em último caso da vida. Todos os actores secundário estão perfeitos.
No campo da realização o trabalho de Moretti é como sempre irrepreensível (grande prémio da realização em Berlim). Moretti além de uma impecável direcção de actores e um cuidado narrativo meticuloso, manipula com perfeição os elementos sonoros e musicais, que acabam por complementar o interior dos personagens. Sequência ilustradora disso, é o momento em que o padre aumenta o volume de um rádio até ao máximo, abafando por completo o diálogo da sua irmã, que o confrontava com a decadência familiar da sua família. O escapismo musical tão em evidência em Caro Diario, Abril e La Stanza del Figlio, é aqui aplicado de uma forma ainda mais sublime.
Mas La Messa è Finita não é apenas um filme sobre a decadência de valores morais e ideológicos. Acima de tudo é sobre a ausência de afectos e a solidão (tema recorrente em Moretti) que estão na génese do comportamento bizarro do jovem padre. Há várias cenas que demonstram isso, mas é destacar o final particularmente tocante, em que no meio de um casamento que um derrotado Giulio celebra, os convidados começam a dançar na igreja e que provocam finalmente um sorriso esperançoso, na sua face até aí sisuda. Um final luminoso num filme desencantado e que faz pensar e especialmente, sentir.
Mais uma obra-prima. Grazie Nanni!
segunda-feira, setembro 10, 2007
Bianca (1984)
“ Como é triste é morrer sem filhos”Michele Apicella, o altar ego de vários filmes de Moretti nos anos 70 e 80, é obcessivo, paranóico, tem várias fixações, que vão das tortas Sacher, às mais variadas formas de calçado, e nós mesmo assim simpatizamos com ele. Por detrás de todas essas manias e comportamentos desviantes, está uma forte convicção moral e uma ingenuidade pura, de que Michele não abdica e que procura mesmo incutir nos seus amigos de infância, vizinhos ou na sua recem namorada, a Bianca do título.
Bianca distancia-se dos trabalhos mais recentes de Moretti. Aqui há mais raiva, desilusão e um final muito negro, onde o protagonista nos troca as voltas de forma surpreendente. Este Moretti, é um Moretti, pré-filhos e pré-casamento, que vê nos outros personagens aquilo que ele gostaria de ter e ser, mas que no fundo sabe que nunca irá conseguir.
As amizades, que Michelle cultivou durante toda a sua vida, encontram-se agora desprovidas de princípios, de valores ou mesmo de moral. Esse naufrágio moral de toda uma geração, a que pertencem Michelle e seus amigos e colegas, é aquilo que desperta a calma raiva que Moretti aplica no seu protagonista.
No final não há lugar para a esperança de uma vida normal, uma vida a dois e quem sabe filhos. A corrupção de valores, de toda uma geração que se rege pela banalidade, pela mentira e pelo superficial, acabam por condenar de vez Michelle, à solidão e à consequente ausência de afectos.
Uma pérola desencantada e belíssima. A descobrir urgentemente por todos os apreciadores deste grande senhor do cinema mundial.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Flashdance Morettiano
Mas só um conselho para o Nanni: interpreta, escreve e realiza mais filmes, mas por favor, esquece a carreira de cantor!
Bravo Nanni!!!



