de Ridley Scott

“No espaço ninguém vos ouvirá gritar”, dizia a inspirada tagline deste clássico de 1979. Nessa frase encontrava-se sintetizada a mescla de géneros que é Alien, o terror e a FC, dois dos mais populares géneros do cinema. E é precisamente nessa mistura, que Alien tem os seus pontos mais fortes. Os ameaçadores corredores da Nostromo, o isolamento dos personagens, a claustrofobia dos espaços e um monstro como até então o cinema não tinha visto, foram elementos fulcrais para aquele que é considerado por muitos, um dos filmes mais assustadores da história.
Esse sucesso, deve-se principalmente ao apurado sentido visual de Ridley Scott, que dá uma verdadeira lição em construção de ambiente, para criação de tensão. A sua direcção é sempre precisa e graciosa, alternando essa tensão em crescendo, com momentos-choque (a 1ª aparição do alien na mesa de refeições, e a revelação do androide, são momentos marcantes). Nunca até então se tinha visto algo tão pessimista e desesperante na ficção-científica. Pena é que o guião de Dan O’ Bannon, não acompanhe o requinte de Scott, e por vezes caia por vezes em lugares comnuns da série B (afinal de contas Alien é um Monster Movie).

Marcando a estreia da excelente Sigourney Weaver no cinema, Alien tem direito ainda a um elenco de fantásticos secundários que vão de Harry Dean Stanton a John Hurt (com direito a uma das mortes mais chocantes do cinema). Mas mais que os actores, as verdadeiras estrelas estão do lado dos técnicos. Não como criadores de espectáculo visual de encher o olho (como é a moda agora com o CGI), mas como criadores de uma ilusão que remexe e agita os sentidos do espectador até pontos quase insoportáveis. Nesse campo técnico, além da mestria de Scott, há que dar um grande destaque à banda sonora inquietante de Jerry Goldsmith assim como ao magnífico e criativo trabalho sonoro de Derrick Leather, que contribui e de que maneira para a sensação de terror sempre presente neste verdadeiro marco do cinema moderno.
Um clássico que tem envelhecido bem. A revêr.
