quarta-feira, abril 03, 2019

Glass (2019)

A Blumhouse comprova-se como um kinooasis no deserto que é o cinema hollywoodesco actual. A sua filosofia de liberdade criativa, num contexto de rígida austeridade orçamental, está a produzir obras como Whiplash, Upgrade, Get Out, Split e agora este empolgante Glass. O feito é tal. que ressuscitou o dead director Shyamalan, que assina aqui o seu melhor filme desde 2002. É impossível não assinalar os paralelos da crise existencial dos seus (super?) heróis, com os do próprio realizador, que, até Split, andava em igual condição, a nível criativo. O Bruce está apagado, mas o Samuel e o James elevam o estreito e coeso guião do Night, nesta digna sucessão do mítico Unbreakable. Jason Blum é definitivamente um caso a seguir.

quinta-feira, março 14, 2019

Starship Troopers : 7 Kinonotas


1-O cinema de guerra e a ficção científica estão unidos por uma cola satírica que subverte ambos os géneros, paradoxalmente reforçando-os.
2- A igualdade de raça, género, estatuto, não invalidam que por detrás dessa utopia, estejamos perante um sociedade fascista. Afinal de contas, estamos num universo onde nas aulas de história ensina-se o porquê do falhanço da democracia.
3 - Os nosso heróis protonazis são de Buenos Aires, o que implica que o disparar primeiro e questionar depois americano foi exportado para todo o mundo e tornou-se numa das doutrinas da globalização.
4 – A delícia que é ver o fascizante estúdio do rato mickey produzir uma superprodução (de mais de 100 milhões de dólares) onde inocentes crianças pegam em armas e fazem a sua parte, vaginas alienígenas sugam cérebros masculinos, vómitos, entranhas, sangue, desmembramentos, sexo sadomasoquista, testosterona bélica e reflexão histórico-política, desfilam com a maior das jovialidades.
5 – Já tem 22 anos e continua a provar que o espectador ter direito aos mais grandioso espectáculo, aliado a provocação, inteligência e enorme pertinência sóciopolítica, não é um paradoxo comercial.
6 - Está nos antípodas da banalidade coninhas e insegura do kinomerdum de hoje (obrigadinho milenials).
7 - O tipo da esquerda é Deus.

quinta-feira, janeiro 31, 2019

Tabu (2012)

Tabu tem duas partes bipolares. A primeira, assumidamente fadista e formal, com um como isto tudo é tão triste, lança um mistério, de somenos importância para tão longa duração. Mas depois... Depois vem a segunda e o desvendar do mistério. O flashback mais glorioso do cinema português. Zero diálogos e "apenas" a memória de um tempo ido. Memórias, impressões, correspondências, que ouvimos em catadupa e que são em si um exercício Malickiano, oscilando entre a ironia irreverente e o mais profundo desespero poético. Junte-se lhe a isso crocodilos espectadores, uma arrebatada banda sonora e as lágrimas da Teresa Madruga e da Ana Moreira e eis "O" filme português desta década.

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