quarta-feira, março 04, 2009

Taxi Driver (1976)

de Martin Scorsese

“All the animals come out at night - whores, skunk pussies, buggers, queens, fairies, dopers, junkies, sick, venal. Someday a real rain will come and wash all this scum off the streets.”

Palavras de Travis Bickle, um anjo vingador vindo directamente do Antigo Testamento, através da escrita impiedosa de Paul Schrader e da câmara prodigiosa de Martin Scorsese. Aclamado como um dos grandes filmes dos anos 70, Taxi Driver foi a confirmação da promessa deixada em Mean Streets. Neste filme Scorsese, mergulha fundo na existência infernal do seu protagonista, fazendo uma alegoria à solidão, alienação e loucura que as grandes metrópoles podem causar. É impressionante a sinceridade e coragem da abordagem do realizador. Scorsese não desculpabiliza o seu personagem, nem o condena. A sua câmara regista o dia-a-dia de Travis, com uma abordagem quase subjectiva apoiada numa encenação ferozmente realista. E esse dia-a-dia está cheio de momentos ora cruelmente patéticos (a ida ao cinema com Betsy), ora cómicos (um dos taxistas a tentar desastradamente aconselhar Travis ou o alucinado passageiro que o próprio realizador interpreta) ora brutalmente chocantes e perturbadores ( a 1ª morte de Travis e o sangrento showdown final).
E depois temos De Niro. Que dizer de uma das maiores representações alguma vez dadas por um actor na história do cinema? O seu Travis é demente, desarmante e estranhamente tocante. De Niro consegue incorporar o seu personagem com um rigor e autenticidade inesqueciveis, que parecem fazer desaparecer as fronteiras entre personagem e actor. Como curiosidade, o actor fiel ao espírito do Actor Studio, conduziu um taxi pelas ruas de Nova Iorque duas semanas antes da rodagem do filme, para assim entrar na pele do seu personagem. Character studie, psicodrama, tragicomédia, este marco do cinema é acima de isso tudo, um filme sobre a solidão e sobre as consequências que uma sociedade perdida poderá causar num ser humano. Como nota final, Taxi Driver perdeu o Óscar de melhor filme para Rocky, comprovando a tendencia da Academia para injustiças gritantes, mas acabou consagrado em Cannes com a Palma de Ouro desse ano. Um filme marcante e essencial na minha vida.

10 comentários:

Filipe Machado disse...

Scorcese no seu melhor. Boa crítica!

João Bizarro disse...

You talkin' to me?

10/10

Em relação à sondagem, não podias fazer perguntas mais fáceis?

Fifeco disse...

Aqui discordamos ligeiramente. Dou-lhe as quatro estrelas. Sim, é muito bom, sim, DeNiro é fabuloso e Scorsese prova ser um dos melhores cineastas vivos mas...

Quanto a mim, DeNiro fez melhor em Raging Bull. Scoresese idem aspas e considero que Taxi Driver não é perfeito.

[por favor não partas para a violência... eh eh]

Mas claro, bom texto e percebo perfeitamente o teu ponto de vista.

Abraço

João disse...

Um dos melhores filmes de sempre, só não é o melhor de Scorsese porque existe Raging Bull.

Luís disse...

Filipe, nem mais!

João, se fosse mais facil não tinha piada. 20/10!:)

Fifeco
4 estrelas??? Heresia! :) Tambem acho que Scorsese fez melhor em Raging Bull, mas estamos a comparar duas obras-primas. Acho que as falhas que apontas são precisamente aquilo que dá muito sumo a este filme delirante e febril. Mas ja agora gostaria de saber o que impede na tua opinião , de Taxi Driver atinjir a perfeição?

João, fiquei indeciso entre o Raging Bull e o Goodfellas. Vamos ver o que da a votação.:)

abraços cinéfilos

[TB] disse...

7 estrelas ;)
Exelente filme,De Niro (para mim) numa das suas melhores interpretações.
Destaco a cena em que entra o sr.scorcese como "o passageiro nervoso"

Abç

Fifeco disse...

Ora bem, pergunta difícil essa. para começar há questão do gosto que conta sempre. Vi o filme e não me levou a gostar de forma a que lhe atribuísse a nota máxima.

Confesso que já vi o filme duas vezes, mas ambas há muito tempo pelo que não recordo de todos os pormenores. Mas posso te dizer que considero o ritmo demasiado lento. Adequa-se à fita em determinados espaços temporais mas existem momentos que parece divagar um pouco. Mas como digo, terei que ver outra vez para poder formar uma opinião mais sólida.

Luís disse...

TB, o "passageiro nervoso" é simplesmente delirante. Mais um dos trunfos desta obra genial!

Fifeco, revê o quanto antes. Ainda me lembro que quando o vi a primeira vez gostei, mas não fiquei apaixonado. Mas na 2ª melhorou, e na 3ª e na 4ª e na 5ª ...:)
O seu ritmo lento faz todo o sentido e considero-o adequado. É realista e claustrofóbico, sem nunca perder de vista a autenticidade daquele cenário infernal. Genial Scorsese!

abraços cinéfilos

Teresa Queiroz disse...

outro---
da minha vida

é sempre uma delícia passar pelo teu blog ....:)

Luís disse...

Muito obrigado pela simpatia teresa:)

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