quinta-feira, agosto 13, 2009

Public Enemies (2009)


de Michael Mann

Pelo trailer parecia que Michael Mann iria levar-nos de regresso às temáticas e à mestria cinematográfica da sua obra-prima, o incontornável Heat. Puro engano. Em comum com essa película temos a história de um brilhante ladrão de bancos, que é perseguido implacavelmente por um obcecado agente da lei. E apesar dos parelelismos com Heat, Public Enemies, não se aproxima sequer da poesia ou do furor desse filme. Depp e Bale estão a léguas de distância de Pacino e De Niro. E perdoem-me os puristas, mas aqui, acho que Mann levou a secura longe demais. Na sua inecessante busca pelo realismo e autenticidade, Mann esqueceu-se de fugir aos lugares comuns que por vezes estão presentes na realidade. E isso num filme de género como é este, pode ser um erro. O que procuramos quando pagamos um bilhete e ficamos durante 2h30m numa sala de cinema, é a surpresa, o sublime ou a emoção. E a emoção, aqui só está presente a espaços. Destaque para cenas muito bem conseguidas como a “tortura” de Marianne Coultiard, ou a reação de Bale à desumanização da sua polícia. Mas fora isso, o que temos é Mann a caminhar território familiar, com tiroteios, romance e violência, mas que inesperadamente, em Public Enemies soa a deja vu.

Alem de Bale e Coultiard, Johnny Depp está seguro, mas com um personagem demasiado enigmático. Voltando a Heat, o anti-heroi que era o Neil McCaulley de De Niro tambem tinha motivos obscuros e uma presença fria. Mas aí De Niro e Mann conseguiram fazer-nos sentir (quase subliminarmente) toda a emoção e humanidade reprimida daquele personagem. Em Public Enemies, nunca há essa emoção. Mann está mais fascinado com a ideia de celebridade de um criminoso, do que propriamente com os seus conflitos interiores ou aspirações. E se no campo técnico o filme é irrepreensivel (aqui Mann não sabe falhar), a fotografia apesar de boa, nunca chega a níveis brilhantes. Destaque para o imenso cast (Stephern Dorff, Billy Cudrup, Giovanni Ribisi, James Russo) que não tem material para criar personagens de carne e osso e se limita a dar as suas deixas. As três estrelas são para a ousadia digital da fotografia, a reconstituição histórica, as interpretações seguras e para alguns bons momentos de Mann. Mas no conjunto da sua obra, não hesito em afirmar: para mim este é um filme menor de um grande cineasta.

7 comentários:

João Bizarro disse...

Ao contrário de Heat que havia o factor surpresa e não sabiamos o que ia acontecer, aqui já sabiamos que John Dillinger era abatido à saída de um cinema. Se traído por uma mulher vestida de vermelho ou de branco isso já são conjunturas secundárias. E até as imprecisões das mortes de Pretty Boy Floyd e Baby Face Nelson parecem fazer bem à narrativa.
Eu gostei muito. E acho que os actores estiveram muito bem.

Fifeco disse...

Concordo plenamente com o que foi escrito. Aliás, escrevi palavras semelhantes na minha crítica. A tentativa de atribuição de realismo, quanto a mim, não resultou. Tornou apenas a realização mais confusa. Quanto aos actores, creio que Bale está bastante fraco mas Depp é brilhante e é por ele que o filme atinge outro estatuto.

Abraço

Cocky Balboa disse...

O maior defeito, como digo no Revolta da pipoca, é mesmo estar sempre a comparar com a obra-prima que foi Heat. E aí perde a todos os niveis.
Ainda assim 3,5/5

Fernando Ribeiro disse...

Publicamos hoje no Ante-Cinema um especial que talvez te agrade. É sobre Michael Mann. :)

Gostava de saber a tua opinião visto que és um grande admirador do realizador como nós. :)

www.ante-cinema.com

[TB] disse...

Sem duvida,estou um pouco desiludido mas não estava á espera de um "estrondo" como Heat considero um filme mediano no que respeita ao excelente trabalho que M.Mann nos tem habituado.Cenarios realistas(como disseste)alguns planos bonitos,boa interpretação mas é um filme muito parado.A historia é obvia e previsivel de um ladrão de bancos nos anos 30,que passa ao lado da incompetencia policial da altura.
Mann é capaz de muito MUITO mais.
Abraço

Catarina disse...

Boa Tarde,

A interpretação de Johnny Depp é absolutamente notável. Acho que o filme peca por ser muito parado. Não existe excesso de violência o que costuma acontecer nos filmes do género. Tem um excelente argumento, aliás isso é tipico de Michael Mann.
Gostei bastante do filme sobretudo da interpretação magistral de Johnny Depp.

Luís A. disse...

Acho que Depp e Mann são muito pouco aqui. Culpa do guião e de alguma dispersão

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