quarta-feira, novembro 14, 2007

Grizzly Man (2005)

de Werner Herzog


Werner Herzog, sempre foi atraído por histórias com heróis à margem da sociedade. Os seus cinco filmes com esse monstro de seu nome Klaus Kinski, são bons exemplos do tipo de histórias que fascinam o realizador. Não é portanto de estranhar quando se viu o seu nome, na ficha da realização deste magnífico documentário sobre um ambientalista que se isolou durante 13 Verões nas paisagens naturais do Alaska. Com o objectivo de registar o dia a dia dos perigosos ursos pardos, o ambientalista e a sua namorada tiveram um fim trágico acabando por ser devorados vivos pelos animais a que Treadwell tinha dedicado a sua vida. Mas antes Timothy Treadwell registou mais de 100 horas de imagens únicas.

Partindo desta história fascinante, Herzog lança-se de forma apaixonada, a descobrir quem era aquele ex-actor, ex-alcoólico, alienado e em conflito com a sociedade e que se tinha reinventado como defensor e observador desses perigosos animais selvagens, num local igualmente selvagem. As imagens de Treadwell tinham um caracter claramente maniqueísta, simplista e ingénuo, mas ao mesmo tempo imbutidas de uma inegável beleza, tal era o espectáculo natural que registavam. Treadwell, via-se como o único defensor daquelas criaturas. Herzog apesar da óbvia simpatia que sente pelo seu protagonista, não hesita em divergir dos pontos de vista naifs de Treadwell e explicar os seus, bem mais nilistas e pessimistas. Para Treadwell, a natureza possuiu uma harmonia, que se balança a si própria, sendo o homem o elemento a mais. Para Herzog, a natureza, não é harmoniosa, mas sim caótica, onde na sua teoria, quando a fome aperta, um urso não hesita duas vezes, antes de devorar um homem que o defendia de tudo e de todos. Os factos deram razão a Herzog.

É precisamente essa divergência de visões do mundo entre os dois cineastas (sim porque grande parte do filme vive das imagens filmadas por Treadwell), que torna ocasionalmente, Grizzly Man um objecto fascinante como há muito eu não via. Isso e a revelação da perturbada personalidade de Treadwell, que apesar de tentar construir uma personna aventureira e idealista, nas mãos de Herzog, acaba por revelar um lado muito mais negro. Muito mais que o conceito inicial das suas imagens pretendia. Herzog mostra todo o poder da sua montagem, e ao decidir não fazer o corte em momentos aparentemente banais, como Treadwell a encenar para a câmara a conclusão de mais uma época de observação, revela subitamente uma personalidade maníaca e psicótica, mas ao mesmo tempo estranhamente comovente.

Recheado de momentos variados, uns de uma riqueza visual deslumbrante, outros assustadores e outros simplesmente tocantes. Este é um retrato de um indivíduo perturbado, que tal como Herzog, não se revia na sociedade, encontrando finalmente a paz, no meio dos animais selvagens.

Um documentário essencial e inesquécivel.

5 comentários:

Knoxville disse...

Comprei o DVD antes do Verão e nunca o vejo por uma razão ou por outra. Agora... agora não tenho desculpa: não passa deste fim-de-semana ;)

Um abraço!

Ricardo disse...

Eu por acaso não sou dado a documentários.... É uma falha grave! Um abraço!

Rui Luís Lima disse...

como sempre Werner Herzog consegue surpreender-nos mais uma vez.

Luís disse...

Knoxx: vê assim que possas que não te arrependes

ricardo: este documentário tem muito de cinema

rui: Herzog realmente é uma caixa de boas surpresas. quanto mais descubro a sua obra, mais fã fico do senhor.

abraços cinéfilo a todos

Regina Dias disse...

http://montagemcinema.blogspot.com/

veja meu texto......

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