quinta-feira, janeiro 31, 2019
Tabu (2012)
quarta-feira, maio 05, 2010
The Thin Red Line (1998)
No cinema de guerra existe o pré The Thin Red Line e o após The Thin Red Line. E uma coisa é certa, nunca Hollywood fez um filme de guerra tão singular, idiossincrático e rico. Este é daquelas fitas que a cada visionamento melhora e melhora e melhora cada vez mais tal é a sua riqueza temática e cinematográfica. O responsável deste milagre é um senhor chamado Terrence Malick, o cineasta que em 20 anos de carreira assinou aqui o seu terceiro filme. E que filme! The Thin Red Line aborda os clássicos temas do género de guerra e segue um grupo de recrutas americanos que tentam tomar um monte ocupado pelo inimigo japonês na batalha de Guadalcanal. Esses soldados são interpretados por um elenco de estrelas como raramente se viu (e merecem especial destaque Nick Nolte, Elias Koteas e o estreante Jim Caviezel no pele do espiritual Witt). E se Mallick e o seu director de fotografia John Toll filmam as batalhas com um fulgor e visceralidade empolgantes, não é aí que reside o trunfo maior desta película.

O que Malick nos propõe é o mergulho nos pensamentos e na essência dos seus soldados, através das suas variadas vozes em off, transportando-nos ao seu mundo interior reflexivo, espiritual e emocional. Os seus personagens questionam o papel do homem na natureza, a essência violenta da guerra, a sua própria desumanização ou pura e simplesmente o sentido da vida. Teologia funde-se num cenário de morte, onde os vários planos da natureza e da vida selvagem de Guadalcanal sugerem o olhar de Deus perante a insanidade da sua criação…o Homem. Isto tudo acompanhado por uma montagem brilhante criando um ritmo hipnótico que prende o espectador desde o 1º segundo. Junte-se lhe o dom de Malick para a composição de imagens marcantes e a banda sonora sublime de Hans Zimmer (a sua melhor?), e temos um filme transcendental. Scorsese chamou-lhe o 2º melhor filme dos anos 90, para mim é o 1º melhor filme dos anos 90 e o melhor filme de guerra de sempre. Genial? Não é mais que isso. The Thin Red Line é celestial…

segunda-feira, março 29, 2010
Fear and Loathing in Las Vegas (1998)

Terry Gilliam o visionário autor de obras marcantes, como Brazil ou 12 Monkeys, assina com Fear And Loathing in Las Vegas, o seu filme mais selvagem, alucinante e excessivo. Raol Duke e Dr. Gonzo partem para Las Vegas em busca do sonho americano, com uma mala cheia de todo o tipo de drogas e uma pré-disposição natural para arranjar todo o tipo de situações perigosas e caóticas. Adaptação fiel do mítico livro de Hunter S. Thompson, Fear and Loathing possui um espírito anárquico e psicadélico, onde o excesso dos personagens é acompanhado pela câmara delirante do seu realizador. As grandes angulares de Gilliam, as cores saturadas e surreiais e o ritmo diabólico transmitem toda a loucura e perturbação dos seus personagens assim como do pesadelo por detrás da hipocrisia do sonho americano dos anos 70. A brilhante e hilariante escrita de Thompson casa na perfeição com a câmara de Gilliam, numa adaptação cinematográfica... genial!


quarta-feira, julho 01, 2009
High Fidelity (2000)
Filmes da Minha Vida - XV

quarta-feira, março 04, 2009
Taxi Driver (1976)
“All the animals come out at night - whores, skunk pussies, buggers, queens, fairies, dopers, junkies, sick, venal. Someday a real rain will come and wash all this scum off the streets.”Palavras de Travis Bickle, um anjo vingador vindo directamente do Antigo Testamento, através da escrita impiedosa de Paul Schrader e da câmara prodigiosa de Martin Scorsese. Aclamado como um dos grandes filmes dos anos 70, Taxi Driver foi a confirmação da promessa deixada em Mean Streets. Neste filme Scorsese, mergulha fundo na existência infernal do seu protagonista, fazendo uma alegoria à solidão, alienação e loucura que as grandes metrópoles podem causar. É impressionante a sinceridade e coragem da abordagem do realizador. Scorsese não desculpabiliza o seu personagem, nem o condena. A sua câmara regista o dia-a-dia de Travis, com uma abordagem quase subjectiva apoiada numa encenação ferozmente realista. E esse dia-a-dia está cheio de momentos ora cruelmente patéticos (a ida ao cinema com Betsy), ora cómicos (um dos taxistas a tentar desastradamente aconselhar Travis ou o alucinado passageiro que o próprio realizador interpreta) ora brutalmente chocantes e perturbadores ( a 1ª morte de Travis e o sangrento showdown final).
E depois temos De Niro. Que dizer de uma das maiores representações alguma vez dadas por um actor na história do cinema? O seu Travis é demente, desarmante e estranhamente tocante. De Niro consegue incorporar o seu personagem com um rigor e autenticidade inesqueciveis, que parecem fazer desaparecer as fronteiras entre personagem e actor. Como curiosidade, o actor fiel ao espírito do Actor Studio, conduziu um taxi pelas ruas de Nova Iorque duas semanas antes da rodagem do filme, para assim entrar na pele do seu personagem. Character studie, psicodrama, tragicomédia, este marco do cinema é acima de isso tudo, um filme sobre a solidão e sobre as consequências que uma sociedade perdida poderá causar num ser humano. Como nota final, Taxi Driver perdeu o Óscar de melhor filme para Rocky, comprovando a tendencia da Academia para injustiças gritantes, mas acabou consagrado em Cannes com a Palma de Ouro desse ano. Um filme marcante e essencial na minha vida. quarta-feira, janeiro 28, 2009
Filmes da Minha Vida - XII
Passa por este épico policial uma onda de fúria, desespero, obsessão e tragédia, na figura de um Mickey Rourke num dos grandes papéis da sua vida. O seu torturado capitão Stanley White, é um dos personagens mais politicamente incorrectos de que há memória na história do cinema. Ele é racista, misógino e obcecado na sua cruzada contra a máfia chinesa. Graças a isso, White quase destrói todos os que estão à sua volta. Ele é claramente um personagem à margem, que leva a sua obsessão por justiça longe demais, com consequências trágicas e irreparáveis. Com a assinatura do oscarizado (e ostracizado) Michael Cimino, este filme é um dos grandes momentos do cinema dos anos 80. Com um argumento implacável escrito a meias com Oliver Stone, Cimino tentou com Year of The Dragon recuperar do desastre financeiro de Heavens Gate. Como curiosidade, Stone e Cimino chegaram a infiltrar-se nas tríades de Chinatown, para desta forma conferir autenticidade ao guião. Apesar dos resultados comerciais mais uma vez não terem sido famosos (e com acusações de racismo pelo meio) a mão de Cimino é magistral tanto na encenação da acção como no desenvolvimento dos personagens. Rourke e John Lone, degladiam-se de forma selvagem e sanguinária num choque de leis e de culturas. Nunca o cinema policial chegou tão alto como aqui. É um dos filmes essenciais na minha vida e isso deve-se ao trio Cimino, Stone e Rourke. Em suma, é uma obra-prima que carece de reavaliação crítica o quanto antes.
segunda-feira, junho 30, 2008
Filmes da Minha Vida - XI

O ínicio da ascensão de Eastwood ao reino dos autores. Bem, não é bem um ínicio, mas sim uma confirmação. Pois antes tinha havido o tão esquecido Honkytonk Man, que recordo como um dos seus filmes mais luminosos e ao mesmo tempo amargurados. Mas Unforgiven, merece todo o culto que tem à sua volta. Nunca o western foi tão desencantado, poético e seco. É simplesmente um dos retratos mais cruéis da história do cinema. Um caracter studie sem redenção. Aqui o arco do personagem é um arco fatalista, onde a morte é a única verdade na vida de William Munny. E depois Unforgiven está recheado de momentos antológicos. Como aquele diálogo existencialista (mas tão simples) junto a uma árvore. Ou aquela sequência do assassinato de um dos vaqueiros, onde assistimos à dificuldade inerente a tirar uma vida. Ou então, simplesmente aquele olhar do anjo da morte, em que William Munny se tornou, num dos mais terríficos showdowns de qualquer western do cinema. Cru, realista e muito profundo. Um dos filmes maiores de um grande,grande,cineasta.
quarta-feira, maio 28, 2008
Filmes da Minha Vida - X
sexta-feira, maio 02, 2008
Reds (1981)

Reds é antes de mais, um dos mais ambiciosos, arriscados e improváveis filmes, alguma vez feitos em Hollywood. A sua feitura apenas foi possível devido à persistência e ao star-power de uma das suas maiores estrelas, Warren Beatty de seu nome. O financiamento para a realização de um épico sobre um líder comunista, autor de um dos livros mais fieis aos acontecimentos da Revolução Russa e o único americano sepultado no Kremlin, revelou-se uma tarefa quase impossivel. Especialmente tendo em conta o fervor anti-comunista, que reinava na altura numa América em plena Guerra Fria. Mas a tenacidade de Beatty levou a melhor, conseguindo o apoio da Paramount, e assegurando um controlo criativo total, interpretando, realizando, escrevendo e produzindo o filme. Após dois anos de rodagem e montagem, o filme estreava finalmente em 81. Imediatamente afirmou-se como um grande sucesso nas bilheteiras, e um dos filmes mais nomeados na história dos Oscars (13 nomeações, sendo 4 para Beatty, que igualou assim Orson Welles). Ou seja Reds torna-se um triunfo artístico e comercial sem precedentes na carreira do seu autor.
Abordando as ilusões e desilusões inerentes às utopias, a história de amôr de John Reed (Beatty) pela ideologia comunista, assim como pela mulher da sua vida, Louise Bryant, é contada de forma original, complexa e muitíssimo eficaz. A narrativa gira em torno da relação entre Reed e Bryant, dois intelectuais radicais, que com uma relação no mínimo tumultuosa (com infedelidades de parte a parte), reencontram o amor no mais surpreendente dos cenários, em plena Revolução Russa. A partír daí, Reed e Bryant regressam ao Estados Unidos, tentando espalhar a mensagem aquilo que viram na Russia, na esperança de assim agitar, e eventualmente revolucionar a sociedade americana. Reed acaba mesmo por abandonar o jornalismo e converte-se num dos primeiros líderes do partido comunista americano. Mas essa conversão irá fazê-lo regressar à Russia, deixando Louise para trás.
Vários são os momentos em que Reed, procura equilibrar o colectivo com o pessoal. A sua ideologia e o afecto. Mas esse equilibrio revela-se impossivel num estado totalitário. E esse é uma das maiores virtudes desta obra apaixonante: apesar de Beatty sentir uma óbvia simpatia para com a utopia comunista, há uma altura que o seu protagonista é forçado a constatar que o sonho se tornou um pesadelo. Um exemplo marcante, é o discurso que Reed faz para uma plateia de radicais muçulmanos, onde vê as suas palavras traduzidas de “guerra de classes” para “guerra santa” criando assim uma histeria eufórica na sua audiencia. Mais tarde é lhe dito que o seu discurso foi alterado, por não ser propagandistico o suficiente. Além de actualissima, essa cena revela toda a manipulação que o indivíduo sonhadôr, pode sofrer num colectivo que se rege de forma totalitária. Ou seja Beatty dá uma no cravo e outra na ferradura. E muito bem! Nunca negando a complexidade e a veracidade do tema que aborda, perservando a integridade da obra. E que dizêr daquele reencontro final na estação, em que uma ansiosa Louise Bryant, que após regressar à Rússia clandestinamente, finalmente encontra um destroçado Reed, criando um dos momentos mais comoventes a que assisti num filme. Além do mais, a história de amôr entre os protagonistas é palpável e nunca é abordada de forma sentimental, o que só lhe dá mais força.

Tudo neste filme se conjuga de forma perfeita. Arte, entretenimento, política, amor, História. Reds é a prova que Warren Beatty por detrás daquela fama de galã de Hollywood, é antes demais, um cineasta de um talento e coragem imensas. Um dos grandes grandes filmes da minha vida.
domingo, abril 27, 2008
Filmes da Minha Vida - IX

terça-feira, março 25, 2008
Filmes da Minha Vida - VIII

Adulto, desencantado, provocador, subversivo, arriscado, polémico. Munich é isso e muito muito mais. E é por isso mesmo que adoro este filme. Uma obra maior, incompreendida e inesperada, de um dos maiores nomes de Hollywood. Com um casting perfeito (enorme Eric Banna), uma equipe no auge (destaque para Janus Kaminski e John Williams)e um realizador apostado em usar o seu enorme poder, para chegar de forma justa e sem concessões, ao âmago de algumas das mais pertinentes questões éticas, morais e humanas alguma vez abordadas em filme. O facto de vir de Hollywood, só valoriza este obra única na carreira de Spielberg. Um filme de uma profundidade tocante que assombra o espectador muito após a saída do cinema. E aquele plano final...
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Filmes da Minha Vida - VII

"If you want me to keep my mouth shut, it's gonna cost you some dough. I figure a thousand bucks is reasonable, so I want two. "
domingo, janeiro 06, 2008
Filmes da Minha Vida - VI
A pérola na filmografia de Spielberg. A par do recente Munique, é o seu filme mais realista, pertinente e pessoal. Aquando da sua estreia vi-o pelo menos 3 vezes em sala. As interpretações são únicas: o magnetismo assombroso de Liam Neeson e a malovolência que Ralph Fiennes emana. A fotografia é um achado: a primeira colaboração entre o cineasta e o brilhante Janus Kaminski, transmite toda a melancolia e tristeza que a história conta. A montagem de Michael Kahan é original e francamente virtuosa, conseguindo com o simples poder de um corte entre dois planos, falar mais que mil palavras. A banda sonora é imortal: aqueles acordes de Itzhak Perlman e John Williams, arrepiam sempre que os oiço. E por fim a realização, o verdadeiro ás de trunfo desta magnífica obra de arte, que é do mais cinematográfico e inspirado que Spielberg alguma vez conseguiu, com inúmeros momentos transcendentes que levam o espectador numa viagem com tanto de horrível, como de sublime. segunda-feira, dezembro 10, 2007
Filmes da Minha Vida - V
Autoretrato narcisista para alguns. Obra de arte corajosa, original e única para outros. No meu caso revejo-me na 2ª posição. Dívidido em 3 segmentos (Vespa, Ilhas e Médicos) Caro Diario é um retrato fascinante e surpreendente ao lado pessoal, emocional e intelectual de um dos maiores nomes do cinema mundial. O 1º segmento está cheio de referências incontornáveis na memória deste cinéfilo. Os passeios de Moretti por uma Roma deserta ao som de Leonard Cohen, ou a visita a um desolado monumento dedicado a Pier Paolo Pasolini ao som de Keith Jarret. Vespa é o capítulo mais sensorial. O 2º segmento é uma sátira à sociedade italiana, abordando um tema recorrente na obra de Nanni Moretti, a incomunicabilidade (magníficamente representada pelas ilhas em questão) Ilhas é o capítulo cómico e satírico. A 3º e último segmento, é o meu favorito dos 3. Médicos, é um retrato cómico e ao mesmo tempo comovente, da odisseia que Moretti viveu na realidade, ao tentar descobrir a origem de uma misteriosa doença que o afligiu durante um ano. Neste segmento temos uma 1ª cena em que Moretti se filma numa situação real e em que partilha directamente com o espectador um momento verdadeiramente doloroso. Médicos é o capítulo mais pertinente e emocional. Uma obra hilariante, dramática, sensível e poética. Um filme que revejo vezes sem fim e que é uma verdadeira fonte de inspiração.quarta-feira, novembro 28, 2007
Filmes da Minha Vida - IV

quinta-feira, novembro 22, 2007
Filmes da Minha Vida - III
segunda-feira, novembro 19, 2007
Filmes da Minha Vida - II

sexta-feira, novembro 09, 2007
Filmes da Minha Vida - I







