
Que David Cronenberg é um cineasta fascinado com o corpo, e com as suas diferentes mutações e variações, já não é novidade para nenhum cinéfilo que se preze. Agora o que é novidade, é a forma elegante em como esta sua obsessão, se camuflou no cinema mainstream, a que o realizador canadiano se tem dedicado ultimamente. Em Eastern Promisses, os temas recorrentes do autor, estão todos lá: identidade, a carne como algo de mutável e directamente associada à psique dos personagens (as famosas tatuagens), a violência ( a cadeira do barbeiro ou a impressionante sequência na sauna), a ambivalência sexual, e finalmente a impossibilidade (ou a negação) do amor. O que espanta é que Cronenberg consegue abordar esta impressionante variedade de obsessões pessoais, e apesar disso assinar uma história policial escorreita e que pode apelar a um espectador menos “exigente”. Pena que o guião de Steven Knight não esteja à altura da mestria de Cronenberg, que apesar do esforço do cineasta, acaba por mergulhar o filme nalguns clichés e twists desnecessários. Mas seja como fôr, Eastern Promisses é uma obra que todos os fãs (e não fãs) de Cronenberg irão apreciar. Uma nota final para Viggo Mortensen, que está cada vez mais actor, e que assina um dos mais impressionantes papéis de 2007.

