
Esta película pertinente e actual, marca o regresso de Paul Haggis à realização, após os oscars e o sucesso de Crash. Tommy Lee Jones num registo dorido e em subtil underacting, tem um forte papel no personagem do ex-militar que procura descobrir o que aconteceu ao seu filho recem chegado do Iraque. Durante a sua investigação, irá ser auxiliado por uma civil, interpretada por Charlize Theron. Os dois irão descobrir uma verdade inesperada e assustadora que irá pôr em causa todas as suas convicções.
A inicio, In The Valley of Elah, parece situar-se em terrenos semelhantes ao magnífico Missing (o execelente thriller político assinado em 82 por Costa-Gavras). Más após a primeira parte, já sabemos o que aconteceu ao militar desaparecido. A questão torna-se descobrir o que causou aquela tragédia. E é nesse processo de descoberta, que se encontra a riqueza deste filme. Se de início, há insinuações de um possível “cover-up” por parte dos militares, o inteligentíssimo guião de Paul Haggis, acaba por renegar esse lugar-comum e começa a trocar as voltas ao espectador, habituado aos clichés típicos neste género de filme. Haggis encontra-se muito mais interessado numa humanização (ou desumanização) dos seus personagens. O mistério que realmente lhe interessa, é descobrir o porquê das consequências que as guerras têm nos seus intervenientes. Esse é o verdadeiro mistério, deste filme algo surpreendente.

A fotografia de Roger Deakins (este ano com duas nomeações) valoriza bastante o trabalho de Haggis, com composições originais e eficazes, que reforçam o tom de justeza da narrativa. Haggis dirige com mão segura os belíssimos actores ao seu dispor. A haver reticicencias nesse capítulo, elas cairiam no papel algo superficial de Charlize Theron, que peca por ser um pouco sub-desenvolvido. Mas no geral não é nada que prejudique esta inteligente longa-metragem com tons anti-belicistas, que acaba por levantar mais perguntas, que respostas.
Em suma In The Valley of Elah vem comprovar o talento imenso de dois senhores: o primeiro de seu nome Paul Haggis como um dos mais talentosos e originais guionistas de Hollywood. O segundo de seu nome Tommy Lee Jones, comprova o porquê de sêr simplesmente um dos maiores actores da actualidade.














A encenação e virtuosismo visual, que com movimentos de câmara precisos e enquadramentos únicos, consegue criar um enorme clima de suspense ( a cena da criada a arrumar a mesa), assim como escapar à limitação do espaço, criando cinema e não teatro filmado. O que é admirável na forma como Hitch filma, é a sua capacidade para virar o jogo, tornando o espectador cumplíce do que se está a passar em todos os momentos, ficando os personagens muitas vezes para trás. Nesse capítulo, o realizador dava cartas como nínguem.




Um total de 106 (!!!) críticos de cinema de publicações prestigiadas como a «Film Comment», «New Yorker», «Variety» e «The New York Times» participou na iniciativa promovida, pelo segundo ano consecutivo, pela revista online Indiewire. 