
Ainda Shutter Island...
"Scorsese elaborou um pequeno currículo de "filmes recomendados". Mark Ruffalo, que interpreta o detective que faz equipa com a personagem de Leonardo di Caprio, revela aos jornalistas presentes que, antes do início da rodagem e dos ensaios, "[recebeu] um embrulho do Marty com um documentário chamado ‘Titicut Follies'" - o célebre (e infame) documentário de 1967 de Frederick Wiseman sobre um hospital psiquiátrico do Massachusetts, que serviu, segundo o actor, como "ponto de referência" directo da cenografia de Dante Ferretti e do ambiente que se vive no hospital onde "Shutter Island" decorre. "Vimos ainda um documentário de John Ford que mostrava soldados a regressarem da II Guerra completamente destruídos, e ainda filmes negros como ‘Laura' [Otto Preminger, 1944] e ‘O Arrependido' [Jacques Tourneur, 1947], ao qual aliás fomos buscar uma série de diálogos que depois acabaram por não entrar no filme. De um lado, tínhamos o artifício destes filmes negros totalmente estilizados, e do outro a realidade social." "

O que Martin Scorsese consegue fazer com o seu último filme, é mais uma prova da sua enorme mestria (e cinéfilia) cinematográfica. Pegando num guião engenhoso, mas com uma primeira parte banal, Scorsese assina com Shutter Island, um dos seus filmes mais labirínticos e perturbadores. Esta história de uma dupla de detectives que buscam um paciente mental desaparecido de um asilo de loucos, poderia descambar para um daqueles corriqueiros thrillers, onde o mistério e os clichés abundam. Nas mãos do mestre, esta matéria prima é elevada e dirigida para as suas temáticas predilectas. E o que é admirável, é vêr todos os temas da sua carreira lá bem vincados e complementando a narrativa de Shutter Island. A paranóia de Raging Bull e Goodfellas, a loucura de 

















