






"Some people might applaud that somebody [in the film] is caught in the morning and judged in the afternoon and killed in the evening. But I think what Starship Troopers tries to do, perhaps a little too clearly in a couple of cases with the uniforms, it's saying, "Are you aware that this is also a little bit happening in your own society? And perhaps in a way that's not so obvious to you."
Paul Verhoeven
"Olegário Benquerença é uma má escolha. O Benfica tem muitas más memórias desse senhor. Até tem uma pose engraçada no campo, mas é muito vaidoso, intervém sempre quando não deve e chama constantemente a atenção para si. Gosta de se ver e não é um árbitro discreto. E o jogo é muito mais importante do que o árbitro. É um juiz para fazer compensações. O sonho dele é que fique tudo empatado para servir o ‘grande Norte’. E já agora: que se vista de preto e não de amarelo."




“Ele filma coisas negras, infelizes, drogados etc., mas tem um modo de filmar muito correto. Gosto dele. Ele até disse uma vez: “Manoel filma os ricos, e eu, os pobres’. Eu disse: “Não filmo os ricos. Filmo as almas. As almas tanto são pobres como ricas." 
FESTIVAL DE CINEMA DE BERLIM 11-02-2009

ROSANA




Passa por este épico policial uma onda de fúria, desespero, obsessão e tragédia, na figura de um Mickey Rourke num dos grandes papéis da sua vida. O seu torturado capitão Stanley White, é um dos personagens mais politicamente incorrectos de que há memória na história do cinema. Ele é racista, misógino e obcecado na sua cruzada contra a máfia chinesa. Graças a isso, White quase destrói todos os que estão à sua volta. Ele é claramente um personagem à margem, que leva a sua obsessão por justiça longe demais, com consequências trágicas e irreparáveis. Com a assinatura do oscarizado (e ostracizado) Michael Cimino, este filme é um dos grandes momentos do cinema dos anos 80. Com um argumento implacável escrito a meias com Oliver Stone, Cimino tentou com Year of The Dragon recuperar do desastre financeiro de Heavens Gate. Como curiosidade, Stone e Cimino chegaram a infiltrar-se nas tríades de Chinatown, para desta forma conferir autenticidade ao guião. Apesar dos resultados comerciais mais uma vez não terem sido famosos (e com acusações de racismo pelo meio) a mão de Cimino é magistral tanto na encenação da acção como no desenvolvimento dos personagens. Rourke e John Lone, degladiam-se de forma selvagem e sanguinária num choque de leis e de culturas. Nunca o cinema policial chegou tão alto como aqui. É um dos filmes essenciais na minha vida e isso deve-se ao trio Cimino, Stone e Rourke. Em suma, é uma obra-prima que carece de reavaliação crítica o quanto antes.
Ron Howard não é conhecido por assinar obras complexas, ou por têr uma abordagem original ou arrojada nos seus trabalhos. No seu curriculum constam algumas charopadas académicas, como Far and Away, Ranson, Apolo 13 ou The Da Vinci Code. Ou seja o bom Ron apenas se destacava como um tarefeiro competente, que de vez em quando la assinava um bom filme se bem que contaminado com muito melodrama básico. Neste lote inserem-se obras como A Beatifull Mind, Backdraft ou Cocoon. Ora bem, o motivo pelo qual comecei por abordar o curriculum deste razoável realizador, é porque muito simplesmente, Frost/Nixon é apenas e só o melhor filme da sua carreira. Nele há finalmente a mão de um director de actores seguro, em que a primazia é dada a um magnífico argumento de Peter Morgan (The Queen), onde o realizador consegue fugir constantemente das armadilhas dos clichés (algo inédito em Howard) e onde um duo de poderosos actores se degladiam e enchem este filme, a espaços fascinante.
Se é verdade que Frank Langella, já merecia à muito um papel deste calibre, também é verdade que Michael Sheen lhe dá uma boa réplica. Enquanto o Nixon de Langella é cativante e ambíguo, o Frost de Sheen é a início patético, mas acabando por revelar uma dignidade e resolução inesperadas, mas perfeitamente verosímeis. Ambos os actores conseguem com nuances e muito talento, transmitir uma tocante humanidade e fragilidade (em especial Langella). Interessante é tambem a forma como o realizador consegue estabelecer um improvável paralelismo e identificação entre estes dois persongens, de forma hábil e dramaticamente coerente . Destaque nos secundários para o grande Oliver Platt (a sua caricatura de Nixon é hilariante), para um irreconhecível Sam Rockwell e para um surpreendente Kevin Bacon.
Frost/ Nixon além de têr 4 merecidas nomeações para os Oscars deste ano (Filme, Realizador, Actor e Montagem) é o complemento perfeito para esse outro grande filme sobre o presidente americano, Nixon de Oliver Stone. E o Nixon de Frank Langella não deve nada ao Nixon de Anthony Hopkins, o que já quer dizer muito!

Numa noite de galardões, discursos e glamour, eis a mais justa distinção e o único prémio que me apetece destacar : MICKEY ROURKE Melhor Actor por The Wrestler! Grande Mickey! Dá-lhe! Agora só páras nos Oscars!Injusto!
Como é possivel a complexa e assombrosa interpretação de Philip Seymour Hoffman em "Before The Devil Knows You´re Dead" não se encontrar sequer entre os nomeados?
Alexander Payne, revela-se a cada filme que faz, um dos grandes cineastas especialistas na comédia dramática. É neste momento a par de Wes Anderson ou Paul Thomas Anderson, a grande certeza da nova vaga do cinema norte-americano. Os personagens de Payne, são homens de meia-idade que ultrapassados e esmagados por um tempo perdido, têm que descobrir em si mesmos uma forma de retomar a vida e ultrupassar o fracasso(About Schmidt e Election). É esse o caso de Miles (brilhante Giamati) que após um traumático divorcio e uma carreira de escritor que teima em não arrancar, viaja com o seu amigo prestes a casar (Hayden Church), numa odisseia de jantares, mulheres e bons vinhos. O guião de Payne é genial, transmitindo a amargura e a sensibilidade destes personagens tão especiais, utilizando por exemplo de forma particularmente astuta as metáforas sobre vinhos, que Miles tanto aprecia, para nos revelar o interior dos seus personagens (a analogia do Pinot Noir). E depois temos Paul Giamati, o mais improvável dos heróis românticos, que consegue tornar o seu Miles num personagem pelo qual nutrimos uma enorme simpatia e que transmite-nos momentos tocantes sem nunca cair em sentimentalismos. Com personagens memoráveis, um guião brilhante e uma realização segura, Sideways é um dos grandes filmes da colheita de 2004, para degustar e saborear vezes sem conta, tal como um bom vinho.