quinta-feira, outubro 08, 2009

The Hurt Locker (2009)

de Kathryn Bigellow

E quando eu menos esperava... BOOM! Finalmente um estrondo de filme! Até agora a guerra do Iraque tinha ficado palidamente retratada pela 7ª arte. Filmes como The 3 Kings, Redacted ou In The Valley of Ellah, constituiram nobres, mas pálidos esforços. Teve de ser uma mulher a perceber a sede de guerra dos homens. A mulher é nem mais nem menos que a ex Mrs. James Cameron, de seu nome Kathryn Bigellow. Arrisco dizer que Bigellow é a melhor realizadora a trabalhar nos EUA. A sua carreira indica uma coragem temática e formal que está ao alcance de poucos cineastas. E em The Hurth Locker, Bigellow chega ao coração da guerra. Essa coração é feito de perigo, camaradagem, medo, paranoia, rituais, violencia, morte e exitação. E é no personagem do sargento interpretado por Jeremy Renner (atenção a este senhor), que a realizadora revela a sua peculiar e astuta abordagem à loucura da guerra. Renner assina um personagem que por detrás de um heroísmo kamikaze, esconde um lado ambíguo e traumatizado, mas que acaba por ceder à adrenalina de desafiar a morte. E depois temos aqueles 5 minutos finais, que sem dizerem nada, dizem tudo o que ha para dizer, resumindo de forma brilhante e inesperada, toda a temática de The Hurt Locker. Para mim um dos grandes filmes do ano.

terça-feira, setembro 15, 2009

So long Patrick

1952-2009
* na foto, a pousar como o surfista assaltante de bancos Bodhi, um dos seus grandes papeis e um dos seus melhores filmes: o poderoso e vertiginoso Point Break

É hoje!


A apresentação do filme "Arena", Palma D'Ouro Cannes 2009, que se vai dar dia 15 de Setembro no Bairro da Flamenga às 21h30m. Aguardo com muita expectativa o visionamento desta "nossa" Palma de Ouro.

quarta-feira, setembro 02, 2009

quinta-feira, agosto 13, 2009

Public Enemies (2009)


de Michael Mann

Pelo trailer parecia que Michael Mann iria levar-nos de regresso às temáticas e à mestria cinematográfica da sua obra-prima, o incontornável Heat. Puro engano. Em comum com essa película temos a história de um brilhante ladrão de bancos, que é perseguido implacavelmente por um obcecado agente da lei. E apesar dos parelelismos com Heat, Public Enemies, não se aproxima sequer da poesia ou do furor desse filme. Depp e Bale estão a léguas de distância de Pacino e De Niro. E perdoem-me os puristas, mas aqui, acho que Mann levou a secura longe demais. Na sua inecessante busca pelo realismo e autenticidade, Mann esqueceu-se de fugir aos lugares comuns que por vezes estão presentes na realidade. E isso num filme de género como é este, pode ser um erro. O que procuramos quando pagamos um bilhete e ficamos durante 2h30m numa sala de cinema, é a surpresa, o sublime ou a emoção. E a emoção, aqui só está presente a espaços. Destaque para cenas muito bem conseguidas como a “tortura” de Marianne Coultiard, ou a reação de Bale à desumanização da sua polícia. Mas fora isso, o que temos é Mann a caminhar território familiar, com tiroteios, romance e violência, mas que inesperadamente, em Public Enemies soa a deja vu.

Alem de Bale e Coultiard, Johnny Depp está seguro, mas com um personagem demasiado enigmático. Voltando a Heat, o anti-heroi que era o Neil McCaulley de De Niro tambem tinha motivos obscuros e uma presença fria. Mas aí De Niro e Mann conseguiram fazer-nos sentir (quase subliminarmente) toda a emoção e humanidade reprimida daquele personagem. Em Public Enemies, nunca há essa emoção. Mann está mais fascinado com a ideia de celebridade de um criminoso, do que propriamente com os seus conflitos interiores ou aspirações. E se no campo técnico o filme é irrepreensivel (aqui Mann não sabe falhar), a fotografia apesar de boa, nunca chega a níveis brilhantes. Destaque para o imenso cast (Stephern Dorff, Billy Cudrup, Giovanni Ribisi, James Russo) que não tem material para criar personagens de carne e osso e se limita a dar as suas deixas. As três estrelas são para a ousadia digital da fotografia, a reconstituição histórica, as interpretações seguras e para alguns bons momentos de Mann. Mas no conjunto da sua obra, não hesito em afirmar: para mim este é um filme menor de um grande cineasta.

domingo, agosto 09, 2009

terça-feira, julho 07, 2009

segunda-feira, julho 06, 2009

The Hurt Locker - Trailer

Um dos filmes que mais aguardo este ano. A senhora que assina a realização é a grande Kathryn Bigellow, autora de filmes como Strange Days ou Point Break.

domingo, julho 05, 2009

Tropic Thunder (2008)


de Ben Stiller


Sátira ácida aos clichés dos filmes de guerra, assim como caricatura aos caprichos das estrelas de Hollywood, Tropic Thunder é uma das grandes comédias de 2008. Ben Stiller nos comandos da realização, assina uma obra delirante e excessiva, onde um grupo de actores se vê perdido em plena selva tailandesa enfrentando as situações com que se deparam, julgando fazerem parte do filme que supostamente estariam a rodar. Do realizador lunático, à estrela do "método", do heroi de acção imbecil, à vedeta de comédias flatulentas, do produtor tirânico e violento ao agente obcecado com os caprichos da sua estrela, toda a Hollywood é ridicularizada. O casting é a todos os niveis, brilhante e hilariante. Jack Black, Robert Downey Jr, Ben Stiller, Nick Nolte, Matthew McConaughey e Tom Cruise, assinam personagens desarmantes e caricaturais que expoem ao ridiculo, todas os tiques e cliches dos bastidores do cinema blockbuster. Por vezes o realizador força o tom em algumas cenas (alguma violencia excessiva que parece deslocada), mas as reações e diálogos dos seus personagens, são tão absurdos e dementes que qualquer erro de percurso é rapidamente esquecido. Em suma não é uma obra-prima, mas Tropic Thunder é a garantia de muita gargalhada e boa disposição. E atenção ao genérico final: Tom Cruise como nunca o imaginaram...

sexta-feira, julho 03, 2009

quinta-feira, julho 02, 2009

Tiros no Pé - Francis Ford Coppola



THE GODFATHER - PART III

Um dos mais premiados, respeitados e apreciados realizadores de sempre, Francis Ford Coppola é daqueles génios a que os cinéfilos de todo o mundo veneram apaixonadamente (onde eu me incluo). Mas isso não quer dizer que por vezes ele não perca o norte. E esse é o caso da III parte de The Godfather. Concebido e executado sem chama nem paixão, este andamento final de uma das mais belas sagas da história do cinema, peca pela total ausencia de ideias. Mario Puzo e Coppola cozinharam um guião que rouba de forma descarada, as ideias dos dois filmes anteriores, procurando desta forma cínica, incutir algum interesse ao espectador. O resultado é tão desastroso que nem Al Pacino se salva nesta sequela totalmente dispensavel. Se nos primeiros filmes, Pacino assinava duas das mais brilhantes interpretações da 7ª arte (especialmente no segundo filme), aqui o grande actor, entra num registo arrastado e cabotino, sem intensidade dramática ou vigor emocional. E depois o que dizer de um dos piores castings da história do cinema: de seu nome Sofia Coppola. Sim a agora respeitavel realizadora, é responsavel pelos momentos mais constrangedores desta obra. O seu casting foi claramente um caso de favorecimento familiar, o que demonstra a falta de empenho do realizador nesta obra. Justificações? Talvez o facto de o senhor Coppola ter apostado em recuperar comercialmente dos desastres financeiros de Cotton Club e desse tão esquecido Tucker, mandando a parte artistica do filme às favas. O resultado foi uma realização em piloto automático, más interpretações, guião pobre e o encerrar da pior maneira maneira a saga dos Corleone. O que vale é que a redenção estava perto. E ela chegou com Bram's Stoker Dracula.
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O TIRO FATAL - todas as cenas com Sofia Coppola.

quarta-feira, julho 01, 2009

High Fidelity (2000)

de Stephen Frears



Filmes da Minha Vida - XV

Mais que uma simples comédia romântica (que tambem o é) High Fidelity é um brilhante e hilariante estudo à psique masculina, aos seus comportamentos, inadequações e obcessões relativamente ao sexo oposto. Não era fácil adaptar um livro tão único como aquele que Nick Hornby escreveu. Mas High Fidelity é daqueles rarissimos casos, em que o filme é tão bom quanto o livro. Isso deve-se ao magnífico trio de ases: Stephen Frears, John Cusack e Jack Black. Se Frears consegue respeitar o genial e irreverente espirito do livro, assim como incutir soluções visuais (os delirios de Rob) e narrativas (as confissões para a camara) inspiradas e inesperadas, John Cusack é a incarnação perfeita do anti-heroi romântico obcecado por pop-rock e relações falhadas. O Rob de Cusack é um poço de contradições: chauvinista, vulnerável, sensivel e egoista. Ou seja um grande personagem. Divertido, inesperado, comovente e sincero High fidelity é daqueles filmes que me são profundamente pessoais e que devo ja ter visto umas 10 vezes (o livro vai na 5ª releitura). Tal como uma boa canção, é um filme a que se volta com um prazer constantemente renovado.

quarta-feira, junho 24, 2009

Welcome back Sam!

Drag Me To Hell assinala o regresso de Sam Raimi ao género de terror macabro e alucinante que o celebrizou nos anos 80. Estava a ver que o homem não despegava das imbecilidades lucrativas e cheias de teias a que se tinha vindo a dedicar na ultima década. Afinal o homem voltou à boa forma e o trailer promete. Welcome back Sam!

quinta-feira, junho 18, 2009

Shutter Island - Trailer

E pelo trailer o filme promete trazer-nos de volta aquele Scorsese em alta voltagem. Palpita-me que sera um dos grandes filmes do ano ...

Agora falem mal de Miami Vice.

E já agora, falem mal do grande actor que era Don Johnson, falem mal da excelente música dos Godley Creme ou falem mal do magnifico setting que são as praias de Miami. Esta cena é cortesia de um senhor enorme que infelizmente não conseguiu traduzir cinematograficamente todo o potencial de uma das melhores series de Tv de sempre. O nome do senhor em questão consta no final da cena, como produtor executivo, mas nesta série ele foi muito mais que isso. E volto a dizer: O Don era um actor do caralho! Não é para qualquer um, conseguir transmitir todas as emoções que ele transmite e sem dizer uma palavra. É obra!


segunda-feira, junho 15, 2009

Tiros no Pé - Steven Spielberg

Com esta rubrica, irei procurar abordar e falar um pouco daqueles filmes malditos, que fazem os seus autores corarem de vergonha tal o desnorte e os desastrosos resultados das películas em causa. Para começar aqui fica o maior barrete que apanhei o ano passado, cortesia de Steven Spielberg.

Indiana Jones And The Kingdom of The Crystal Skull

Tentativa descarada para rentabilizar financeiramente as aventuras deste herói querido por todos os amantes do bom cinema. Este Kristal Skull é apenas o mais imbecil e descaracterizado filme da carreira deste grande cineasta. Do guião ridículo, ao CGI espatafurdio e aberrante, passando pelo mais completo desgoverno de personagens em piloto automático, nada parece funcionar nesta sequela completamente dispensável. Este será para mim, o pior momento de um cineasta a todos os níveis sublime. Esperemos que Tintin o reabilite, pois Spielberg ficou muito mal neste retrato digital sobre um herói analógico, que merecia ter sido mais bem tratado.

O tiro fatal – o final completamente disparatado e a tresandar a falta de ideias

White Hunter Black Heart (1990)

de Clint Eastwood


Este esquecido mas belíssimo filme de 1990, assinalou o terceiro passo de Clint Eastwood em se afastar de um cinema mais comercial, para poder abordar obras mais pessoais e por consequencia com um maior fulgor artístico. Antes tinha havido essa obra prima tão injustamente ignorada de seu nome Honkytonk Man (1982) e o galardoado Bird (1988) E diga-se desde já, que White Hunter Black Heart, figura sem problemas na lista de filmes maiores deste enorme autor americano. Esta história sobre um realizador de cinema (inspirado em John Huston) que está mais interessado em “cometer o pecado” de matar um elefante, em detrimento de iniciar a rodagem do seu filme, está recheada de momentos que apenas Clint Eastwood consegue nos oferecer. Sejam as magníficas e hilariantes sequências cómicas (a cena com a simpatizante nazi, ou a sessão de pugilismo com o gerente do hotel), ou então com um tom mais negro e soturno, que viria a marcar a sua obra posterior e que daria início à sua consagração enquanto cineasta. Esse negrume e complexidade manifesta-se aqui num dos finais mais dolorosos e comoventes na obra de Eastwood. Essa sequência final é o culminar natural da odisseia (interior) de um personagem extremamente complexo e contraditório, que fecha esta película dando início ao seu filme (dentro do filme) com aquela palavra sussurrada e torturada e com o subtexto de uma tragédia que ficou para trás: a palavra acção.

sábado, junho 13, 2009

segunda-feira, maio 25, 2009

domingo, maio 24, 2009

Palma de Ouro portuguesa!


NOTA DO REALIZADOR JOÃO SALAVIZA
"Mais do que captar as transformações de um lugar, interessa-me a tensão dos momentos em que nada se altera. O protagonista de “Arena” está confinado a um espaço e a um tempo limitados. Ao filmar o Mauro em prisão domiciliária confrontei-me com a condição de um homem que não tem para onde ir. Segui esta ideia, desde o guião até à montagem. O princípio de que os planos não se antecipam às deambulações do protagonista, nem lhe sugere caminhos que ele, simplesmente, não pode ver.É justo para alguém que vive com grades nas janelas de casa, e que está secretamente à espera que as coisas mudem por si."

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