Ron Howard não é conhecido por assinar obras complexas, ou por têr uma abordagem original ou arrojada nos seus trabalhos. No seu curriculum constam algumas charopadas académicas, como Far and Away, Ranson, Apolo 13 ou The Da Vinci Code. Ou seja o bom Ron apenas se destacava como um tarefeiro competente, que de vez em quando la assinava um bom filme se bem que contaminado com muito melodrama básico. Neste lote inserem-se obras como A Beatifull Mind, Backdraft ou Cocoon. Ora bem, o motivo pelo qual comecei por abordar o curriculum deste razoável realizador, é porque muito simplesmente, Frost/Nixon é apenas e só o melhor filme da sua carreira. Nele há finalmente a mão de um director de actores seguro, em que a primazia é dada a um magnífico argumento de Peter Morgan (The Queen), onde o realizador consegue fugir constantemente das armadilhas dos clichés (algo inédito em Howard) e onde um duo de poderosos actores se degladiam e enchem este filme, a espaços fascinante.
Se é verdade que Frank Langella, já merecia à muito um papel deste calibre, também é verdade que Michael Sheen lhe dá uma boa réplica. Enquanto o Nixon de Langella é cativante e ambíguo, o Frost de Sheen é a início patético, mas acabando por revelar uma dignidade e resolução inesperadas, mas perfeitamente verosímeis. Ambos os actores conseguem com nuances e muito talento, transmitir uma tocante humanidade e fragilidade (em especial Langella). Interessante é tambem a forma como o realizador consegue estabelecer um improvável paralelismo e identificação entre estes dois persongens, de forma hábil e dramaticamente coerente . Destaque nos secundários para o grande Oliver Platt (a sua caricatura de Nixon é hilariante), para um irreconhecível Sam Rockwell e para um surpreendente Kevin Bacon.
Frost/ Nixon além de têr 4 merecidas nomeações para os Oscars deste ano (Filme, Realizador, Actor e Montagem) é o complemento perfeito para esse outro grande filme sobre o presidente americano, Nixon de Oliver Stone. E o Nixon de Frank Langella não deve nada ao Nixon de Anthony Hopkins, o que já quer dizer muito!










Tropa de Elite
Antes que o Diabo Saiba que Morreste
Nome de Código: Cloverfield
The Lovebirds










Vencedor surpresa do ultimo Festival de Berlim, Tropa de Elite é mais uma prova da imensa vitalidade do cinema brasileiro actual. Controversa e polémica, esta magnífica obra foi acusada injustamente de fascista, uma vez que o retrato que faz dos BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) não os condena e observa com justeza as suas acções. A polémica foi tal, que o seu realizador, José Padilha, teve de vir a público defender-se: “Acreditar que eu apoio as práticas do BOPE por ter feito Tropa de Elite faz tanto sentido quanto acusar Francis Ford Coppola de ligações com a Máfia por ter dirigido O Padrinho.” E polémicas à parte, Tropa de Elite tem a grande virtude de recusar facilitismos ou maniqueísmos. Tanto criminosos como policias, caem numa espiral de violência sem limite e ambos os lados são condenáveis. A cena final é uma das mais brutais e nilistas do cinema dos últimos anos e nela esta a chave para a ambiguidade da “mensagem” de Padilha. Ou seja, numa guerra não se fazem prisioneiros, e é de uma guerra que se trata, quando o tema é o combate à criminalidade brasileira. Filmado com uma estética realista e crua, Tropa de Elite tem também uma memória cinéfila, pois está recheado de referências filmicas, com um especial destaque para Full Metal Jacket de Kubrick. De louvar ainda o trabalho intenso de Wagner Moura, que compõe um capitão do BOPE torturado e complexo, numa interpretação verdadeiramente arrepiante. Depois do sucesso estrondoso de A Cidade De Deus, Tropa de Elite é mais uma prova da excelência e pertinência do cinema brasileiro e não me admirava que também fosse nomeado para os Oscars. Um dos grandes filmes do ano que passou e um exemplo que o cinema português poderia seguir. 




Desilusão, é a palavra que me vem constantemente à cabeça sempre que penso neste W. Infelizmente, Oliver Stone apesar de continuar com um bom ritmo narrativo, perde-se na vida incompreendida que é a da George W. Bush. No seu excesso de zelo para fazer um retrato justo do homem, o cineasta omite e ignora acontecimentos fulcrais para compreender um dos mais mal amados presidentes da história dos EUA. Nunca percebemos quem é este básico homem que é retratado. Talvez fosse a intenção do realizador apresentar-nos o retrato de um coitado que apesar de um imenso complexo de inferioridade e de uma grande dose de ingenuidade, consegue virar a sua vida do avesso e conquistar o seu lugar na cadeira do homem mais poderoso do mundo. O problema, é que essa transição não é clara e é algo forçada dentro do contexto do filme. No seu excesso de subtileza (algo que fica mal a Stone) e recurso a constantes elipses, não é nos é perceptível como a personagem de W. conseguiu descobrir a força interior para assumir-se como o lider de uma nação. Destaque para a interpretação de Josh Brollin que apesar das limitações de um guião anémico, consegue transmitir carisma e presença para compôr um personagem limitado no papel. A haver alguma inspiração, ela surge tardiamente numa magnífica cena final, onde um confuso W. não consegue apanhar aquela bola no ar. Um pouco como o realizador, que com este filme dá o seu segundo tiro ao lado depois do anémico WTC.



O Pai (1987)

O Pai (1994)
A Mãe (1995)

O Pai (2008)