sexta-feira, julho 03, 2009

quinta-feira, julho 02, 2009

Tiros no Pé - Francis Ford Coppola



THE GODFATHER - PART III

Um dos mais premiados, respeitados e apreciados realizadores de sempre, Francis Ford Coppola é daqueles génios a que os cinéfilos de todo o mundo veneram apaixonadamente (onde eu me incluo). Mas isso não quer dizer que por vezes ele não perca o norte. E esse é o caso da III parte de The Godfather. Concebido e executado sem chama nem paixão, este andamento final de uma das mais belas sagas da história do cinema, peca pela total ausencia de ideias. Mario Puzo e Coppola cozinharam um guião que rouba de forma descarada, as ideias dos dois filmes anteriores, procurando desta forma cínica, incutir algum interesse ao espectador. O resultado é tão desastroso que nem Al Pacino se salva nesta sequela totalmente dispensavel. Se nos primeiros filmes, Pacino assinava duas das mais brilhantes interpretações da 7ª arte (especialmente no segundo filme), aqui o grande actor, entra num registo arrastado e cabotino, sem intensidade dramática ou vigor emocional. E depois o que dizer de um dos piores castings da história do cinema: de seu nome Sofia Coppola. Sim a agora respeitavel realizadora, é responsavel pelos momentos mais constrangedores desta obra. O seu casting foi claramente um caso de favorecimento familiar, o que demonstra a falta de empenho do realizador nesta obra. Justificações? Talvez o facto de o senhor Coppola ter apostado em recuperar comercialmente dos desastres financeiros de Cotton Club e desse tão esquecido Tucker, mandando a parte artistica do filme às favas. O resultado foi uma realização em piloto automático, más interpretações, guião pobre e o encerrar da pior maneira maneira a saga dos Corleone. O que vale é que a redenção estava perto. E ela chegou com Bram's Stoker Dracula.
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O TIRO FATAL - todas as cenas com Sofia Coppola.

quarta-feira, julho 01, 2009

High Fidelity (2000)

de Stephen Frears



Filmes da Minha Vida - XV

Mais que uma simples comédia romântica (que tambem o é) High Fidelity é um brilhante e hilariante estudo à psique masculina, aos seus comportamentos, inadequações e obcessões relativamente ao sexo oposto. Não era fácil adaptar um livro tão único como aquele que Nick Hornby escreveu. Mas High Fidelity é daqueles rarissimos casos, em que o filme é tão bom quanto o livro. Isso deve-se ao magnífico trio de ases: Stephen Frears, John Cusack e Jack Black. Se Frears consegue respeitar o genial e irreverente espirito do livro, assim como incutir soluções visuais (os delirios de Rob) e narrativas (as confissões para a camara) inspiradas e inesperadas, John Cusack é a incarnação perfeita do anti-heroi romântico obcecado por pop-rock e relações falhadas. O Rob de Cusack é um poço de contradições: chauvinista, vulnerável, sensivel e egoista. Ou seja um grande personagem. Divertido, inesperado, comovente e sincero High fidelity é daqueles filmes que me são profundamente pessoais e que devo ja ter visto umas 10 vezes (o livro vai na 5ª releitura). Tal como uma boa canção, é um filme a que se volta com um prazer constantemente renovado.

quarta-feira, junho 24, 2009

Welcome back Sam!

Drag Me To Hell assinala o regresso de Sam Raimi ao género de terror macabro e alucinante que o celebrizou nos anos 80. Estava a ver que o homem não despegava das imbecilidades lucrativas e cheias de teias a que se tinha vindo a dedicar na ultima década. Afinal o homem voltou à boa forma e o trailer promete. Welcome back Sam!

quinta-feira, junho 18, 2009

Shutter Island - Trailer

E pelo trailer o filme promete trazer-nos de volta aquele Scorsese em alta voltagem. Palpita-me que sera um dos grandes filmes do ano ...

Agora falem mal de Miami Vice.

E já agora, falem mal do grande actor que era Don Johnson, falem mal da excelente música dos Godley Creme ou falem mal do magnifico setting que são as praias de Miami. Esta cena é cortesia de um senhor enorme que infelizmente não conseguiu traduzir cinematograficamente todo o potencial de uma das melhores series de Tv de sempre. O nome do senhor em questão consta no final da cena, como produtor executivo, mas nesta série ele foi muito mais que isso. E volto a dizer: O Don era um actor do caralho! Não é para qualquer um, conseguir transmitir todas as emoções que ele transmite e sem dizer uma palavra. É obra!


segunda-feira, junho 15, 2009

Tiros no Pé - Steven Spielberg

Com esta rubrica, irei procurar abordar e falar um pouco daqueles filmes malditos, que fazem os seus autores corarem de vergonha tal o desnorte e os desastrosos resultados das películas em causa. Para começar aqui fica o maior barrete que apanhei o ano passado, cortesia de Steven Spielberg.

Indiana Jones And The Kingdom of The Crystal Skull

Tentativa descarada para rentabilizar financeiramente as aventuras deste herói querido por todos os amantes do bom cinema. Este Kristal Skull é apenas o mais imbecil e descaracterizado filme da carreira deste grande cineasta. Do guião ridículo, ao CGI espatafurdio e aberrante, passando pelo mais completo desgoverno de personagens em piloto automático, nada parece funcionar nesta sequela completamente dispensável. Este será para mim, o pior momento de um cineasta a todos os níveis sublime. Esperemos que Tintin o reabilite, pois Spielberg ficou muito mal neste retrato digital sobre um herói analógico, que merecia ter sido mais bem tratado.

O tiro fatal – o final completamente disparatado e a tresandar a falta de ideias

White Hunter Black Heart (1990)

de Clint Eastwood


Este esquecido mas belíssimo filme de 1990, assinalou o terceiro passo de Clint Eastwood em se afastar de um cinema mais comercial, para poder abordar obras mais pessoais e por consequencia com um maior fulgor artístico. Antes tinha havido essa obra prima tão injustamente ignorada de seu nome Honkytonk Man (1982) e o galardoado Bird (1988) E diga-se desde já, que White Hunter Black Heart, figura sem problemas na lista de filmes maiores deste enorme autor americano. Esta história sobre um realizador de cinema (inspirado em John Huston) que está mais interessado em “cometer o pecado” de matar um elefante, em detrimento de iniciar a rodagem do seu filme, está recheada de momentos que apenas Clint Eastwood consegue nos oferecer. Sejam as magníficas e hilariantes sequências cómicas (a cena com a simpatizante nazi, ou a sessão de pugilismo com o gerente do hotel), ou então com um tom mais negro e soturno, que viria a marcar a sua obra posterior e que daria início à sua consagração enquanto cineasta. Esse negrume e complexidade manifesta-se aqui num dos finais mais dolorosos e comoventes na obra de Eastwood. Essa sequência final é o culminar natural da odisseia (interior) de um personagem extremamente complexo e contraditório, que fecha esta película dando início ao seu filme (dentro do filme) com aquela palavra sussurrada e torturada e com o subtexto de uma tragédia que ficou para trás: a palavra acção.

sábado, junho 13, 2009

segunda-feira, maio 25, 2009

domingo, maio 24, 2009

Palma de Ouro portuguesa!


NOTA DO REALIZADOR JOÃO SALAVIZA
"Mais do que captar as transformações de um lugar, interessa-me a tensão dos momentos em que nada se altera. O protagonista de “Arena” está confinado a um espaço e a um tempo limitados. Ao filmar o Mauro em prisão domiciliária confrontei-me com a condição de um homem que não tem para onde ir. Segui esta ideia, desde o guião até à montagem. O princípio de que os planos não se antecipam às deambulações do protagonista, nem lhe sugere caminhos que ele, simplesmente, não pode ver.É justo para alguém que vive com grades nas janelas de casa, e que está secretamente à espera que as coisas mudem por si."

sexta-feira, maio 22, 2009

Hilariante e incorrecto


*Salvador é mesmo o melhor Stone e um dos grandes filmes da história do cinema. E mai nada!


- You said Guatemala, man,not El Salvador. Come on, I've never beenout of the country. They kill people here, Boyle.
- You believe everything in the papers? You'll love it here. Give me the joint.This is my last chance, man.I'm serious. If I can get some good combatshots for AP, I can make some money. I could pay you back.
-Better pay me back.
-We'll head for La Libertad...the best surfing beachin the world.Good times, kick back for a fewmonths. It'll be fantastic.You could live in this country for bucks a year.
- What the fuck is this?
- Mace.
- Mace? For what?
- Wild dogs.
- Yeah, wild dogs? That's bullshit.You've lied to me straight through.
- Want me to be honest with you?
- What are you doing with all these?
- Here you could have a life.
- What are all these?
- They come in handy.
- You're gonna love it here, Doc.
- I'm going home, man.
- You can drive drunk...and get anybody killed for 10$ .
- I don't want to.
- The best pussy in the world.Where else can you get a virginto sit on your face for seven bucks? Seven bucks.
- It better be the best pussyin the world...or I'm going home.
- Two virgins for twelve.
- You're just lucky I'm fucked up,you know that?
- Drugs? No prescriptions. They gotstuff that keeps you hard all night. All these people want to do is fuck.
- Twelve bucks? I think we can get them down.
- Now you're talking.
- You're such an asshole, Boyle.
- You're gonna love this place.You're gonna be in pig heaven, man.

quinta-feira, maio 21, 2009

Um grande Senhor

R.I.P.
João Bénard da Costa
1935-2009

Aproveito para deixar um excerto de uma das suas (muitas) brilhantes e apaixonadas análises. Neste caso acerca de Casino de Scorsese. A sua escrita revela um conhecimento e uma perspicácia cinéfila, apenas ao alcance de um grande senhor.

"Prodigiosa colagem musical, prodigiosa vertigem musical, a banda sonora segue, no vórtice e no vértice, o não menos prodigioso barroquismo da narração e das imagens, com o mesmo fôlego e a mesma dispersão. Porque Casino é um filme disperso, um filme gastador, que enche as margens (os mil e um episódios, aparentemente secundários, que podiam dar mil e um filmes diversos) para desnudar o centro, o centro trágico que é praticamente resumido na frase inicial e na presença-ausência do personagem de L.Q.Jones. E talvez não haja muitos exemplos de absolutismo trágico para pôr ao lado de duas sequências como a da morte de Nick, depois de ver matar o irmão, ou a do corredor do hotel, onde Sharon Stone, penteada à Simone Signoret, esbanjou os milhões de dólares até à última overdose. Uma (a da morte de Pesci) em ruído e fúria, excessiva e operática. A outra (a que nos fala da morte de Sharon Stone) em silêncio e vazio, minimal e surda.Se, um dia, alguém quiser saber como foram os anos 60 e 70, The Last Waltz de Scorsese diz-lhe tudo. Se, um dia, alguém quiser saber como foram os anos 70 e 90, Casino de Scorsese diz-lhe tudo."

quinta-feira, maio 14, 2009

A propósito da crise financeira

Além de sêr um dos mais belos filmes da história do cinema, The Grapes of Wrath é um fortíssimo manifesto anticapitalista e um acto de denúncia social poderoso, que era actual em 1940 e é actual agora. John Ford mostra o lado humano de uma crise económica, com a sua família Joad à deriva pela América, em busca de uma oportunidade que lhe é recusada por uma sociedade corrupta, viciada e desprovida de humanidade. Nunca um filme retratou tão fielmente o que é sêr pobre e o estar perante a ausência de opções para sobreviver. Ford foi o último dos humanistas, um ferveroso crente do sonho americano e um cineasta intemporal que assinou alguns dos mais belos filmes de sempre. E este The Grapes of Wrath, 69 anos depois continua actualíssimo. É obra!

quarta-feira, maio 13, 2009

Fort Apache (1948)

de John Ford


Mais que uma simples cowboiada de luta entre os bons (os soldados) e os maus (os índios) Forte Apache foi dos primeiros filmes a revelar uma visão justa e humana do problema índio. E quem mais senão John Ford, para trazer a à baila essa complexidade, através da dramatização de um personagem complexo e contraditório como o militar interpretado brilhantemente por Henry Fonda (aqui longe dos seus heróis impolutos). O seu coronel Thursday é um homem obcecado com a disciplina militar e com uma ideia de glória bélica, tremendamente ambicioso e perigosamente cego para a realidade que o rodeia a ele e aos seus homens. A espaços Thursday fez-me lembrar Ethan Edwards, na sua busca cega e intolerante. O contraponto desta visão é dado por um sólido John Wayne, na figura do sensato e flexível Capitão York. Menos preso à rigidez militar, e mais querido pelos seus subordinados, York tenta a todo custo abrir os olhos do seu superior hierárquico, procurando evitar o desastre que a conduta de Thursday anuncia. São estes dois polos opostos, que chocam e que trazem resultados trágicos e dramáticamente sublimes. Como sempre, Ford delicia-se ( e delicia-nos ) com uma atenção perspicaz aos pormenores de pompa e circustancia, os códigos de conduta militar, o humor irlandês (enorme Victor Mclagen) e as questões humanas, sociais e políticas que envolvem a história. Nada é demais, nem de menos em Ford, pois o equilíbrio entre os vários tons é conseguido de forma magistral. E depois temos aquele final, agridoce, com direito a glória na derrota, mas aqui com um sabor a falso, pois tal como em The Man Who Shot Liberty Valance, "when the legend becomes truth, print the legend"

quarta-feira, maio 06, 2009

Ainda não sei...

... o que achar deste filme. Genial ou perversamente auto-indulgente?




quarta-feira, abril 29, 2009

Monteiro, Ford, Polanski, Scorsese, Costa, Hitchcock...

...Eastwood, Cronenberg, Leone, Canijo, Polanski, ScotAdicionar imagemt, Ferrara, Kurosawa, Wilder, Fincher, Ray, Wenders e muitos, muitos mais... têm as suas obras disponiveis para download directo no espaço My One Thousand Movies. Simplesmente o paraíso cinéfilo da blogosfera portugesa.

(para ir para lá é só clicar na imagem)

segunda-feira, abril 20, 2009

Witness (1985)

de Peter Weir


Estrondoso sucesso comercial e artístico em 1985, Witness é um marco na carreira do seu realizador e do seu actor principal. Peter Weir assina o seu primeiro filme americano com resultados quase sublimes. A sensibilidade do cineasta australiano, torna este thriller em muito mais que isso. Apesar de ser um policial vibrante, Witness é acima de tudo uma delicada e inspirada história de um amor impossível, causado pelo contraste de dois mundos muito diferentes. Se o universo de John Book é violento e urbano, o de Rachel Lapp é solidário e anacronicamente idílico. É desse conflito de culturas, que nascem os melhores momentos deste filme nomeado para 8 oscars. Uma dessas nomeações foi precisamente para Harrison Ford ( a sua única até hoje ). O seu John Book é dos personagens mais complexos que o actor interpretou até hoje. Com uma subtileza até então desconhecida, Ford consegue transmitir força, vulnerabilidade, brutalidade e carência. Essas emoções demonstram o alcance interpretativo de Ford, provando que é muito mais que um heroi de aventuras e FC. Destaque tambem para a luminosa Kelly McGillis, para o pequeno Lucas Hass e para um cruel Danny Glover.Apesar da plot assentar em alguns clichés do policial (os polícias corruptos), os magníficos actores, a abordagem quase lírica de Peter Weir (que foca emoções, olhares e ambientes) fazem de Witness um dos grandes filmes da colheita de 85 e o melhor filme do seu realizador, lado a lado com The Truman Show.

sábado, abril 18, 2009

James Cameron & Titanic

Entrevista de uma hora, gravada em 1997, uma semana antes da estreia mundial do filme mais lucrativo de sempre.

sexta-feira, abril 17, 2009

Lolita (1997)

de Adrian Lyne


Se a adaptação de Stanley Kubrick, da polémica obra literária de Nabakov, causou celeuma e escandalo, o mesmo aconteceu com este belíssimo filme de Adrian Lyne. A história de um professor irremediavelmente apaixonado e obcecado por uma adolescente, foi demasiado para as consciencias puritanas das audiencias norte-americanas em plenos anos 90. Resultado: um fracasso nas bilheteiras (algo raro em Lyne, senhor de sucessos estrondosos, como 9 ½ Weeks, Fatal Atraction ou Indecent Proposal). As acusações da altura, foi de que estávamos na presença de um filme imoral, mas Lolita é precisamente o contrário. Senão como explicar a destruição final dos principais personagens. Seja Humbert e a falencia do seu amor, levando-o à loucura e ao homicidio. Seja Lolita tornando-se uma mulher banal e mundana, deixando morrer aquilo que a tornava especial. Lyne opta por um tom muito mais sóbrio, que a abordagem de Kubrick. Enquanto o filme de 62 apostava no humor negro e na sátira, esta nova adaptação, caminha em terrenos da obsessão, drama e tragédia. Alem do mais, creio que os contornos e complexidades, de uma relação condenada (e condenável) à partida, são muito melhor explorados nesta película. Para isso, contribuiu enormemente a personagem torturada e dividida de Jeremy Irons, num dos seus grandes papéis, assim como o seu objecto de desejo, uma Dominic Swain, que transmite toda a tentação, inocencia e manipulação de forma tórrida e por vezes comovente. De destacar tambem a presença de Frank Langella (Frost/Nixon) no papel do monstruoso pedófilo Quilty, que nas poucas cenas em que aparece, transmite uma aura maléfica e perturbante. Ao pé de Quilty, Humbert parece um inocente, tal o nível de perversão deste personagem.

Trata-se de um filme complexo e com várias camadas de leitura. Insjustamente confundido como uma obra exploratória, Lolita é no fundo um retrato da obsessão e de amor perdido. Arrisco mesmo dizer, que é tão bom ou melhor que a versão de Kubrick. E aquela música de Ennio Morricone…

"Light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Lo... Li... Ta"

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