Desilusão, é a palavra que me vem constantemente à cabeça sempre que penso neste W. Infelizmente, Oliver Stone apesar de continuar com um bom ritmo narrativo, perde-se na vida incompreendida que é a da George W. Bush. No seu excesso de zelo para fazer um retrato justo do homem, o cineasta omite e ignora acontecimentos fulcrais para compreender um dos mais mal amados presidentes da história dos EUA. Nunca percebemos quem é este básico homem que é retratado. Talvez fosse a intenção do realizador apresentar-nos o retrato de um coitado que apesar de um imenso complexo de inferioridade e de uma grande dose de ingenuidade, consegue virar a sua vida do avesso e conquistar o seu lugar na cadeira do homem mais poderoso do mundo. O problema, é que essa transição não é clara e é algo forçada dentro do contexto do filme. No seu excesso de subtileza (algo que fica mal a Stone) e recurso a constantes elipses, não é nos é perceptível como a personagem de W. conseguiu descobrir a força interior para assumir-se como o lider de uma nação. Destaque para a interpretação de Josh Brollin que apesar das limitações de um guião anémico, consegue transmitir carisma e presença para compôr um personagem limitado no papel. A haver alguma inspiração, ela surge tardiamente numa magnífica cena final, onde um confuso W. não consegue apanhar aquela bola no ar. Um pouco como o realizador, que com este filme dá o seu segundo tiro ao lado depois do anémico WTC.
Que saudades de Oliver Stone.





O Pai (1987)

O Pai (1994)
A Mãe (1995)

O Pai (2008)


Mas, apesar de todas as suas qualidades, The Aviator, não é um filme isento de ligeiras falhas. O seu ritmo e tom, são algo desiquilibrados, devido a um início excecivamente arrastado, onde Scorsese se perde nas proezas aeronáuticas, amorosas e cinematográficas, do excentrico milionário. Mas nada que não se perdoe facilmente. Assim que assistimos aos primeiros sintomas de loucura do personagem (aquela cena na casa de banho) e nos apercebemos do verdadeiro tema do filme, que esteve sempre ali, debaixo daquela superfície aparentemente perfeita, somos levados numa viagem aos infernos, como só Scorsese sabe fazer. Para acabar, não posso deixar de referir aquele final, tão simbólico, irónico e amargo em que um descontrolado Howard Hughes, olha para o seu reflexo num espelho (tal como em Raging Bull) e aceita o seu “way of the future”, num dos finais mais doridos dos ultimos anos. Um grande filme, de um dos cineastas mais apaixonantes, da história da 7ª arte. 














E depois temos Kate Winslet, belíssima, forte e tocante, conseguindo dar carne e alma, a uma personagem que no papel sofria de muitas “armadilhas melodramáticas”. A sua Rose, não destoa absolutamente nada, ao lado de outras heroínas do cinema de Cameron, tais como Sarah Connor e Ellen Ripley. Kate tem um dos papéis da sua vida. E se relativamente à parte tecnica, Titanic é um prodígio, artisticamente é um deleite para os sentidos. Seja na fotografia evocatória de Russel Carpenter, ou na montagem e nos morphings de Cameron e Conrad Buff, assim como na romântica e melancólica banda sonora, que o sempre prodigioso James Horner, compôs para o filme(muita da força emocional da fita, passa pela sua música).








Rodado após a bomba que foi Mean Streets, este documentário com sabor a home movie (no bom sentido do termo), assinala a tentativa de Scorsese, em mergulhar nas suas origens familiares, abordando por arrasto, as origens de toda a comunidade ítalo-americana. Essa abordagem é directa, bem humorada e muito, muito pessoal. Os seus pais, Catherine (lembram-se da mãe de Joe Pesci em Goodfellas?) e Charles Scorsese, são os anfitriões de um animado jantar, em que partilham com o seu filho (e connosco) receitas italiana e as mais variadas e mirabolantes histórias familiares, enquanto demonstram uma enorme capacidade para prender o ouvido do espectador. Aliás, há uma altura em que o pai de Scorsese justifica a sua enorme capacidade enquanto contador de histórias, com facto de em tempos passados, não existirem nem tv’s nem rádios para entreter, e essa tarefa era dada a uma pessoa da família, que narraria as histórias mais mirabolantes. Olhando para os dois senhores, percebe-se claramente que o seu talentoso filho teve a quem saír, em espírito e em talento como storyteller. Mais que um documentário, este é um trabalho de exposição e de amor filial extremamente honesto e sem filtros. Só é de lamentar que o virtuosismo cinematográfico de Scorsese, esteja completamente apagado, deixando-nos 50 minutos com histórias contadas. Mas mesmo assim, os intervenientes nunca são aborrecidos. E seja como fôr, não é todos os dias que assistimos, a uma exposição tão honesta, ao universo familiar de um dos maiores realizadores, da história do cinema. 


