terça-feira, outubro 21, 2008

Obsessão familiar

O Pai (1987)


O Pai (1989)


O Pai (1993)


O Pai (1994)


A Mãe (1995)




O Pai (2004)




A Mãe (2004)


O Pai (2008)

quinta-feira, outubro 16, 2008

Novo trailer para W.

(e já só falta uma semana)

Josh Brolin insultado por W.


"When people approach you about roles, you understand why they would make the connection. But when [Stone] came to me about Bush, I couldn't understand it. I couldn't make any connection whatsoever. I was a little insulted.I had such a visceral reaction against it. But then I thought about it, and I had to get up and read the script. I read it one morning, and I thought it was amazing. I didn't love the story, but as a character, following a guy from 21 to 58 was an incredible challenge for an actor that I didn't think I could pull off."
Josh Brolin

quarta-feira, outubro 15, 2008

The Aviator (2004)

de Martin Scorsese

Esteve para ser realizado por Michael Mann, mas este que vinha de dois biopics (Ali e The Insider) preferiu assumir a produção e dar lugar ao mestre vivo, que é Martin Scorsese. E desde mais, este é um filme scorsesiano, sem tirar nem pôr. Ao contrário do que foi dito na altura da sua estreia, este filme é profundamente anti-académico. Senão repare-se no tratamento cromático que duplica a técnica cinematográfica referente a cada época que o filme retrata. Ou então a obcessiva atenção ao detalhe, com que a frenética câmara de Scorsese, nos brinda. Ou ainda, a montagem perfeita de Thelma Schoonmaker, com muito de virtuoso e original. E que dizer da composição assombrosa de Leonardo Di Caprio (no seu grande papel até à data), que flutua entre um idealismo inspirador, e uma assustadora demência. E é precisamente no trágico Howard Hughes que a ponte que liga esta obra, a outros martires de Scorsese, fica completa. Nele há toques de La Motta, Bickle, Pierce e…Cristo. Tal como eles, Hughes é um personagem torturado pelos seus demónios interiores, que será forçado a passar por um doloroso calvário, até atingir uma espécie de redenção, ou se preferirem, auto-descoberta.

Mas, apesar de todas as suas qualidades, The Aviator, não é um filme isento de ligeiras falhas. O seu ritmo e tom, são algo desiquilibrados, devido a um início excecivamente arrastado, onde Scorsese se perde nas proezas aeronáuticas, amorosas e cinematográficas, do excentrico milionário. Mas nada que não se perdoe facilmente. Assim que assistimos aos primeiros sintomas de loucura do personagem (aquela cena na casa de banho) e nos apercebemos do verdadeiro tema do filme, que esteve sempre ali, debaixo daquela superfície aparentemente perfeita, somos levados numa viagem aos infernos, como só Scorsese sabe fazer. Para acabar, não posso deixar de referir aquele final, tão simbólico, irónico e amargo em que um descontrolado Howard Hughes, olha para o seu reflexo num espelho (tal como em Raging Bull) e aceita o seu “way of the future”, num dos finais mais doridos dos ultimos anos. Um grande filme, de um dos cineastas mais apaixonantes, da história da 7ª arte.

Dicionário Sopranico

Agita: anxiety, edginess, an upset stomach
Buon' anima: salutation meaning rest his soul.
Clip: to murder; also whack, hit, pop, burn, put a contract out.
Don: the head of the Family
Eat alone: to keep for one's self; to be greedy
Fanook: derived from "finocchio" or fennel, a derogatory term for homsexual or gay, i.e., people that wiseguys feel nervous around. A "mezzofinook" is half gay, sissy, bi
Goomah: a Mafia mistress; also comare.
Hit: to murder; also see whack.
In the wind: after you leave the Witness protection program you are "in the wind," meaning you're on your own somewhere out there.
Jamook: idiot, loser, lamebrained, you know, a jamook.
Lam: To lay low, go into hiding.
Moe Green Special: Getting killed with a shot in the eye, like the character, Moe Green, in The Godfather. One form of "sending a message."
Omertá: the much-vaunted Mafia vow of silence. In other words, don't rat on your friends. Transgression is punishable by death.
Pinched: to get caught by the cops
Rat: one who snitches or squeals after having been pinched.
Stugots: from stu cazzo or u' cazzu, the testicles. Tony Soprano's boat is The Stugots
Tizzun: Neapolitan derogatory term for black person.
Underboss: the second in command to the boss.
Va fa napole: "Go to Naples" (i.e., "Go to hell.").
Waste management business: euphemism for organized crime.

sexta-feira, outubro 10, 2008

A Perfect Murder (1998)

de Andrew Davis

Remake "não assumido", do classico Dial M for Murder de Hitchcock, este thriller tem o dom de agarrar o espectador desde o início para o não largar mais. A história gira em volta do um clássico triangulo amoroso, com um marido traído (Douglas) por uma esposa (Paltrow) que mantem um caso com um jovem artista (Mortenssen). O twist nesta história, está na forma como o marido irá acertar contas com o infiel casal, com resultados sangrentos, mas muito inesperados. O argumento de Patrick Smith Kelley está muito bem cozinhado, e joga com as expectativas do espectador demonstrando que a lição de Hitchcock foi muito bem estudada, ou seja: deixar o espectador, sempre um passo à frente dos personagens. Pena é que uma sonsa Gwineth Paltrow e um Viggo Mortensen canastrão(ao contrário de outros papéis), não estejam à altura do sinistro personagem de Michael Douglas, um vez que este rouba, sem grande esforço, todas as cenas onde entra. Quanto à realização, apesar de não sêr brilhante, Andrew Davis (The Fugitive), não compromete e tem um bom sentido narrativo, deixando a história e os seus actores tomarem as rédeas do filme. Um thriller com uma boa gestão dos mecanismos do suspense, e que garante duas horas coladas ao ecrã.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Banda sonora de créditos finais

A propósito do interessantissimo desafio do Créditos Finais, aqui fica a minha escolha de canções marcantes, que acompanharam os end credits de 10 filmes da minha vida.

1-God Moving Above the Waters-Moby (Heat)
2-My Way - Sid Vicious (Goodfellas)
3-The Hands That Build America - U2 (Gangs of New York)
4-Where is my mind - pixies (Fight Club)
5-Set Me Free - Lisa Gerard & Pieter Bourke (Ali)
6-Paint It Black - Rolling Stones ( Full Metal Jacket)
7-The Future - Leonard Cohen (NBK)
8-An Ending (ascent) - Brian Eno (Traffic)
9-By This River - Brian Eno (La Stanza Del Figlio)
10-Surf Rider - The Lively ones (Pulp Fiction)

A lista deu algum trabalho, mas também muito gozo. Fica o desafio passado a quem o quizer aceitar:)

terça-feira, outubro 07, 2008

Filmaço!

"There ain't nobody gonna push me of my land! My grandpa took up this land 70 years ago, my pa was born here, we were all born on it. And some of of us was killed on it! ...and some of us died on it. That's what make it our'n, bein' born on it,...and workin' on it,...and and dying' on it! And not no piece of paper with the writin' on it! "

The Grapes of Wrath

The Apostle (1997)

de Robert Duvall

Este projecto que demorou 15 anos para sêr realizado, foi apenas possivel graças à persistencia, do seu actôr-argumentista-produtor-realizador, o magnífico Robert Duvall. O seu tema sui generis, e a visão imparcial de Duvall, fogem a todos os standards de Hollywood, sendo compreensivel o porquê da dificuldade do financiamento do filme. The Apostle, conta a historia de um pregador evangelista (Duvall) que apesar de ser um ferveroso crente e um excelente pastôr, deixa que as suas (muitas) falhas humanas empurrem a sua mulher (Farrah Fawcett) para os braços de outro homem. A traição dela, leva o pastôr a cometer um crime passional, tendo de fugir de seguida e recomeçar uma nova vida (e uma nova Igreja), numa pequena localidade do Sul da América. Esta história de redenção, tem um tom mais proximo do cinema europeu, do que da narrativa clássica americana, uma vez que Duvall, nunca vira a cara a mostrar as muitas falhas do seu pastôr E.F, sempre de forma justa e sem julgamentos morais. A realização nunca cai em manequeismos e é de louvar a forma súbtil e por vezes tocante, como o actôr-realizador, consegue equilibrar e revelar todo um vasto leque de emoções contraditórias. E depois há aqueles sermões de antologia, em que Duvall brilha de uma forma tão intensa, frenética e irresistivel, que tornaram inevitável a sua justíssima nomeação para o Oscar de melhor actor. Destaque ainda para os tons tórridos da fotografia de Barry Markowitz e para a partitura do habitual colaborador de Michael Cimino, o prodigioso David Mansfield.
Um filme belo e algo esquecido.

Insomnia (2002)

de Christopher Nolan

Este remake de Insomnia, o thriller norueguês datado de 1997, trata-se da segunda obra do britânico Cristopher Nolan, precisamente dois anos após o brilhante Memmento e ainda muito distante dos blockbusters a que mais tarde se iria dedicar. Com um elenco e um production value, muito superior à sua anterior película, Nolan assina um policial seguro e original, mas ao mesmo tempo algo decepcionante. Especialmente se tivermos em conta o brilhantismo que o cineasta tinha revelado na sua fita anterior. Al Pacino em registo de underacting (algo novo para ele) está próximo da perfeição. O seu William Dormmer, é um dos grandes personagens de 2002. Complexo, torturado e trágico, Pacino, brilha com uma intensidade, tão forte como o sol do Alaska, ofuscando um insólito Robin Williams (no seu 1º papel de vilão) e a belissima Hillary Swank. Nolan alem de manobrar com habilidade as nunaces dos seus personagens, é igualmente hábil na gestão de um guião que poderia caír nos sempre traiçoeiros clichés. Nas mãos de Nolan, o enfase é dado ao conflito interior do seu torturado protagonista, potenciado pela invulgar paisagem que o rodeia. Apesar de todos estes pontos fortes, o final é resolvido a martelo (ou a tiro se preferirem), e no fim apesar dos esforços do realizador, ficamos com uma sensação de deja vu. Mesmo assim é um belo filme a descobrir.

sábado, outubro 04, 2008

Prémios Dardos

Aceitando o desafio, e agradecendo desde já aos blogueiros que escolheram o Grandes Planos para o Prémio Dardos, aqui segue a lista dos 15 blogues que sigo diariamente. O desafio fica passado a eles.

Touro Enraivecido
Paraíso do Gelado
Cinema is my Life
Ante Cinema
Paixões e Desejos
Cinefolia

terça-feira, setembro 30, 2008

Saramago & Meirelles

E o resultado é Blindness.

domingo, setembro 28, 2008

domingo, setembro 21, 2008

Titanic (1997)

de James Cameron

Sim, tem um romance que fede a novela. Sim, Di Caprio está demasiado "verde" para o papel. E sim, não merece a carrada de Oscars que recebeu. Mas, este é o projecto da vida de James Cameron, e isso é dizer muito. Mas, Kate Winslet está soberba. Mas, o naufrágio é das coisas mais impressionantes alguma vez recriadas em cinema. Mas, mesmo com as suas falhas, Titanic consegue sêr um grande filme.

Essas falhas começam num claro desequilíbrio de tom, entre a primeira e a segunda parte. E se nessa primeira parte, Cameron pretendia mostrar-nos algum desenvolvimento dos personagens, o seu objectivo é algo falhado, pois elas não são mais que estereótipos básicos. No entanto James Cameron é muito bom, na sua atenção obsessiva aos detalhes da direcção artística, no prodígio técnico que é a recriação do Titanic, e no tom de desespero e morte, que consegue implantar na ultima hora e meia de filme. Tal como nos seus filmes anteriores, o tema é o final de um mundo, causado pela arrogância tecnológica do homem. Mas o que Titanic tem em relação aos Terminators, Aliens, ou o The Abyss, é um sopro trágico e claustrofóbico, que deixa o espectador aterrorizado e comovido, com o destino dos tripulantes do infame navio.

E depois temos Kate Winslet, belíssima, forte e tocante, conseguindo dar carne e alma, a uma personagem que no papel sofria de muitas “armadilhas melodramáticas”. A sua Rose, não destoa absolutamente nada, ao lado de outras heroínas do cinema de Cameron, tais como Sarah Connor e Ellen Ripley. Kate tem um dos papéis da sua vida. E se relativamente à parte tecnica, Titanic é um prodígio, artisticamente é um deleite para os sentidos. Seja na fotografia evocatória de Russel Carpenter, ou na montagem e nos morphings de Cameron e Conrad Buff, assim como na romântica e melancólica banda sonora, que o sempre prodigioso James Horner, compôs para o filme(muita da força emocional da fita, passa pela sua música).

Além do mais, há que valorizar o risco que cineasta correu com este filme, que na altura foi o mais caro da história. Muito tiveram que engolir as suas previsões de desgraça, ao constatar o sucesso incomprável deste belo espectáculo.Titanic é ainda hoje, o filme com mais box-office na história do cinema. E isso deve-se a um sonhador visionário, chamado James Cameron, que apesar de tudo, assinou um filme inesquécivel. Que volte em breve com o seu Avatar.

A Arte de Roubar - teaser

Já saiu o 1º teaser do novo filme de Leonel Vieira. Produção portuguesa, mas falada em 3 linguas diferentes, A Arte de Roubar, promete sêr um filme como nunca antes se viu no panorama nacional. Destaque para o elenco onde a qualidade está assegurada por Ivo Canelas e Nicolau Breyner. Estreia dia 17 de Janeiro.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Red Carpet - O site


Após um período de re-organização e de mudanças, a Red Carpet apresenta-se com um novo look. Mais funcional, organizado e apelativo, e com uma dinâmica equipa por detrás da publicação de contéudos, a Red Carpet tem tudo para cativar e conquistar os cinéfilos do cyberespaço português.
Passem por lá e digam o que acharam.

Brutal e brilhante!


"Sticks and stones can break your bones but words cause permanent damage! "
Barry Champlain

quarta-feira, setembro 17, 2008

Eastwood, Jolie, Malkovich

Changeling

The Jericho Mile (1979)


de Michael Mann

Obra de estreia de Michael Mann, este filme foi feito para televisão e galardoado com vários prémios. Curiosamente nele, estão já bem patentes, todos os temas e obsessões que o autor americano, iria mais tarde explorar, de forma brilhante. O individualismo feroz, o fatalismo trágico e uma dedicação e entrega total à autenticidade de personagens e decors.

Este Jericho Mile é um retrato duro e violento, contra-balançado por momento líricos belíssimos. O filme conta a história do prisioneiro Murphy, que encarcerado para o resto da vida (por ter morto o seu pai), tenta qualificar-se para os Jogos Olímpicos, lutando contra o sistema penal, assim como contra vários gangs da prisão. As corridas de Murphy (Peter Strauss nunca esteve tão convincente e intenso como aqui) ao som de Sympathy For The Devil, têm um carácter quase transcendente, e revelam de forma sublime, o esforço e a integridade do seu torturado personagem. Além de Peter Strauss, temos boas respresentações de Brian Dennehy e Geofrey Lewis, e de uma vasta gama de coloridos secundários, que reforçam o realismo, uma vez que se tratam de presos reais. Rodado integralmente na prisão de Folsom, esta foi a obra que chamou a atenção do mundo do cinema, para um realizador, que se viria a revelar, um dos mais talentosos cineastas do final do sec. XX.

Neste filme a integridade artística de Michael Mann está bem evidente, assim como a sua coragem de levar o realismo a um extremo nunca visto. Isso combinado com o seu óbvio talento para a escrita e para uma direcção de actores perfeita, fazem deste belíssimo Jericho Mile, o cartão de visita ideal, para a obra de um cineasta essencial.

domingo, setembro 14, 2008

sexta-feira, setembro 12, 2008

She's Back!


"Portugal volta a ter uma revista de cinema: a Premiere volta às bancas na primeira semana de Outubro. A revista de cinema será relançada pela Multipublicações e terá um formato muito similar ao antigo. A notícia foi confirmada ao briefing por José Vieira Mendes, ex-editor chefe da revista, que voltará a ocupar o seu antigo cargo na nova Premiere.

José Vieira Mendes explicou que, apesar da revista estar descontinuada desde Outubro do ano passado, nunca tinha desistido da ideia de voltar a trazê-la para o mercado. «Depois da descontinuação fui a Paris, por minha iniciativa, falar com os patrões da Hachette e dizer-lhes que a Premiere fazia falta no mercado português. Era a única revista de cinema e ficou um vazio no mercado», confessa. «Garantiram-me que se eu conseguisse um parceiro à altura, comigo à frente na direcção editorial, não hesitariam em ceder os direitos do título».

Foi assim que, depois de ter «batido em muitas portas», encontrou-se com Ricardo Florêncio, director da Multipublicações. «O Ricardo é um grande cinéfilo mas também um grande empreendedor no seio de um grupo de revistas (Marketeer e Executive Digest) muito bem sucedido em nichos de mercado. Por isso, decidimos em conjunto relançar a Premiere com a aposta, estrutura e riscos, da Multipublicações», disse ao briefing José Vieira Mendes.
Com uma tiragem de 20 mil exemplares, a equipa da revista será composta, essencialmente por colaboradores. Francisco Silva será o único redactor e «a equipa de colaboradores será basicamente a mesma com mais algumas jovens esperanças do jornalismo e da crítica de cinema para refrescar os conteúdos», adianta o director editorial. "

quinta-feira, setembro 11, 2008

Copycat Tarantino

Ora aqui está a razão porque Tarantino além de cineasta, daria um belo gatuno. Senhor Tarantino, "shame on you"! A cena em questão é de American Boy, um documentário realizado por Scorsese em 1978. Plágio anyone?

Recordações da Casa Amarela (1989)

de João César Monteiro

Em 1989, Portugal foi surpreendido com a notícia do feito de um cineasta até então desconhecido. Esse cineasta tinha arrecadado o Leão de Prata do Festival de Veneza (feito inédito e irrepetível), com o seu filme, Recordações da Casa Amarela. Desde então, não mais o cinema português esqueceu João César Monteiro.

Primeira parte, das desventuras de João de Deus (Monteiro em auto-retrato?), foi e ainda é uma película de ruptura. Nunca até então se tinha visto algo parecido no cinema português (e mundial já agora). Um filme tão disposto a abraçar o sagrado e o profano, o sublime e o kitsch, Shubert e Quim Barreiros. Para além disso, é um filme ferozmente crítico. A forma como João César Monteiro se lança à pequenez e à hipocrisia dos brandos costumes à portuguesa, é iconoclasta e originalmente provocatória. O seu João de Deus, é o anti-establishment por excelência (não é por acaso que chega a fazer-se passar por militar, com o intuito de “marchar sobre São Bento”). Monteiro dispara em várias direcções, mas sempre com um humor irónico, blasfemo e por vezes desarmante, fazendo-nos render à sua personagem. E depois aqueles planos geniais, que mostram que nunca houve composições tão belas no cinema português. Isso, e uma utilização invulgar da mise-en-scéne, demonstram um realizador no topo da sua forma, cheio de conceitos e ideias nunca vistas.

Um grande filme e uma excelente forma de iniciar a descoberta da obra de um génio (louco?), que voltaria à carga com o senhor João de Deus, nos superiores A Comédia de Deus e As Bodas de Deus.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Italianamerican (1974)

de Martin Scorsese

Rodado após a bomba que foi Mean Streets, este documentário com sabor a home movie (no bom sentido do termo), assinala a tentativa de Scorsese, em mergulhar nas suas origens familiares, abordando por arrasto, as origens de toda a comunidade ítalo-americana. Essa abordagem é directa, bem humorada e muito, muito pessoal. Os seus pais, Catherine (lembram-se da mãe de Joe Pesci em Goodfellas?) e Charles Scorsese, são os anfitriões de um animado jantar, em que partilham com o seu filho (e connosco) receitas italiana e as mais variadas e mirabolantes histórias familiares, enquanto demonstram uma enorme capacidade para prender o ouvido do espectador. Aliás, há uma altura em que o pai de Scorsese justifica a sua enorme capacidade enquanto contador de histórias, com facto de em tempos passados, não existirem nem tv’s nem rádios para entreter, e essa tarefa era dada a uma pessoa da família, que narraria as histórias mais mirabolantes. Olhando para os dois senhores, percebe-se claramente que o seu talentoso filho teve a quem saír, em espírito e em talento como storyteller. Mais que um documentário, este é um trabalho de exposição e de amor filial extremamente honesto e sem filtros. Só é de lamentar que o virtuosismo cinematográfico de Scorsese, esteja completamente apagado, deixando-nos 50 minutos com histórias contadas. Mas mesmo assim, os intervenientes nunca são aborrecidos. E seja como fôr, não é todos os dias que assistimos, a uma exposição tão honesta, ao universo familiar de um dos maiores realizadores, da história do cinema.

terça-feira, setembro 09, 2008

De Niro & Pacino - parte 2

Eastern Promises (2007)

de David Cronenberg

Que David Cronenberg é um cineasta fascinado com o corpo, e com as suas diferentes mutações e variações, já não é novidade para nenhum cinéfilo que se preze. Agora o que é novidade, é a forma elegante em como esta sua obsessão, se camuflou no cinema mainstream, a que o realizador canadiano se tem dedicado ultimamente. Em Eastern Promisses, os temas recorrentes do autor, estão todos lá: identidade, a carne como algo de mutável e directamente associada à psique dos personagens (as famosas tatuagens), a violência ( a cadeira do barbeiro ou a impressionante sequência na sauna), a ambivalência sexual, e finalmente a impossibilidade (ou a negação) do amor. O que espanta é que Cronenberg consegue abordar esta impressionante variedade de obsessões pessoais, e apesar disso assinar uma história policial escorreita e que pode apelar a um espectador menos “exigente”. Pena que o guião de Steven Knight não esteja à altura da mestria de Cronenberg, que apesar do esforço do cineasta, acaba por mergulhar o filme nalguns clichés e twists desnecessários. Mas seja como fôr, Eastern Promisses é uma obra que todos os fãs (e não fãs) de Cronenberg irão apreciar. Uma nota final para Viggo Mortensen, que está cada vez mais actor, e que assina um dos mais impressionantes papéis de 2007.

segunda-feira, setembro 08, 2008

W.

Star Trek - The Wrath of Kahn (1982)

de Nicholas Meyer

Após o semi-flop que foi Star Trek – The Motion Picture, os executivos da Paramount viram-se com uma batata quente nas mãos. Por um lado, os resultados comerciais do 1º filme, deixaram muito a desejar. Por outro, todo uma legião de fãs (os trekies) exigiam um novo filme á altura da série. E numa jogada audaz e arriscada, afastaram Gene Rodenbery das rédeas da produção (que tinha sido um dos problemas na anterior película), entregando os comandos a Nicholas Meyer (realização) e Harve Bennet (produção), por metade do orçamento do 1º filme. O resultado não podia ser melhor. Star Trek – The Wrath of Kahn, é o mais amado e conseguido filme, de toda a saga.

Esse sucesso deve-se em grande parte, á mão segura e à abordagem insólita de Meyer e Bennet. Repescando o vilão de um dos episódios mais amados pelos trekies, fazem a ponte com todo um passado que estava para trás, deixando as pretenções metafísicas do 1º filme. E o que temos aqui é um belíssimo entretenimento, que tem tanto de deslumbre, assim como doses maciças de diversão e emoção.

Kirk (William Shatner na sua melhor performance) e Spock (Leonard Nimoy inimitável) nunca estiveram tão bem. Cada qual com um conflito interior muito credível, em particular Kirk, que tem de enfrentar a decadencia e algo que sempre se recusou a olhar de frente: a morte. E depois temos Kahn (Ricardo Montalblan), um vilão “biger than life” obsessivo na sua sede de vingança, com um gosto particular por citações de Moby Dick. Um pormenor que é tudo menos inocente, pois Kahn funciona como uma espécie de capitão Ahab intergalático. Aliás, todo o filme tem um sabor aos velhos clássicos de aventuras marítimas, muito bem fundidas com a vastidão do espaço. Factor que realça esse sabor, é a magnífica partitura de James Horner, que poderia facilmente ser a banda sonora de um Captain Blood ou um Sea Hawk.

O tom do filme, a edição vertiginosa, a história muitíssimo bem contada e a abordagem cinéfila de Nicholas Meyer, elevam este filme a patamares elevadíssimos. E depois temos aquele final semi-aberto, que deixa o espectador ansioso por novas aventuras. Um dos meus favoritos, que está para a saga Star Trek, como Empire Strikes Back para Star Wars: simplesmente o melhor da série.

domingo, setembro 07, 2008

O melhor Rourke

A propósito do seu comeback em The Wrestler, não resisto a colocar dois frames do seu melhor trabalho até hoje. Complexa, intensa, raivosa, polémica e torturada, é simplesmente a melhor performance de qualquer actor no cinema dos anos 80. Stanley White em Year of the Dragon.

Leão de Ouro

The Wrestler, de Darren Aronofsky, foi o grande vencedor do festival de Veneza deste ano. Saúde-se o regresso de um dos meus herois de juventude, o grande Mickey Rourke, num papel que se diz assombroso. Assim como o retorno à boa forma e o reconhecimento artístico do brilhante Darren Aronofsky, depois da grande desilusão que foi The Fountain.


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