sexta-feira, setembro 12, 2008

She's Back!


"Portugal volta a ter uma revista de cinema: a Premiere volta às bancas na primeira semana de Outubro. A revista de cinema será relançada pela Multipublicações e terá um formato muito similar ao antigo. A notícia foi confirmada ao briefing por José Vieira Mendes, ex-editor chefe da revista, que voltará a ocupar o seu antigo cargo na nova Premiere.

José Vieira Mendes explicou que, apesar da revista estar descontinuada desde Outubro do ano passado, nunca tinha desistido da ideia de voltar a trazê-la para o mercado. «Depois da descontinuação fui a Paris, por minha iniciativa, falar com os patrões da Hachette e dizer-lhes que a Premiere fazia falta no mercado português. Era a única revista de cinema e ficou um vazio no mercado», confessa. «Garantiram-me que se eu conseguisse um parceiro à altura, comigo à frente na direcção editorial, não hesitariam em ceder os direitos do título».

Foi assim que, depois de ter «batido em muitas portas», encontrou-se com Ricardo Florêncio, director da Multipublicações. «O Ricardo é um grande cinéfilo mas também um grande empreendedor no seio de um grupo de revistas (Marketeer e Executive Digest) muito bem sucedido em nichos de mercado. Por isso, decidimos em conjunto relançar a Premiere com a aposta, estrutura e riscos, da Multipublicações», disse ao briefing José Vieira Mendes.
Com uma tiragem de 20 mil exemplares, a equipa da revista será composta, essencialmente por colaboradores. Francisco Silva será o único redactor e «a equipa de colaboradores será basicamente a mesma com mais algumas jovens esperanças do jornalismo e da crítica de cinema para refrescar os conteúdos», adianta o director editorial. "

quinta-feira, setembro 11, 2008

Copycat Tarantino

Ora aqui está a razão porque Tarantino além de cineasta, daria um belo gatuno. Senhor Tarantino, "shame on you"! A cena em questão é de American Boy, um documentário realizado por Scorsese em 1978. Plágio anyone?

Recordações da Casa Amarela (1989)

de João César Monteiro

Em 1989, Portugal foi surpreendido com a notícia do feito de um cineasta até então desconhecido. Esse cineasta tinha arrecadado o Leão de Prata do Festival de Veneza (feito inédito e irrepetível), com o seu filme, Recordações da Casa Amarela. Desde então, não mais o cinema português esqueceu João César Monteiro.

Primeira parte, das desventuras de João de Deus (Monteiro em auto-retrato?), foi e ainda é uma película de ruptura. Nunca até então se tinha visto algo parecido no cinema português (e mundial já agora). Um filme tão disposto a abraçar o sagrado e o profano, o sublime e o kitsch, Shubert e Quim Barreiros. Para além disso, é um filme ferozmente crítico. A forma como João César Monteiro se lança à pequenez e à hipocrisia dos brandos costumes à portuguesa, é iconoclasta e originalmente provocatória. O seu João de Deus, é o anti-establishment por excelência (não é por acaso que chega a fazer-se passar por militar, com o intuito de “marchar sobre São Bento”). Monteiro dispara em várias direcções, mas sempre com um humor irónico, blasfemo e por vezes desarmante, fazendo-nos render à sua personagem. E depois aqueles planos geniais, que mostram que nunca houve composições tão belas no cinema português. Isso, e uma utilização invulgar da mise-en-scéne, demonstram um realizador no topo da sua forma, cheio de conceitos e ideias nunca vistas.

Um grande filme e uma excelente forma de iniciar a descoberta da obra de um génio (louco?), que voltaria à carga com o senhor João de Deus, nos superiores A Comédia de Deus e As Bodas de Deus.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Italianamerican (1974)

de Martin Scorsese

Rodado após a bomba que foi Mean Streets, este documentário com sabor a home movie (no bom sentido do termo), assinala a tentativa de Scorsese, em mergulhar nas suas origens familiares, abordando por arrasto, as origens de toda a comunidade ítalo-americana. Essa abordagem é directa, bem humorada e muito, muito pessoal. Os seus pais, Catherine (lembram-se da mãe de Joe Pesci em Goodfellas?) e Charles Scorsese, são os anfitriões de um animado jantar, em que partilham com o seu filho (e connosco) receitas italiana e as mais variadas e mirabolantes histórias familiares, enquanto demonstram uma enorme capacidade para prender o ouvido do espectador. Aliás, há uma altura em que o pai de Scorsese justifica a sua enorme capacidade enquanto contador de histórias, com facto de em tempos passados, não existirem nem tv’s nem rádios para entreter, e essa tarefa era dada a uma pessoa da família, que narraria as histórias mais mirabolantes. Olhando para os dois senhores, percebe-se claramente que o seu talentoso filho teve a quem saír, em espírito e em talento como storyteller. Mais que um documentário, este é um trabalho de exposição e de amor filial extremamente honesto e sem filtros. Só é de lamentar que o virtuosismo cinematográfico de Scorsese, esteja completamente apagado, deixando-nos 50 minutos com histórias contadas. Mas mesmo assim, os intervenientes nunca são aborrecidos. E seja como fôr, não é todos os dias que assistimos, a uma exposição tão honesta, ao universo familiar de um dos maiores realizadores, da história do cinema.

terça-feira, setembro 09, 2008

De Niro & Pacino - parte 2

Eastern Promises (2007)

de David Cronenberg

Que David Cronenberg é um cineasta fascinado com o corpo, e com as suas diferentes mutações e variações, já não é novidade para nenhum cinéfilo que se preze. Agora o que é novidade, é a forma elegante em como esta sua obsessão, se camuflou no cinema mainstream, a que o realizador canadiano se tem dedicado ultimamente. Em Eastern Promisses, os temas recorrentes do autor, estão todos lá: identidade, a carne como algo de mutável e directamente associada à psique dos personagens (as famosas tatuagens), a violência ( a cadeira do barbeiro ou a impressionante sequência na sauna), a ambivalência sexual, e finalmente a impossibilidade (ou a negação) do amor. O que espanta é que Cronenberg consegue abordar esta impressionante variedade de obsessões pessoais, e apesar disso assinar uma história policial escorreita e que pode apelar a um espectador menos “exigente”. Pena que o guião de Steven Knight não esteja à altura da mestria de Cronenberg, que apesar do esforço do cineasta, acaba por mergulhar o filme nalguns clichés e twists desnecessários. Mas seja como fôr, Eastern Promisses é uma obra que todos os fãs (e não fãs) de Cronenberg irão apreciar. Uma nota final para Viggo Mortensen, que está cada vez mais actor, e que assina um dos mais impressionantes papéis de 2007.

segunda-feira, setembro 08, 2008

W.

Star Trek - The Wrath of Kahn (1982)

de Nicholas Meyer

Após o semi-flop que foi Star Trek – The Motion Picture, os executivos da Paramount viram-se com uma batata quente nas mãos. Por um lado, os resultados comerciais do 1º filme, deixaram muito a desejar. Por outro, todo uma legião de fãs (os trekies) exigiam um novo filme á altura da série. E numa jogada audaz e arriscada, afastaram Gene Rodenbery das rédeas da produção (que tinha sido um dos problemas na anterior película), entregando os comandos a Nicholas Meyer (realização) e Harve Bennet (produção), por metade do orçamento do 1º filme. O resultado não podia ser melhor. Star Trek – The Wrath of Kahn, é o mais amado e conseguido filme, de toda a saga.

Esse sucesso deve-se em grande parte, á mão segura e à abordagem insólita de Meyer e Bennet. Repescando o vilão de um dos episódios mais amados pelos trekies, fazem a ponte com todo um passado que estava para trás, deixando as pretenções metafísicas do 1º filme. E o que temos aqui é um belíssimo entretenimento, que tem tanto de deslumbre, assim como doses maciças de diversão e emoção.

Kirk (William Shatner na sua melhor performance) e Spock (Leonard Nimoy inimitável) nunca estiveram tão bem. Cada qual com um conflito interior muito credível, em particular Kirk, que tem de enfrentar a decadencia e algo que sempre se recusou a olhar de frente: a morte. E depois temos Kahn (Ricardo Montalblan), um vilão “biger than life” obsessivo na sua sede de vingança, com um gosto particular por citações de Moby Dick. Um pormenor que é tudo menos inocente, pois Kahn funciona como uma espécie de capitão Ahab intergalático. Aliás, todo o filme tem um sabor aos velhos clássicos de aventuras marítimas, muito bem fundidas com a vastidão do espaço. Factor que realça esse sabor, é a magnífica partitura de James Horner, que poderia facilmente ser a banda sonora de um Captain Blood ou um Sea Hawk.

O tom do filme, a edição vertiginosa, a história muitíssimo bem contada e a abordagem cinéfila de Nicholas Meyer, elevam este filme a patamares elevadíssimos. E depois temos aquele final semi-aberto, que deixa o espectador ansioso por novas aventuras. Um dos meus favoritos, que está para a saga Star Trek, como Empire Strikes Back para Star Wars: simplesmente o melhor da série.

domingo, setembro 07, 2008

O melhor Rourke

A propósito do seu comeback em The Wrestler, não resisto a colocar dois frames do seu melhor trabalho até hoje. Complexa, intensa, raivosa, polémica e torturada, é simplesmente a melhor performance de qualquer actor no cinema dos anos 80. Stanley White em Year of the Dragon.

Leão de Ouro

The Wrestler, de Darren Aronofsky, foi o grande vencedor do festival de Veneza deste ano. Saúde-se o regresso de um dos meus herois de juventude, o grande Mickey Rourke, num papel que se diz assombroso. Assim como o retorno à boa forma e o reconhecimento artístico do brilhante Darren Aronofsky, depois da grande desilusão que foi The Fountain.


terça-feira, setembro 02, 2008

segunda-feira, setembro 01, 2008

Last Action Hero

""What is best in life: Crush your enemies, see them driven before you, and to hear the lamentation of the women!" Conan the Barbarian

"I'm not into politics, I'm into survival" The Running Man

"Oh, you think you're bad, huh? You're a fucking choir boy compared to me! A CHOIR BOY! " The End Of Days

"You're a funny man, Sully, I like you. That's why I'm going to kill you last. " Comando

"You're one... *ugly* motherfucker! " Predator

" I'll be back! Ha! You didn't know I was gonna say that, did you? " Last Action Hero

"Enough talk! " Conan The Destroyer

quinta-feira, agosto 28, 2008

Ray

"If it were all in the script, why make the film?"

"You like these films, but you can't imagine how often they represent only fifty percent of what I wanted to do. You have no idea how I had to fight to achieve even that fifty percent."

"The closer I get to my ending, the closer I am getting to rewriting my beginning."

quarta-feira, agosto 27, 2008

Bigger Than Life (1956)

de Nicholas Ray


Cada vez gosto mais de Nicholas Ray. Não há volta a dar. A cada filme que vejo, mais me convenço que o homem era mesmo um grandíssimo cineasta. Em fase de descoberta da sua obra, eis que revejo Bigger Than Life. Um filme que tinha visto na minha infancia, numa matiné de domingo na rtp. Na altura o filme impressionou-me pelo medo que me causou. Nunca tinha visto nada assim, pois não haviam nem monstros, nem aliens, nem nada de paranormal. O medo, provinha de dentro da familia, na figura do habitual protector, o pai (outro retrato semelhante é o de Jack Nicholson em The Shinning). Agora passado uns aninhos, já consigo perceber o que mexeu tanto comigo na altura em que vi esta obra-prima.

Sufocante e negro, nunca a revolta e a desintegração de um homem, foi tão sublime e perturbante como neste subversivo Bigger Than Life de Nicholas Ray. O realizador, famoso pelos seus "rebeldes sem causa", tem aqui mais um brilhante exercício de cinema total, em que exprime as suas ideias de rebeldia, camuflado pelo sub-género do melodrama. A inicio parece que estamos em terrenos de Douglas Sirk, com a famila feliz, com os seus bens materiais e estabilidade financeira, onde aparentemente tudo são rosas. Mas cedo nos apercebemos, que estamos em terrenos de Ray, que tem nesta obra um exercicio de explosão e crítica à conformidade e a falsa felicidade, de um certo "american way of life" da altura.

O veículo para essa explosão, é o torturado personagem de Mason, que se apresenta a inicio, completamente esmagado pela sociedade em que se insere. Dá a impressão que a revolta de Mason, não advem das drogas que toma, mas sim de uma frustrações e tensões mais ou menos óbvias. Seja a relação com a sua submissa mulher (Barbara Rush), a pressão de manter um american way of life que o obriga a manter dois empregos (com o desconhecimento da mulher) ou um filho obviamente estereotipado quase acéfalo. James Mason, num retrato insuperável de demência e não-conformidade, é inesquécivel no papel de um homem que devido à sua "habituação" a uma droga experimental (na altura), chamada cortisona, explode contra o puritanismo e o politicamente correcto da América dos anos 50.

Brilhante Ray, no uso inspirado do Scope´, na composição de planos com tanto de belo como de expressionista (a famosa e ameaçadora sombra "bigger than life" de Mason), num uso de côr deslumbrante e na encenação de cenas aparentemente mundanas, mas que transmitem uma tensão em surdina quase insuportável de tão sufocante. Nunca um copo de leite foi tão perturbante, nem mesmo em Notorious. Ou então que dizer das cenas finais em que no cumulo da sua loucura, Mason, emulando a história de Abraão pega num par de tesouras e numa bíblia, disposto a chacinar o seu filho. A sua mulher ao confrontá-lo dizendo-lhe que de acordo com a bíblia, Deus salvou o filho de Abrão, a resposta é aterradora: "god was wrong". Isto sim é terror. Um terror sublime, que funciona a vários níveis e onde estranhamente simpatizamos com a revolta do protagonista. Ou será antagonista ?

sábado, agosto 23, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 3)

3ª e ultima parte. Aqui são analisados Heat e The Insider, duas das obras-primas do cinema de Mann.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (3/3)
Enviado por SoWiFo

sexta-feira, agosto 22, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 2)

Nesta 2ª parte. estão em análise, Manhunter, Last of the Mohicans e Heat. Amanhã, coloco a 3ª e última parte, desta belissima retrospectiva sobre a obra de Michael Mann.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (2/3)
Enviado por SoWiFo

quinta-feira, agosto 21, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 1)

Michael Mann, um dos cineastas que mais aprecio e admiro e que felizmente começa finalmente a ser reconhecido pela crítica, como um dos grandes mestres do cinema moderno. Amanhã segue a 2ª parte.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (1/3)
Colocado por SoWiFo

terça-feira, agosto 19, 2008

Scott, Crowe, DiCaprio.

Felicitazioni Nanni !

Hoje é o aniversário deste senhor. Já lhe deram os parabens? Um mestre do Cinema Europeu como jà há poucos...


segunda-feira, agosto 18, 2008

Mann, poeta da noite americana




Carpenter - II


"In France, I'm an auteur; in Germany, a filmmaker; in Britain; a genre film director; and, in the USA, a bum."

"When somebody who makes movies for a living -- either as an actor, writer, producer or director -- lives to be a certain age, you have to admire them. It is an act of courage to make a film -- a courage for which you are not prepared in the rest of life. It is very hard and very destructive. But we do it because we love it. Regardless of how bitter I was a few years ago because of my experiences at the studios, I'm still making films."

"Monsters in movies are us, always us, one way or the other. They're us with hats on. The zombies in George Romero's movies are us. They're hungry. Monsters are us, the dangerous parts of us. The part that wants to destroy. The part of us with the reptile brain. The part of us that's vicious and cruel. We express these in our stories as these monsters out there."

Bond Song nº19 - For Your Eyes Only

Em pleno boom dos anos 80, Sheena Easton escreveu a meias com o maestro Bill Conti (Rocky ou The Right Stuff), esta Bond Song, mediana, mas que se ouve bem. À excepção do delirante inicio, o filme tambem não é nada de especial.

sábado, agosto 16, 2008

The Man Who Shot Liberty Valance (1962)

de John Ford


“When the legend becomes fact, print the legend”. Esta frase célebre e milhentas vezes citada, vem quase sempre à baila, cada vez que se fala do cinema de John Ford. E foi em The Man Who Shot Liberty Valance, que pela primeira vez a ouvimos. Mais que uma citação, esta frase é uma súmula da atitude do grande cineasta. Ford, sempre preferiu a visão lírica e romântica do velho Oeste. Neste filme, além dessas característas, surge também um amargo desencanto, pela passagem do tempo que tudo muda. De certa forma, pode-se comprovar que esta obra maior, foi uma das influencias, para o sublime Unforgiven. Também aqui a imprensa tem um papel fulcral, na criação de mitos e lendas que pouca correspondência terão com a realidade dos factos.

Então quem será o Homem Que Matou Liberty Valance? Terá sido o civilizado advogado Ransom Stodard (sublime James Stewart), que apesar da sua inabalável crença na Ordem e na Lei, é forçado a assumir uma posição de violência que o força a um duelo final? Ou o outro homem, um ícone do Oeste por excelência, Tom Doniphon (John Wayne num dos seus papeis mais complexos e doridos), homem de princípios igualmente fortes, que acredita na resolução de problemas através da lei das armas. A resposta é dada num flashback, dentro de um flashback (Ford era apesar do classicismo um cineasta ousado). Ao nos ser revelada a verdade, toda a ultima meia-hora ganha uma ressonância trágica e emocional, como poucas vezes se viu.

E apesar de James Stewart, Edmond O’ Brien ( hilariante como o jornalista alcoólico), Vera Milles, ou Lee Marvin (num papel diabólico e cruel), este filme pertence ao Duke. O seu Tom Doniphon, é o Oeste. E tal como ele perdeu a mulher amada, para Stweart, também o Oeste desaparece numa das sequencias mais doridas e explosivas do cinema de Ford. A sequencia em que Wayne incendeia a sua casa, símbolo de um amor impossível, numa clara manifestação de o final de uma era, é simplesmente vibrante e tocante. O homem Que matou Liberty Valence, ao fazê-lo, matou também o velho Oeste e torna-se anacrónico. Sem lugar num mundo civilizado. Após isso, apenas há lugar para a amargura, tristeza e morte. Não é à toa que o filme começa e acaba com um velório. O velório de Tom Doniphon / John Wayne. Ou será o velório do Western/John Ford?

Uma obra brilhante.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Ford

“Boys; the front office like the rushes. There must be something wrong. We’ll have to keep shooting until we find out what it is…”

"For a director there are commercial rules that it is necessary to obey. In our profession, an artistic failure is nothing; a commercial failure is a sentence. The secret is to make films that please the public and also allow the director to reveal his personality…”

“I didn’t show up at the ceremony to collect any of my first three Oscars. Once I went fishing, another time there was a war on, and on another occasion, I remember, I was suddenly taken drunk…”

“I love making pictures but I don’t like talking about them.”

“When in doubt; make a western…”

terça-feira, agosto 12, 2008

The Bounty (1984)

de Roger Donaldson



Antes de mais esta 3ª versão cinematográfica, da revolta abordo do navio HMS Bounty, é provavelmente a mais realista de todas. Tanto a versão de 1935 como a 1962 são filmes do seu tempo, e optam por um simplismo de personagens, que nesta versão de 1984, é abordada de forma mais complexa e interessante. Tanto Charles Laughton, como Trevor Howard, criaram um Capt. Bligh, cruel, desumano e virtualmente psicótico. O Bligh de Anthony Hopkins, está nos antípodas dessa abordagem. O seu Bligh é leal, sofre, é corajoso, mas no fim é vítima das suas próprias falhas de carácter. É precisamente neste complexo retrato psicológico que reside muita da riqueza deste magnífico filme.

A história por demais conhecida e simples. Em 1787 a Bounty dirige-se às ilhas do Taiti numa longa e perigosa viagem. No regresso a tripulação liderada pelo imediato Roger Christian, amotina-se contra o progressivamente tirânico capitão William Bligh. Enquanto nas outras versões, Bligh e Christian, são inimigos quase de imediato, em The Bounty, descobrimos que há uma amizade que os une. Essa amizade irá progressivamente deteriorar-se com consequencias dramáticas. A causa é o paraíso selvagem e o amor que Christian descobre na Ilha. Bligh cada vez mais incapaz de liderar e controlar os seus homens, enlouquece aos poucos, revelando uma faceta sádica e brutal. Isto causa a revolta liderada por Christian. Bligh é então abondonado à deriva em mar alto. Por fim consegue regressar a Inglaterra, graças a uma grande persistência e pericia marítima. Christian e os seu homens acabam por se refugiar numas ilhas desconhecidas dos mapas.

A direcção de Roger Donaldson ( No Way Out e 13 Days) é eficaz e muito segura. Apesar dos cenários poderem fazer com que caísse na tentação do filme bilhete postal, Donaldson concentra-se nas suas personagens. Os seus dilemas e conflitos, são o cerne do filme. Mel Gibson aguenta muito bem a sua representação, apesar do enorme actor que é Hopkins, lhe roubar quase todas as cenas. O Christian de Gibson é contemplativo e sereno, mas com uma revolta interior latente, que acaba finalmente por explodir, no momento climático do motim. Quanto a Hopkins, que dizer desse Enorme actor, provalmente já na altura um dos melhores do mundo. O seu Bligh oscila entre a simpatia e a crueldade de forma muito humana e verosimil, num trabalho digno de Oscar. Nos secundários, temos um dos melhores casts de sempre, pois alem de Gibson e Hopkins, brilham e destacam-se Laurence Olivier, Edward Fox, Bernard Hill e muito especialmente Liam Neeson e Daniel Day-Lewis em registos que viriam a comprovar o seu enorme talento. Destaque ainda para a magnífica fotografia, a inspirada banda sonora de Vangelis e para os diálogos brilhantes de Robert Bolt (como curiosidade, Bolt era o guionista de eleição do mestre David Lean, que esteve para realizar este filme).

Um filme de aventuras esquecido a redescobrir, por todos aqueles que gostem de vêr enormes actores ao serviço de uma história bem contada.

Carpenter


"I have come here to chew bubblegum and kick ass... and I'm all out of bubblegum."

segunda-feira, julho 21, 2008

Para aqueles que "viveram" os anos 80.

Um blog dedicado exclusivamente, a uma década gloriosa.
Filho dos 80's

"Gary Vicious"

Filme de culto datado de 1985. Sid & Nancy, foi assinado pelo cineasta maldito Alex Cox. Gary Oldman brilha em alta voltagem, num dos seus maiores papéis, na pele de nem mais nem menos, que o baixista dos Sex Pistols, o irrascivel Sid Vicious. Reparem bem na energia visceral deste clip. Brutal! Um filme de culto a (re)descobrir.

domingo, julho 13, 2008

007-Quantum of Solace

Trailer com muito bom aspecto. E pelas imagens, o tom negro e pessimista do anterior, chegou para ficar.

Braveheart (1995)

de Mel Gibson


O épico que pôs o nome de Mel Gibson na lista dos realizadores de sucesso de Hollywood. Gráfico e cru,e ao mesmo tempo romântico e lírico, esta produção de 1995, destaca-se pela imensa paixão que emana do ecrã. O empenho de Mel Gibson em contar a história de William Wallace, o grande herói (a início reluntante) da independência escocesa, é simplesmente notável. O seu personagem emana uma raiva que vem de um interior torturado e amargurado (um pouco como em Mad Max ou Lethal Weapon), onde a única esperança, é um idealismo aguerrido e uma insana fuga para a frente, até libertar a Escócia do seu invasor inglês. Curioso é o facto de as marcas do cineasta já lá estarem todas. Tal como em Passion of The Christ, ou em Apocalypto, as imagens de Braveheart são viscerais, o esquematismo dos vilões é algo básico (especialmente Edward Longshanks) e o herói é um mártir impoluto. Curiosas são também as imagens na terrível sequencia de tortura, onde um plano picado permite uma alusão à cruxificação de Cristo (a que Gibson iria regressar mais tarde noutro filme e de forma muito polémica). É de assinalar a magnifica fotografia de John Toll e a deslumbrante banda sonora de James Horner, sendo o complemento perfeito à visão do realizador. Ou seja, apesar dos seus excessos, Braveheart, é um dos mais conseguidos trabalhos de Mel Gibson, pois a sua paixão pela história e o intenso envolvimento emocional que consegue da parte do espectador, fazem deste filme, um dos mais amados dos últimos 15 anos.

segunda-feira, julho 07, 2008

Relíquia

My Best Friend's Birthday. Que é nem mais nem menos que o primeiríssimo filme de Quentin Tarantino. Interpretado, escrito e realizado pelo próprio. Apesar de algo pobre técnicamente, destacam-se aquele espírito e diálogos Tarantinescos que os seus fãs adoram. 6 anos antes de Reservoir Dogs.

segunda-feira, junho 30, 2008

Filmes da Minha Vida - XI


O ínicio da ascensão de Eastwood ao reino dos autores. Bem, não é bem um ínicio, mas sim uma confirmação. Pois antes tinha havido o tão esquecido Honkytonk Man, que recordo como um dos seus filmes mais luminosos e ao mesmo tempo amargurados. Mas Unforgiven, merece todo o culto que tem à sua volta. Nunca o western foi tão desencantado, poético e seco. É simplesmente um dos retratos mais cruéis da história do cinema. Um caracter studie sem redenção. Aqui o arco do personagem é um arco fatalista, onde a morte é a única verdade na vida de William Munny. E depois Unforgiven está recheado de momentos antológicos. Como aquele diálogo existencialista (mas tão simples) junto a uma árvore. Ou aquela sequência do assassinato de um dos vaqueiros, onde assistimos à dificuldade inerente a tirar uma vida. Ou então, simplesmente aquele olhar do anjo da morte, em que William Munny se tornou, num dos mais terríficos showdowns de qualquer western do cinema. Cru, realista e muito profundo. Um dos filmes maiores de um grande,grande,cineasta.

sábado, junho 21, 2008

Matiné de Sábado

Já lá vão 20 anos, mas este filme tem cojones como mais nenhum! Selvagem, anárquico, cómico, trágico, arrebatador. Salvador, deixa qualquer mariquice feita hoje, a milhas de distancia.

sexta-feira, junho 06, 2008

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