domingo, setembro 07, 2008

O melhor Rourke

A propósito do seu comeback em The Wrestler, não resisto a colocar dois frames do seu melhor trabalho até hoje. Complexa, intensa, raivosa, polémica e torturada, é simplesmente a melhor performance de qualquer actor no cinema dos anos 80. Stanley White em Year of the Dragon.

Leão de Ouro

The Wrestler, de Darren Aronofsky, foi o grande vencedor do festival de Veneza deste ano. Saúde-se o regresso de um dos meus herois de juventude, o grande Mickey Rourke, num papel que se diz assombroso. Assim como o retorno à boa forma e o reconhecimento artístico do brilhante Darren Aronofsky, depois da grande desilusão que foi The Fountain.


terça-feira, setembro 02, 2008

segunda-feira, setembro 01, 2008

Last Action Hero

""What is best in life: Crush your enemies, see them driven before you, and to hear the lamentation of the women!" Conan the Barbarian

"I'm not into politics, I'm into survival" The Running Man

"Oh, you think you're bad, huh? You're a fucking choir boy compared to me! A CHOIR BOY! " The End Of Days

"You're a funny man, Sully, I like you. That's why I'm going to kill you last. " Comando

"You're one... *ugly* motherfucker! " Predator

" I'll be back! Ha! You didn't know I was gonna say that, did you? " Last Action Hero

"Enough talk! " Conan The Destroyer

quinta-feira, agosto 28, 2008

Ray

"If it were all in the script, why make the film?"

"You like these films, but you can't imagine how often they represent only fifty percent of what I wanted to do. You have no idea how I had to fight to achieve even that fifty percent."

"The closer I get to my ending, the closer I am getting to rewriting my beginning."

quarta-feira, agosto 27, 2008

Bigger Than Life (1956)

de Nicholas Ray


Cada vez gosto mais de Nicholas Ray. Não há volta a dar. A cada filme que vejo, mais me convenço que o homem era mesmo um grandíssimo cineasta. Em fase de descoberta da sua obra, eis que revejo Bigger Than Life. Um filme que tinha visto na minha infancia, numa matiné de domingo na rtp. Na altura o filme impressionou-me pelo medo que me causou. Nunca tinha visto nada assim, pois não haviam nem monstros, nem aliens, nem nada de paranormal. O medo, provinha de dentro da familia, na figura do habitual protector, o pai (outro retrato semelhante é o de Jack Nicholson em The Shinning). Agora passado uns aninhos, já consigo perceber o que mexeu tanto comigo na altura em que vi esta obra-prima.

Sufocante e negro, nunca a revolta e a desintegração de um homem, foi tão sublime e perturbante como neste subversivo Bigger Than Life de Nicholas Ray. O realizador, famoso pelos seus "rebeldes sem causa", tem aqui mais um brilhante exercício de cinema total, em que exprime as suas ideias de rebeldia, camuflado pelo sub-género do melodrama. A inicio parece que estamos em terrenos de Douglas Sirk, com a famila feliz, com os seus bens materiais e estabilidade financeira, onde aparentemente tudo são rosas. Mas cedo nos apercebemos, que estamos em terrenos de Ray, que tem nesta obra um exercicio de explosão e crítica à conformidade e a falsa felicidade, de um certo "american way of life" da altura.

O veículo para essa explosão, é o torturado personagem de Mason, que se apresenta a inicio, completamente esmagado pela sociedade em que se insere. Dá a impressão que a revolta de Mason, não advem das drogas que toma, mas sim de uma frustrações e tensões mais ou menos óbvias. Seja a relação com a sua submissa mulher (Barbara Rush), a pressão de manter um american way of life que o obriga a manter dois empregos (com o desconhecimento da mulher) ou um filho obviamente estereotipado quase acéfalo. James Mason, num retrato insuperável de demência e não-conformidade, é inesquécivel no papel de um homem que devido à sua "habituação" a uma droga experimental (na altura), chamada cortisona, explode contra o puritanismo e o politicamente correcto da América dos anos 50.

Brilhante Ray, no uso inspirado do Scope´, na composição de planos com tanto de belo como de expressionista (a famosa e ameaçadora sombra "bigger than life" de Mason), num uso de côr deslumbrante e na encenação de cenas aparentemente mundanas, mas que transmitem uma tensão em surdina quase insuportável de tão sufocante. Nunca um copo de leite foi tão perturbante, nem mesmo em Notorious. Ou então que dizer das cenas finais em que no cumulo da sua loucura, Mason, emulando a história de Abraão pega num par de tesouras e numa bíblia, disposto a chacinar o seu filho. A sua mulher ao confrontá-lo dizendo-lhe que de acordo com a bíblia, Deus salvou o filho de Abrão, a resposta é aterradora: "god was wrong". Isto sim é terror. Um terror sublime, que funciona a vários níveis e onde estranhamente simpatizamos com a revolta do protagonista. Ou será antagonista ?

sábado, agosto 23, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 3)

3ª e ultima parte. Aqui são analisados Heat e The Insider, duas das obras-primas do cinema de Mann.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (3/3)
Enviado por SoWiFo

sexta-feira, agosto 22, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 2)

Nesta 2ª parte. estão em análise, Manhunter, Last of the Mohicans e Heat. Amanhã, coloco a 3ª e última parte, desta belissima retrospectiva sobre a obra de Michael Mann.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (2/3)
Enviado por SoWiFo

quinta-feira, agosto 21, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 1)

Michael Mann, um dos cineastas que mais aprecio e admiro e que felizmente começa finalmente a ser reconhecido pela crítica, como um dos grandes mestres do cinema moderno. Amanhã segue a 2ª parte.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (1/3)
Colocado por SoWiFo

terça-feira, agosto 19, 2008

Scott, Crowe, DiCaprio.

Felicitazioni Nanni !

Hoje é o aniversário deste senhor. Já lhe deram os parabens? Um mestre do Cinema Europeu como jà há poucos...


segunda-feira, agosto 18, 2008

Mann, poeta da noite americana




Carpenter - II


"In France, I'm an auteur; in Germany, a filmmaker; in Britain; a genre film director; and, in the USA, a bum."

"When somebody who makes movies for a living -- either as an actor, writer, producer or director -- lives to be a certain age, you have to admire them. It is an act of courage to make a film -- a courage for which you are not prepared in the rest of life. It is very hard and very destructive. But we do it because we love it. Regardless of how bitter I was a few years ago because of my experiences at the studios, I'm still making films."

"Monsters in movies are us, always us, one way or the other. They're us with hats on. The zombies in George Romero's movies are us. They're hungry. Monsters are us, the dangerous parts of us. The part that wants to destroy. The part of us with the reptile brain. The part of us that's vicious and cruel. We express these in our stories as these monsters out there."

Bond Song nº19 - For Your Eyes Only

Em pleno boom dos anos 80, Sheena Easton escreveu a meias com o maestro Bill Conti (Rocky ou The Right Stuff), esta Bond Song, mediana, mas que se ouve bem. À excepção do delirante inicio, o filme tambem não é nada de especial.

sábado, agosto 16, 2008

The Man Who Shot Liberty Valance (1962)

de John Ford


“When the legend becomes fact, print the legend”. Esta frase célebre e milhentas vezes citada, vem quase sempre à baila, cada vez que se fala do cinema de John Ford. E foi em The Man Who Shot Liberty Valance, que pela primeira vez a ouvimos. Mais que uma citação, esta frase é uma súmula da atitude do grande cineasta. Ford, sempre preferiu a visão lírica e romântica do velho Oeste. Neste filme, além dessas característas, surge também um amargo desencanto, pela passagem do tempo que tudo muda. De certa forma, pode-se comprovar que esta obra maior, foi uma das influencias, para o sublime Unforgiven. Também aqui a imprensa tem um papel fulcral, na criação de mitos e lendas que pouca correspondência terão com a realidade dos factos.

Então quem será o Homem Que Matou Liberty Valance? Terá sido o civilizado advogado Ransom Stodard (sublime James Stewart), que apesar da sua inabalável crença na Ordem e na Lei, é forçado a assumir uma posição de violência que o força a um duelo final? Ou o outro homem, um ícone do Oeste por excelência, Tom Doniphon (John Wayne num dos seus papeis mais complexos e doridos), homem de princípios igualmente fortes, que acredita na resolução de problemas através da lei das armas. A resposta é dada num flashback, dentro de um flashback (Ford era apesar do classicismo um cineasta ousado). Ao nos ser revelada a verdade, toda a ultima meia-hora ganha uma ressonância trágica e emocional, como poucas vezes se viu.

E apesar de James Stewart, Edmond O’ Brien ( hilariante como o jornalista alcoólico), Vera Milles, ou Lee Marvin (num papel diabólico e cruel), este filme pertence ao Duke. O seu Tom Doniphon, é o Oeste. E tal como ele perdeu a mulher amada, para Stweart, também o Oeste desaparece numa das sequencias mais doridas e explosivas do cinema de Ford. A sequencia em que Wayne incendeia a sua casa, símbolo de um amor impossível, numa clara manifestação de o final de uma era, é simplesmente vibrante e tocante. O homem Que matou Liberty Valence, ao fazê-lo, matou também o velho Oeste e torna-se anacrónico. Sem lugar num mundo civilizado. Após isso, apenas há lugar para a amargura, tristeza e morte. Não é à toa que o filme começa e acaba com um velório. O velório de Tom Doniphon / John Wayne. Ou será o velório do Western/John Ford?

Uma obra brilhante.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Ford

“Boys; the front office like the rushes. There must be something wrong. We’ll have to keep shooting until we find out what it is…”

"For a director there are commercial rules that it is necessary to obey. In our profession, an artistic failure is nothing; a commercial failure is a sentence. The secret is to make films that please the public and also allow the director to reveal his personality…”

“I didn’t show up at the ceremony to collect any of my first three Oscars. Once I went fishing, another time there was a war on, and on another occasion, I remember, I was suddenly taken drunk…”

“I love making pictures but I don’t like talking about them.”

“When in doubt; make a western…”

terça-feira, agosto 12, 2008

The Bounty (1984)

de Roger Donaldson



Antes de mais esta 3ª versão cinematográfica, da revolta abordo do navio HMS Bounty, é provavelmente a mais realista de todas. Tanto a versão de 1935 como a 1962 são filmes do seu tempo, e optam por um simplismo de personagens, que nesta versão de 1984, é abordada de forma mais complexa e interessante. Tanto Charles Laughton, como Trevor Howard, criaram um Capt. Bligh, cruel, desumano e virtualmente psicótico. O Bligh de Anthony Hopkins, está nos antípodas dessa abordagem. O seu Bligh é leal, sofre, é corajoso, mas no fim é vítima das suas próprias falhas de carácter. É precisamente neste complexo retrato psicológico que reside muita da riqueza deste magnífico filme.

A história por demais conhecida e simples. Em 1787 a Bounty dirige-se às ilhas do Taiti numa longa e perigosa viagem. No regresso a tripulação liderada pelo imediato Roger Christian, amotina-se contra o progressivamente tirânico capitão William Bligh. Enquanto nas outras versões, Bligh e Christian, são inimigos quase de imediato, em The Bounty, descobrimos que há uma amizade que os une. Essa amizade irá progressivamente deteriorar-se com consequencias dramáticas. A causa é o paraíso selvagem e o amor que Christian descobre na Ilha. Bligh cada vez mais incapaz de liderar e controlar os seus homens, enlouquece aos poucos, revelando uma faceta sádica e brutal. Isto causa a revolta liderada por Christian. Bligh é então abondonado à deriva em mar alto. Por fim consegue regressar a Inglaterra, graças a uma grande persistência e pericia marítima. Christian e os seu homens acabam por se refugiar numas ilhas desconhecidas dos mapas.

A direcção de Roger Donaldson ( No Way Out e 13 Days) é eficaz e muito segura. Apesar dos cenários poderem fazer com que caísse na tentação do filme bilhete postal, Donaldson concentra-se nas suas personagens. Os seus dilemas e conflitos, são o cerne do filme. Mel Gibson aguenta muito bem a sua representação, apesar do enorme actor que é Hopkins, lhe roubar quase todas as cenas. O Christian de Gibson é contemplativo e sereno, mas com uma revolta interior latente, que acaba finalmente por explodir, no momento climático do motim. Quanto a Hopkins, que dizer desse Enorme actor, provalmente já na altura um dos melhores do mundo. O seu Bligh oscila entre a simpatia e a crueldade de forma muito humana e verosimil, num trabalho digno de Oscar. Nos secundários, temos um dos melhores casts de sempre, pois alem de Gibson e Hopkins, brilham e destacam-se Laurence Olivier, Edward Fox, Bernard Hill e muito especialmente Liam Neeson e Daniel Day-Lewis em registos que viriam a comprovar o seu enorme talento. Destaque ainda para a magnífica fotografia, a inspirada banda sonora de Vangelis e para os diálogos brilhantes de Robert Bolt (como curiosidade, Bolt era o guionista de eleição do mestre David Lean, que esteve para realizar este filme).

Um filme de aventuras esquecido a redescobrir, por todos aqueles que gostem de vêr enormes actores ao serviço de uma história bem contada.

Carpenter


"I have come here to chew bubblegum and kick ass... and I'm all out of bubblegum."

segunda-feira, julho 21, 2008

Para aqueles que "viveram" os anos 80.

Um blog dedicado exclusivamente, a uma década gloriosa.
Filho dos 80's

"Gary Vicious"

Filme de culto datado de 1985. Sid & Nancy, foi assinado pelo cineasta maldito Alex Cox. Gary Oldman brilha em alta voltagem, num dos seus maiores papéis, na pele de nem mais nem menos, que o baixista dos Sex Pistols, o irrascivel Sid Vicious. Reparem bem na energia visceral deste clip. Brutal! Um filme de culto a (re)descobrir.

domingo, julho 13, 2008

007-Quantum of Solace

Trailer com muito bom aspecto. E pelas imagens, o tom negro e pessimista do anterior, chegou para ficar.

Braveheart (1995)

de Mel Gibson


O épico que pôs o nome de Mel Gibson na lista dos realizadores de sucesso de Hollywood. Gráfico e cru,e ao mesmo tempo romântico e lírico, esta produção de 1995, destaca-se pela imensa paixão que emana do ecrã. O empenho de Mel Gibson em contar a história de William Wallace, o grande herói (a início reluntante) da independência escocesa, é simplesmente notável. O seu personagem emana uma raiva que vem de um interior torturado e amargurado (um pouco como em Mad Max ou Lethal Weapon), onde a única esperança, é um idealismo aguerrido e uma insana fuga para a frente, até libertar a Escócia do seu invasor inglês. Curioso é o facto de as marcas do cineasta já lá estarem todas. Tal como em Passion of The Christ, ou em Apocalypto, as imagens de Braveheart são viscerais, o esquematismo dos vilões é algo básico (especialmente Edward Longshanks) e o herói é um mártir impoluto. Curiosas são também as imagens na terrível sequencia de tortura, onde um plano picado permite uma alusão à cruxificação de Cristo (a que Gibson iria regressar mais tarde noutro filme e de forma muito polémica). É de assinalar a magnifica fotografia de John Toll e a deslumbrante banda sonora de James Horner, sendo o complemento perfeito à visão do realizador. Ou seja, apesar dos seus excessos, Braveheart, é um dos mais conseguidos trabalhos de Mel Gibson, pois a sua paixão pela história e o intenso envolvimento emocional que consegue da parte do espectador, fazem deste filme, um dos mais amados dos últimos 15 anos.

segunda-feira, julho 07, 2008

Relíquia

My Best Friend's Birthday. Que é nem mais nem menos que o primeiríssimo filme de Quentin Tarantino. Interpretado, escrito e realizado pelo próprio. Apesar de algo pobre técnicamente, destacam-se aquele espírito e diálogos Tarantinescos que os seus fãs adoram. 6 anos antes de Reservoir Dogs.

segunda-feira, junho 30, 2008

Filmes da Minha Vida - XI


O ínicio da ascensão de Eastwood ao reino dos autores. Bem, não é bem um ínicio, mas sim uma confirmação. Pois antes tinha havido o tão esquecido Honkytonk Man, que recordo como um dos seus filmes mais luminosos e ao mesmo tempo amargurados. Mas Unforgiven, merece todo o culto que tem à sua volta. Nunca o western foi tão desencantado, poético e seco. É simplesmente um dos retratos mais cruéis da história do cinema. Um caracter studie sem redenção. Aqui o arco do personagem é um arco fatalista, onde a morte é a única verdade na vida de William Munny. E depois Unforgiven está recheado de momentos antológicos. Como aquele diálogo existencialista (mas tão simples) junto a uma árvore. Ou aquela sequência do assassinato de um dos vaqueiros, onde assistimos à dificuldade inerente a tirar uma vida. Ou então, simplesmente aquele olhar do anjo da morte, em que William Munny se tornou, num dos mais terríficos showdowns de qualquer western do cinema. Cru, realista e muito profundo. Um dos filmes maiores de um grande,grande,cineasta.

sábado, junho 21, 2008

Matiné de Sábado

Já lá vão 20 anos, mas este filme tem cojones como mais nenhum! Selvagem, anárquico, cómico, trágico, arrebatador. Salvador, deixa qualquer mariquice feita hoje, a milhas de distancia.

sexta-feira, junho 06, 2008

quarta-feira, maio 28, 2008

Filmes da Minha Vida - X

Este drama sobre o veterano da guerra do Vietname, Ron Kovic, é um dos filmes mais trágicos de sempre e um dos trabalhos maiores de Oliver Stone. Começando na juventude de Kovic, seguindo sem concessões a sua queda, e finalmente assistindo ao seu renascimento como activista político. A sombra da tragédia está omnipresente em todo o filme, mas com um volte face final de alguma esperança. A realização hiper-realista de Stone é surpreendente e visceral. Quanto ao actor principal, não hesito em dizer, que a par de Magnolia, esta é para mim, a maior interpretação da carreira de Tom Cruise. A sua composição de Kovic, é de um rigor, dor e intensidade, como raramente se assistiu em cinema. Uma entrega total, merecedora do Oscar que lhe foi recusado. E finalmente uma palavra de apreço para uma das melhores bandas sonoras do mestre John Williams. Um dos melhores e mais dramáticos filmes a que ja pude assistir. Este é o Oliver Stone que me faz amar o cinema: agitando consciencias, revolvendo os nossos sentimentos e fazendo-nos deslumbrar com o poder da 7ª arte.

terça-feira, maio 27, 2008

R.I.P. Sidney Pollack

1934-2008
Não era nenhum génio, mas os seus filmes traziam sempre a sua marca autoral e o seu gosto por histórias simples e bem contadas. Dando preferencia a narrativas mais intimistas, ambientadas geralmente nos territórios do thriller (Random Hearts ou The Interpreter), assinou ainda o oscarizado Out Of Africa e o emocionante 3 Days of The Condor. Ultimamente brilhou como actor em Eyes Wide Shut ou em Michael Clayton. Mais um dos grandes nomes do cinema americano, que se junta à triste lista negra dos que nos deixaram neste 2008

sábado, maio 24, 2008

THE END - Parte 2

O final de um dos filmes mais amados da história do cinema. Actuações sublimes e com uma carga emocional comovente. Nunca uma praia foi tão bela como naquelas imagens finais ...

terça-feira, maio 20, 2008

WTF ???

No novo (velho) Indy, Harrison Ford enfrenta Comunistas e Aliens(???).
Será que li bem a crítica do Eurico de Barros?

Se o CGI já me deixava de pé atrás, então esta premissa foleira deixa-me realmente apreensivo. Espero que Spielberg não desiluda.


domingo, maio 18, 2008

Youth Without Youth (2007)

de Francis Ford Coppola


Francis Ford Coppola foi em tempos, o mais brilhante e irreverente, dos jovens turcos da Nova Hollyood. Os seus filmes eram sucessos esmagadores tanto de bilheteira como de crítica, sendo os Padrinhos e Apocalypse Now, exemplos perfeitos da sua mestria cinematográfica. Mas Coppola sempre foi um megalómano. E foi essa megalomania, que quase o arruína com flops como Do Fundo do Coração ou Cotton Club. Financeiramente ferido, o cineasta tenta reconstruir a sua carreira com filmes, mais ligeiros como Peggy Sue Casou-se, Jack ou The Rainmaker. E acontece então uma pausa. Pausa que dura 10 anos, precisamente até este Segunda Juventude.

Esta é a história de Dominic Matei, que atingido por um raio começa a rejuvenescer, e a descobrir que possui estranhos poderes. Os nazis apercebendo-se disso, procuram-no e Dominic é obrigado a exilar-se. Conhece então uma rapariga que parece sêr a reencarnação de um amor antigo. Com temas como a juventude eterna, ou a transmigração das almas o filme sofre de excesso de ambição, e a história é por vezes algo inverosímil. Se a inicio Coppola está fascinado com a incrível situação do seu protagonista, a meio do filme, parece mudar de ideias e dedica-se exclusivamente à história de amor, lembrando-se a 10 minutos do fim, de voltar a martelo ao tema do rejuvenescimento. Supostamente inesperados, esses 10 minutos finais, são involuntariamente previsíveis e maçadores. Em verdade, o ponto forte de Segunda Juventude, é mesmo a história de amor eterno. Aí Coppola, brilha e mostra todo o seu imenso talento. Seja na direcção de actores, seja na encenação. Um destaque para Tim Roth, que vai muito bem no papel de Dominic, e aguenta o peso de uma personagem complexa.

Francis F. Coppola continua talentoso e disposto a correr riscos. E só isso já é de saudar. Mas neste filme parece ter havido um caso de “mais olhos que barriga.” Ou se preferirem de megalomania.

sexta-feira, maio 16, 2008

Memorável

Silvio Dante: "A lot of top guys have dark moods. That Winston Churchill drank a quart of brandy before breakfast. Napoleon, he was a moody fuck, too. "

Bobby Baccalieri: "To the victor belongs the spoils."
Tony Soprano: "Why don't you get the fuck out of here before I shove your quotation book up your fat fucking ass."

Paulie Walnuts: He had two ass holes when they buried him...

Ralphie Ciferetto: Look at Kirk Douglas’ fucking hair? They did not have flattops in enchant Rome!

Carmella Soprano: You know, Tony, it's a multiple choice thing with you. 'Cause I can't tell if you're old-fashioned, you're paranoid, or just a fucking asshole.

Christopher Moltisanti: This ain't negotiation time. This is Scarface, final scene, fuckin' bazookas under each arm.

Uncle Junior: My father told me to never get old, I should of listened to him

Tony Soprano: "I didn't just meet you, I've known you my whole fucking life!"

terça-feira, maio 13, 2008

Absolutamente de acordo!

"In our culture of hype, the currency of praise has been so de-valued that no one credits it, even when deserved. The truth is, The Sopranos, whether in one-hour shots, 13-hour seasonal chunks, or the 86-hour long-form marathon—however you want to take it—is one of the masterpieces of American popular culture, on a par with the first two Godfathers, Mean Streets, and GoodFellas—the classics of Mob cinema—or even European epics such as Luchino Visconti's The Leopard, Bernardo Bertolucci's Novecento, or, as the late New York Times critic Vincent Canby first claimed, Rainer Werner Fassbinder's monumental 15½-hour Berlin Alexanderplatz, all of which The Sopranos dwarfs in terms of length, if not scope. New York's Museum of Modern Art honored The Sopranos in February 2001, when the senior film curator, Laurence Kardish, showed the first two seasons, along with a couple of films that influenced the show—including a Laurel and Hardy picture, Saps at Sea. This was the first time an American dramatic series for television had been shown at the museum. Kardish calls the show "an extraordinary blend of great psychological insight and social cartography, zany as well as poignant and resonant." No less an authority than Norman Mailer recently gave The Sopranos high praise indeed when he favorably compared the depth of its characterizations to that achieved in novels."
In Vanity Fair

domingo, maio 04, 2008

sexta-feira, maio 02, 2008

Reds (1981)

de Warren Beatty



Reds é antes de mais, um dos mais ambiciosos, arriscados e improváveis filmes, alguma vez feitos em Hollywood. A sua feitura apenas foi possível devido à persistência e ao star-power de uma das suas maiores estrelas, Warren Beatty de seu nome. O financiamento para a realização de um épico sobre um líder comunista, autor de um dos livros mais fieis aos acontecimentos da Revolução Russa e o único americano sepultado no Kremlin, revelou-se uma tarefa quase impossivel. Especialmente tendo em conta o fervor anti-comunista, que reinava na altura numa América em plena Guerra Fria. Mas a tenacidade de Beatty levou a melhor, conseguindo o apoio da Paramount, e assegurando um controlo criativo total, interpretando, realizando, escrevendo e produzindo o filme. Após dois anos de rodagem e montagem, o filme estreava finalmente em 81. Imediatamente afirmou-se como um grande sucesso nas bilheteiras, e um dos filmes mais nomeados na história dos Oscars (13 nomeações, sendo 4 para Beatty, que igualou assim Orson Welles). Ou seja Reds torna-se um triunfo artístico e comercial sem precedentes na carreira do seu autor.

Abordando as ilusões e desilusões inerentes às utopias, a história de amôr de John Reed (Beatty) pela ideologia comunista, assim como pela mulher da sua vida, Louise Bryant, é contada de forma original, complexa e muitíssimo eficaz. A narrativa gira em torno da relação entre Reed e Bryant, dois intelectuais radicais, que com uma relação no mínimo tumultuosa (com infedelidades de parte a parte), reencontram o amor no mais surpreendente dos cenários, em plena Revolução Russa. A partír daí, Reed e Bryant regressam ao Estados Unidos, tentando espalhar a mensagem aquilo que viram na Russia, na esperança de assim agitar, e eventualmente revolucionar a sociedade americana. Reed acaba mesmo por abandonar o jornalismo e converte-se num dos primeiros líderes do partido comunista americano. Mas essa conversão irá fazê-lo regressar à Russia, deixando Louise para trás.

Vários são os momentos em que Reed, procura equilibrar o colectivo com o pessoal. A sua ideologia e o afecto. Mas esse equilibrio revela-se impossivel num estado totalitário. E esse é uma das maiores virtudes desta obra apaixonante: apesar de Beatty sentir uma óbvia simpatia para com a utopia comunista, há uma altura que o seu protagonista é forçado a constatar que o sonho se tornou um pesadelo. Um exemplo marcante, é o discurso que Reed faz para uma plateia de radicais muçulmanos, onde vê as suas palavras traduzidas de “guerra de classes” para “guerra santa” criando assim uma histeria eufórica na sua audiencia. Mais tarde é lhe dito que o seu discurso foi alterado, por não ser propagandistico o suficiente. Além de actualissima, essa cena revela toda a manipulação que o indivíduo sonhadôr, pode sofrer num colectivo que se rege de forma totalitária. Ou seja Beatty dá uma no cravo e outra na ferradura. E muito bem! Nunca negando a complexidade e a veracidade do tema que aborda, perservando a integridade da obra. E que dizêr daquele reencontro final na estação, em que uma ansiosa Louise Bryant, que após regressar à Rússia clandestinamente, finalmente encontra um destroçado Reed, criando um dos momentos mais comoventes a que assisti num filme. Além do mais, a história de amôr entre os protagonistas é palpável e nunca é abordada de forma sentimental, o que só lhe dá mais força.

E depois Beatty, tem outro momento inspirado. Convocando para este épico intimista, aquelas deliciosas “testemunhas” idosas. Escritores, intelectuais, militares, que conheceram e privaram de perto, com os verdadeiros John Reed e Loise Bryant. As suas intervenções ao longo do filme, narrando as suas experiencias conjuntas, são de uma candura, verdade e humor, simplesmente desarmantes Esta técnica documental, reforça a autenticidade de Reds, e dá uma ressonância singular às imagens que vemos. E claro que falar de Reds, é falar daquele cast portentoso onde brilham a grande altura Maureen Stapelton (com um oscar mais que merecido), Jerry Kozinski, Gene Hackman e Jack Nicholson (num surpreendente underacting). E as imagens que Vitorio Storaro criou? Que dizer daquelas composições inesquéciveis, ou do tratamento cromático, que nos dá a sensação de vêr um filme a preto e branco? O seu oscar é também inteiramente justo.

Tudo neste filme se conjuga de forma perfeita. Arte, entretenimento, política, amor, História. Reds é a prova que Warren Beatty por detrás daquela fama de galã de Hollywood, é antes demais, um cineasta de um talento e coragem imensas. Um dos grandes grandes filmes da minha vida.

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