domingo, janeiro 04, 2009

Sideways (2004)

de Alexander Payne

Alexander Payne, revela-se a cada filme que faz, um dos grandes cineastas especialistas na comédia dramática. É neste momento a par de Wes Anderson ou Paul Thomas Anderson, a grande certeza da nova vaga do cinema norte-americano. Os personagens de Payne, são homens de meia-idade que ultrapassados e esmagados por um tempo perdido, têm que descobrir em si mesmos uma forma de retomar a vida e ultrupassar o fracasso(About Schmidt e Election). É esse o caso de Miles (brilhante Giamati) que após um traumático divorcio e uma carreira de escritor que teima em não arrancar, viaja com o seu amigo prestes a casar (Hayden Church), numa odisseia de jantares, mulheres e bons vinhos. O guião de Payne é genial, transmitindo a amargura e a sensibilidade destes personagens tão especiais, utilizando por exemplo de forma particularmente astuta as metáforas sobre vinhos, que Miles tanto aprecia, para nos revelar o interior dos seus personagens (a analogia do Pinot Noir). E depois temos Paul Giamati, o mais improvável dos heróis românticos, que consegue tornar o seu Miles num personagem pelo qual nutrimos uma enorme simpatia e que transmite-nos momentos tocantes sem nunca cair em sentimentalismos. Com personagens memoráveis, um guião brilhante e uma realização segura, Sideways é um dos grandes filmes da colheita de 2004, para degustar e saborear vezes sem conta, tal como um bom vinho.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

O Filme perfeito para a Passagem de Ano


Aproveito e desejo um 2009 em grande para todos vós, com muitos filmes e bom cinema !

terça-feira, dezembro 30, 2008

Os Grandes de 2008

Haverá Sangue
Retrato impiedoso sobre a desintegração da humanidade de um monstruoso Daniel Day Lewis, num dos filmes mais desconcertantes de sempre. A consagração absoluta do grande cineasta do sec XXI: Paul Thomas Anderson


Tropa de Elite
Realista, cru, polémico, intenso e duro, é um dos mais complexos filmes alguma vez feitos sobre o combate à criminalidade. Prémio em Berlim justíssimo e um dos grande filmes do ano!



Antes que o Diabo Saiba que Morreste
Surpresa arrepiante. Para aqueles que pensavam que a carreira de Lumet tinha acabado, este filme demonstra o contrário e de que maneira! Ainda para mais servido por actores enormes e um dos melhores guiões de que me lembro. De mestre!

Nome de Código: Cloverfield
A ousadia do conceito, assim como a sua irrepreensivel realização, desculpam o facto de este sêr no fundo um monster movie. A encenação claustrofóbica e inspirada fazem deste um filme incontornável de 2008.

The Lovebirds
É verdade, no meu apanhado de 2008 temos direito a um filme luso. The Lovebirds, é um dos mais arriscados e bem conseguidos filmes nacionais de que me lembro. A honestidade, simplicidade e coragem de Bruno De Almeida fazem deste filme um marco a ser descoberto...em Dvd.

Desilusões 2008

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


Spielberg fez o que parecia impossivel... um mau filme! Contaminado pelas ideias questionáveis do seu amigo Lucas, o cineasta tornou o maior heroi de sempre do cinema, numa caricatura às voltas com um enredo patético e em situações embaraçosas. Sem dúvida a desilusão do ano e o pior filme de um cineasta enorme.

007 – Quantum of Solace


Depois da humanização em Casino Royale, este Bond é um passo atrás. Aqui assistimos a um 007 em modo Terminator, em que o que importa é o boddy count. Sem a mínima espessura dramática que segure a narrativa e com Marc Foster completamente às aranhas. Salva-se Craig, mas mesmo assim é muito pouco.




w.

Um retrato anémico e frouxo, de um personagem que tem sumo para muito mais! Este filme não é do Oliver Stone que tanto admiro. Após a desilusão que foi WTC, este é o 2º ano consecutivo em que o good old Oliver me desilude. Será da idade? Espero que não.


segunda-feira, dezembro 15, 2008

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Auto-retrato de um Génio

Sempre quero vêr quem é que advinha o nome deste "rapaz". Uma pista, foi um dos maiores cineastas de sempre ...

quinta-feira, novembro 27, 2008

Conhecem estes senhores?

Muita muita expectativa, para este filme que promete sêr a grande estreia de 2009 (como é o caso de todos os filmes daquele senhor de óculos e cabelo branco)!

terça-feira, novembro 25, 2008

O filme final do actor Clint Eastwood

(acerca de Gran Torino)

"That will probably do it for me as far as acting is concerned," Eastwood said today, though added that he would continue to direct and produce films.

"You always want to quit while you are ahead," he said. "You don't want to be like a fighter who stays too long in the ring until you're not performing at your best."
Clint Eastwood

segunda-feira, novembro 24, 2008

"Subjectividades"

A propósito deste post do Cinema Is my Life, onde fiquei a par de uma votação feita pela Empire Online, onde o objectivo foi eleger o melhor personagem de sempre da 7ª arte. Pois bem os resultados puseram a nu a fraca cultura cinéfila que reina na net. Então não é que o nº1 eleito foi Tyler Durden (e eu adoro o Fight Club) e o 3º foi o Joker de Heath Ledger? Pois é! Estes papéis ficaram à frente de figuras como Don Vitto Corleone, Travis Bickle, Jake La La Motta, Stan Kowalksi, Reth Buttler, Rick Blaine, Tony Montana e entre muitos outros. Acho que é quase um ... não é mesmo... é um sacrilégio cinematográfico! Fez-me lembrar uma lista que foi feita à um tempo atrás onde os votantes escolheram como melhor actor britânico de sempre o grande...Orlando Bloom (!!!). A internet tem destas..."subjectividades".

007 - Quantum Of Solace (2008)


de Marc Forster

Têm criticado este filme de acção por se colar em demasia à triologia Bourne e diga-se que é uma crítica justa. Quantum of Solace não existiria com esta forma, se não fossem os filmes de Paul Greengrass, o que não deixa de sêr curioso, uma vez que as aventuras de Jason Bourne vinham beber muito aos filmes do mais famoso espião do cinema. Daniel Craig continua bem, seco, duro e com uma presença física impressionante, o seu James Bond é mais assassino e menos aquele espião de BD a que ultimamente assistiamos. Mas apesar de Craig, desta vez o filme falha no capítulo do argumento. Nem Paul Haggis conseguiu milagres, uma vez que o guião parece ter sido escrito em piloto automático, com as cenas de acção a sucederem-se umas a seguir ás outras e com pouquissimo sumo dramático entre elas (essa era uma das várias virtudes de Casino Royale ), pois o arco de vingança que supostamente é a motivação de Bond, é explorado demasiado timidamente. O que sobra é um filme de acção empolgante a espaços, com um excelente Bond, mas nas mãos de um realizador desinspirado e algo copião (até temos perseguições em telhados como em Bourne Ultimatium), que não consegue deixar nenhuma marca especial no franchising de 007. Uma nota ainda para a canção de Jack White e Alicia Keys, descaracterizada e sem alma, muito longe do rico legado musical de Bond e que se aproxima do péssimo contributo de Madonna (Die Another Day) e afasta-se do excelente Chris Cornell (You Know My Name).

domingo, novembro 23, 2008

Star Trek...versão J.J. Abrahams

Confesso que estou curioso para vêr o resultado...

Tropa de Elite (2007)

de José Padilha

Vencedor surpresa do ultimo Festival de Berlim, Tropa de Elite é mais uma prova da imensa vitalidade do cinema brasileiro actual. Controversa e polémica, esta magnífica obra foi acusada injustamente de fascista, uma vez que o retrato que faz dos BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) não os condena e observa com justeza as suas acções. A polémica foi tal, que o seu realizador, José Padilha, teve de vir a público defender-se: “Acreditar que eu apoio as práticas do BOPE por ter feito Tropa de Elite faz tanto sentido quanto acusar Francis Ford Coppola de ligações com a Máfia por ter dirigido O Padrinho.” E polémicas à parte, Tropa de Elite tem a grande virtude de recusar facilitismos ou maniqueísmos. Tanto criminosos como policias, caem numa espiral de violência sem limite e ambos os lados são condenáveis. A cena final é uma das mais brutais e nilistas do cinema dos últimos anos e nela esta a chave para a ambiguidade da “mensagem” de Padilha. Ou seja, numa guerra não se fazem prisioneiros, e é de uma guerra que se trata, quando o tema é o combate à criminalidade brasileira. Filmado com uma estética realista e crua, Tropa de Elite tem também uma memória cinéfila, pois está recheado de referências filmicas, com um especial destaque para Full Metal Jacket de Kubrick. De louvar ainda o trabalho intenso de Wagner Moura, que compõe um capitão do BOPE torturado e complexo, numa interpretação verdadeiramente arrepiante. Depois do sucesso estrondoso de A Cidade De Deus, Tropa de Elite é mais uma prova da excelência e pertinência do cinema brasileiro e não me admirava que também fosse nomeado para os Oscars. Um dos grandes filmes do ano que passou e um exemplo que o cinema português poderia seguir.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Grandes Planos apresenta...THE WRESTLER!

O Filme do ano? Avé Mickey!

quinta-feira, novembro 20, 2008

Para lá de Bond ...

Este trailer promete. Parece que será com Defiance que Edward Zwick regressará à boa forma de Glory. Para isso tem a ajuda de Daniel Craig e da fotografia do "nosso" Eduardo Serra.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Husbands and Wives (1992)

de Woody Allen

Filmado e encenado como se de um documentário tratasse, Husbands and Wives é um dos mais amargos e sérios filmes da carreira do grande Woody Allen. Rodado em pleno auge do colapso matrimonial do realizador, esta obra possuiu uma energia frenética e um tom tão pessimista, que após o seu visionamento ficamos com uma sensação que na sociedade moderna já não há espaço para as relações amorosas tradicionais. O ponto de vista de Allen além de pessimista (um reflexo da sua própria crise pessoal na altura) é algo cruel e moral (sem sêr moralista), pois através dele, conseguimos vêr o quão frágeis e por vezes rídiculas, podem sêr as relações entre homem e mulher. E depois temos aquele naipe sublime de magníficos actores, como a habitual Mia Farrow, Judy Davis, Sidney Pollack, Julliete Lewis e Liam Neeson, todos num registo naturalista tão verdadeiro, que tornam o visionamento deste filme, uma experiencia absorvente, fascinante e algo diferente de tudo o que Woody tinha feito até então. Um retrato desencantado e inspiradíssimo que marcou um momento de viragem na carreira de um dos maiores realizadores norte-americanos.

domingo, novembro 16, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008

W. (2008)

de Oliver Stone

Desilusão, é a palavra que me vem constantemente à cabeça sempre que penso neste W. Infelizmente, Oliver Stone apesar de continuar com um bom ritmo narrativo, perde-se na vida incompreendida que é a da George W. Bush. No seu excesso de zelo para fazer um retrato justo do homem, o cineasta omite e ignora acontecimentos fulcrais para compreender um dos mais mal amados presidentes da história dos EUA. Nunca percebemos quem é este básico homem que é retratado. Talvez fosse a intenção do realizador apresentar-nos o retrato de um coitado que apesar de um imenso complexo de inferioridade e de uma grande dose de ingenuidade, consegue virar a sua vida do avesso e conquistar o seu lugar na cadeira do homem mais poderoso do mundo. O problema, é que essa transição não é clara e é algo forçada dentro do contexto do filme. No seu excesso de subtileza (algo que fica mal a Stone) e recurso a constantes elipses, não é nos é perceptível como a personagem de W. conseguiu descobrir a força interior para assumir-se como o lider de uma nação. Destaque para a interpretação de Josh Brollin que apesar das limitações de um guião anémico, consegue transmitir carisma e presença para compôr um personagem limitado no papel. A haver alguma inspiração, ela surge tardiamente numa magnífica cena final, onde um confuso W. não consegue apanhar aquela bola no ar. Um pouco como o realizador, que com este filme dá o seu segundo tiro ao lado depois do anémico WTC.

Que saudades de Oliver Stone.

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