sexta-feira, outubro 10, 2008

A Perfect Murder (1998)

de Andrew Davis

Remake "não assumido", do classico Dial M for Murder de Hitchcock, este thriller tem o dom de agarrar o espectador desde o início para o não largar mais. A história gira em volta do um clássico triangulo amoroso, com um marido traído (Douglas) por uma esposa (Paltrow) que mantem um caso com um jovem artista (Mortenssen). O twist nesta história, está na forma como o marido irá acertar contas com o infiel casal, com resultados sangrentos, mas muito inesperados. O argumento de Patrick Smith Kelley está muito bem cozinhado, e joga com as expectativas do espectador demonstrando que a lição de Hitchcock foi muito bem estudada, ou seja: deixar o espectador, sempre um passo à frente dos personagens. Pena é que uma sonsa Gwineth Paltrow e um Viggo Mortensen canastrão(ao contrário de outros papéis), não estejam à altura do sinistro personagem de Michael Douglas, um vez que este rouba, sem grande esforço, todas as cenas onde entra. Quanto à realização, apesar de não sêr brilhante, Andrew Davis (The Fugitive), não compromete e tem um bom sentido narrativo, deixando a história e os seus actores tomarem as rédeas do filme. Um thriller com uma boa gestão dos mecanismos do suspense, e que garante duas horas coladas ao ecrã.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Banda sonora de créditos finais

A propósito do interessantissimo desafio do Créditos Finais, aqui fica a minha escolha de canções marcantes, que acompanharam os end credits de 10 filmes da minha vida.

1-God Moving Above the Waters-Moby (Heat)
2-My Way - Sid Vicious (Goodfellas)
3-The Hands That Build America - U2 (Gangs of New York)
4-Where is my mind - pixies (Fight Club)
5-Set Me Free - Lisa Gerard & Pieter Bourke (Ali)
6-Paint It Black - Rolling Stones ( Full Metal Jacket)
7-The Future - Leonard Cohen (NBK)
8-An Ending (ascent) - Brian Eno (Traffic)
9-By This River - Brian Eno (La Stanza Del Figlio)
10-Surf Rider - The Lively ones (Pulp Fiction)

A lista deu algum trabalho, mas também muito gozo. Fica o desafio passado a quem o quizer aceitar:)

terça-feira, outubro 07, 2008

Filmaço!

"There ain't nobody gonna push me of my land! My grandpa took up this land 70 years ago, my pa was born here, we were all born on it. And some of of us was killed on it! ...and some of us died on it. That's what make it our'n, bein' born on it,...and workin' on it,...and and dying' on it! And not no piece of paper with the writin' on it! "

The Grapes of Wrath

The Apostle (1997)

de Robert Duvall

Este projecto que demorou 15 anos para sêr realizado, foi apenas possivel graças à persistencia, do seu actôr-argumentista-produtor-realizador, o magnífico Robert Duvall. O seu tema sui generis, e a visão imparcial de Duvall, fogem a todos os standards de Hollywood, sendo compreensivel o porquê da dificuldade do financiamento do filme. The Apostle, conta a historia de um pregador evangelista (Duvall) que apesar de ser um ferveroso crente e um excelente pastôr, deixa que as suas (muitas) falhas humanas empurrem a sua mulher (Farrah Fawcett) para os braços de outro homem. A traição dela, leva o pastôr a cometer um crime passional, tendo de fugir de seguida e recomeçar uma nova vida (e uma nova Igreja), numa pequena localidade do Sul da América. Esta história de redenção, tem um tom mais proximo do cinema europeu, do que da narrativa clássica americana, uma vez que Duvall, nunca vira a cara a mostrar as muitas falhas do seu pastôr E.F, sempre de forma justa e sem julgamentos morais. A realização nunca cai em manequeismos e é de louvar a forma súbtil e por vezes tocante, como o actôr-realizador, consegue equilibrar e revelar todo um vasto leque de emoções contraditórias. E depois há aqueles sermões de antologia, em que Duvall brilha de uma forma tão intensa, frenética e irresistivel, que tornaram inevitável a sua justíssima nomeação para o Oscar de melhor actor. Destaque ainda para os tons tórridos da fotografia de Barry Markowitz e para a partitura do habitual colaborador de Michael Cimino, o prodigioso David Mansfield.
Um filme belo e algo esquecido.

Insomnia (2002)

de Christopher Nolan

Este remake de Insomnia, o thriller norueguês datado de 1997, trata-se da segunda obra do britânico Cristopher Nolan, precisamente dois anos após o brilhante Memmento e ainda muito distante dos blockbusters a que mais tarde se iria dedicar. Com um elenco e um production value, muito superior à sua anterior película, Nolan assina um policial seguro e original, mas ao mesmo tempo algo decepcionante. Especialmente se tivermos em conta o brilhantismo que o cineasta tinha revelado na sua fita anterior. Al Pacino em registo de underacting (algo novo para ele) está próximo da perfeição. O seu William Dormmer, é um dos grandes personagens de 2002. Complexo, torturado e trágico, Pacino, brilha com uma intensidade, tão forte como o sol do Alaska, ofuscando um insólito Robin Williams (no seu 1º papel de vilão) e a belissima Hillary Swank. Nolan alem de manobrar com habilidade as nunaces dos seus personagens, é igualmente hábil na gestão de um guião que poderia caír nos sempre traiçoeiros clichés. Nas mãos de Nolan, o enfase é dado ao conflito interior do seu torturado protagonista, potenciado pela invulgar paisagem que o rodeia. Apesar de todos estes pontos fortes, o final é resolvido a martelo (ou a tiro se preferirem), e no fim apesar dos esforços do realizador, ficamos com uma sensação de deja vu. Mesmo assim é um belo filme a descobrir.

sábado, outubro 04, 2008

Prémios Dardos

Aceitando o desafio, e agradecendo desde já aos blogueiros que escolheram o Grandes Planos para o Prémio Dardos, aqui segue a lista dos 15 blogues que sigo diariamente. O desafio fica passado a eles.

Touro Enraivecido
Paraíso do Gelado
Cinema is my Life
Ante Cinema
Paixões e Desejos
Cinefolia

terça-feira, setembro 30, 2008

Saramago & Meirelles

E o resultado é Blindness.

domingo, setembro 28, 2008

domingo, setembro 21, 2008

Titanic (1997)

de James Cameron

Sim, tem um romance que fede a novela. Sim, Di Caprio está demasiado "verde" para o papel. E sim, não merece a carrada de Oscars que recebeu. Mas, este é o projecto da vida de James Cameron, e isso é dizer muito. Mas, Kate Winslet está soberba. Mas, o naufrágio é das coisas mais impressionantes alguma vez recriadas em cinema. Mas, mesmo com as suas falhas, Titanic consegue sêr um grande filme.

Essas falhas começam num claro desequilíbrio de tom, entre a primeira e a segunda parte. E se nessa primeira parte, Cameron pretendia mostrar-nos algum desenvolvimento dos personagens, o seu objectivo é algo falhado, pois elas não são mais que estereótipos básicos. No entanto James Cameron é muito bom, na sua atenção obsessiva aos detalhes da direcção artística, no prodígio técnico que é a recriação do Titanic, e no tom de desespero e morte, que consegue implantar na ultima hora e meia de filme. Tal como nos seus filmes anteriores, o tema é o final de um mundo, causado pela arrogância tecnológica do homem. Mas o que Titanic tem em relação aos Terminators, Aliens, ou o The Abyss, é um sopro trágico e claustrofóbico, que deixa o espectador aterrorizado e comovido, com o destino dos tripulantes do infame navio.

E depois temos Kate Winslet, belíssima, forte e tocante, conseguindo dar carne e alma, a uma personagem que no papel sofria de muitas “armadilhas melodramáticas”. A sua Rose, não destoa absolutamente nada, ao lado de outras heroínas do cinema de Cameron, tais como Sarah Connor e Ellen Ripley. Kate tem um dos papéis da sua vida. E se relativamente à parte tecnica, Titanic é um prodígio, artisticamente é um deleite para os sentidos. Seja na fotografia evocatória de Russel Carpenter, ou na montagem e nos morphings de Cameron e Conrad Buff, assim como na romântica e melancólica banda sonora, que o sempre prodigioso James Horner, compôs para o filme(muita da força emocional da fita, passa pela sua música).

Além do mais, há que valorizar o risco que cineasta correu com este filme, que na altura foi o mais caro da história. Muito tiveram que engolir as suas previsões de desgraça, ao constatar o sucesso incomprável deste belo espectáculo.Titanic é ainda hoje, o filme com mais box-office na história do cinema. E isso deve-se a um sonhador visionário, chamado James Cameron, que apesar de tudo, assinou um filme inesquécivel. Que volte em breve com o seu Avatar.

A Arte de Roubar - teaser

Já saiu o 1º teaser do novo filme de Leonel Vieira. Produção portuguesa, mas falada em 3 linguas diferentes, A Arte de Roubar, promete sêr um filme como nunca antes se viu no panorama nacional. Destaque para o elenco onde a qualidade está assegurada por Ivo Canelas e Nicolau Breyner. Estreia dia 17 de Janeiro.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Red Carpet - O site


Após um período de re-organização e de mudanças, a Red Carpet apresenta-se com um novo look. Mais funcional, organizado e apelativo, e com uma dinâmica equipa por detrás da publicação de contéudos, a Red Carpet tem tudo para cativar e conquistar os cinéfilos do cyberespaço português.
Passem por lá e digam o que acharam.

Brutal e brilhante!


"Sticks and stones can break your bones but words cause permanent damage! "
Barry Champlain

quarta-feira, setembro 17, 2008

Eastwood, Jolie, Malkovich

Changeling

The Jericho Mile (1979)


de Michael Mann

Obra de estreia de Michael Mann, este filme foi feito para televisão e galardoado com vários prémios. Curiosamente nele, estão já bem patentes, todos os temas e obsessões que o autor americano, iria mais tarde explorar, de forma brilhante. O individualismo feroz, o fatalismo trágico e uma dedicação e entrega total à autenticidade de personagens e decors.

Este Jericho Mile é um retrato duro e violento, contra-balançado por momento líricos belíssimos. O filme conta a história do prisioneiro Murphy, que encarcerado para o resto da vida (por ter morto o seu pai), tenta qualificar-se para os Jogos Olímpicos, lutando contra o sistema penal, assim como contra vários gangs da prisão. As corridas de Murphy (Peter Strauss nunca esteve tão convincente e intenso como aqui) ao som de Sympathy For The Devil, têm um carácter quase transcendente, e revelam de forma sublime, o esforço e a integridade do seu torturado personagem. Além de Peter Strauss, temos boas respresentações de Brian Dennehy e Geofrey Lewis, e de uma vasta gama de coloridos secundários, que reforçam o realismo, uma vez que se tratam de presos reais. Rodado integralmente na prisão de Folsom, esta foi a obra que chamou a atenção do mundo do cinema, para um realizador, que se viria a revelar, um dos mais talentosos cineastas do final do sec. XX.

Neste filme a integridade artística de Michael Mann está bem evidente, assim como a sua coragem de levar o realismo a um extremo nunca visto. Isso combinado com o seu óbvio talento para a escrita e para uma direcção de actores perfeita, fazem deste belíssimo Jericho Mile, o cartão de visita ideal, para a obra de um cineasta essencial.

domingo, setembro 14, 2008

sexta-feira, setembro 12, 2008

She's Back!


"Portugal volta a ter uma revista de cinema: a Premiere volta às bancas na primeira semana de Outubro. A revista de cinema será relançada pela Multipublicações e terá um formato muito similar ao antigo. A notícia foi confirmada ao briefing por José Vieira Mendes, ex-editor chefe da revista, que voltará a ocupar o seu antigo cargo na nova Premiere.

José Vieira Mendes explicou que, apesar da revista estar descontinuada desde Outubro do ano passado, nunca tinha desistido da ideia de voltar a trazê-la para o mercado. «Depois da descontinuação fui a Paris, por minha iniciativa, falar com os patrões da Hachette e dizer-lhes que a Premiere fazia falta no mercado português. Era a única revista de cinema e ficou um vazio no mercado», confessa. «Garantiram-me que se eu conseguisse um parceiro à altura, comigo à frente na direcção editorial, não hesitariam em ceder os direitos do título».

Foi assim que, depois de ter «batido em muitas portas», encontrou-se com Ricardo Florêncio, director da Multipublicações. «O Ricardo é um grande cinéfilo mas também um grande empreendedor no seio de um grupo de revistas (Marketeer e Executive Digest) muito bem sucedido em nichos de mercado. Por isso, decidimos em conjunto relançar a Premiere com a aposta, estrutura e riscos, da Multipublicações», disse ao briefing José Vieira Mendes.
Com uma tiragem de 20 mil exemplares, a equipa da revista será composta, essencialmente por colaboradores. Francisco Silva será o único redactor e «a equipa de colaboradores será basicamente a mesma com mais algumas jovens esperanças do jornalismo e da crítica de cinema para refrescar os conteúdos», adianta o director editorial. "

quinta-feira, setembro 11, 2008

Copycat Tarantino

Ora aqui está a razão porque Tarantino além de cineasta, daria um belo gatuno. Senhor Tarantino, "shame on you"! A cena em questão é de American Boy, um documentário realizado por Scorsese em 1978. Plágio anyone?

Recordações da Casa Amarela (1989)

de João César Monteiro

Em 1989, Portugal foi surpreendido com a notícia do feito de um cineasta até então desconhecido. Esse cineasta tinha arrecadado o Leão de Prata do Festival de Veneza (feito inédito e irrepetível), com o seu filme, Recordações da Casa Amarela. Desde então, não mais o cinema português esqueceu João César Monteiro.

Primeira parte, das desventuras de João de Deus (Monteiro em auto-retrato?), foi e ainda é uma película de ruptura. Nunca até então se tinha visto algo parecido no cinema português (e mundial já agora). Um filme tão disposto a abraçar o sagrado e o profano, o sublime e o kitsch, Shubert e Quim Barreiros. Para além disso, é um filme ferozmente crítico. A forma como João César Monteiro se lança à pequenez e à hipocrisia dos brandos costumes à portuguesa, é iconoclasta e originalmente provocatória. O seu João de Deus, é o anti-establishment por excelência (não é por acaso que chega a fazer-se passar por militar, com o intuito de “marchar sobre São Bento”). Monteiro dispara em várias direcções, mas sempre com um humor irónico, blasfemo e por vezes desarmante, fazendo-nos render à sua personagem. E depois aqueles planos geniais, que mostram que nunca houve composições tão belas no cinema português. Isso, e uma utilização invulgar da mise-en-scéne, demonstram um realizador no topo da sua forma, cheio de conceitos e ideias nunca vistas.

Um grande filme e uma excelente forma de iniciar a descoberta da obra de um génio (louco?), que voltaria à carga com o senhor João de Deus, nos superiores A Comédia de Deus e As Bodas de Deus.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Italianamerican (1974)

de Martin Scorsese

Rodado após a bomba que foi Mean Streets, este documentário com sabor a home movie (no bom sentido do termo), assinala a tentativa de Scorsese, em mergulhar nas suas origens familiares, abordando por arrasto, as origens de toda a comunidade ítalo-americana. Essa abordagem é directa, bem humorada e muito, muito pessoal. Os seus pais, Catherine (lembram-se da mãe de Joe Pesci em Goodfellas?) e Charles Scorsese, são os anfitriões de um animado jantar, em que partilham com o seu filho (e connosco) receitas italiana e as mais variadas e mirabolantes histórias familiares, enquanto demonstram uma enorme capacidade para prender o ouvido do espectador. Aliás, há uma altura em que o pai de Scorsese justifica a sua enorme capacidade enquanto contador de histórias, com facto de em tempos passados, não existirem nem tv’s nem rádios para entreter, e essa tarefa era dada a uma pessoa da família, que narraria as histórias mais mirabolantes. Olhando para os dois senhores, percebe-se claramente que o seu talentoso filho teve a quem saír, em espírito e em talento como storyteller. Mais que um documentário, este é um trabalho de exposição e de amor filial extremamente honesto e sem filtros. Só é de lamentar que o virtuosismo cinematográfico de Scorsese, esteja completamente apagado, deixando-nos 50 minutos com histórias contadas. Mas mesmo assim, os intervenientes nunca são aborrecidos. E seja como fôr, não é todos os dias que assistimos, a uma exposição tão honesta, ao universo familiar de um dos maiores realizadores, da história do cinema.

terça-feira, setembro 09, 2008

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