



"There ain't nobody gonna push me of my land! My grandpa took up this land 70 years ago, my pa was born here, we were all born on it. And some of of us was killed on it! ...and some of us died on it. That's what make it our'n, bein' born on it,...and workin' on it,...and and dying' on it! And not no piece of paper with the writin' on it! "


Este remake de Insomnia, o thriller norueguês datado de 1997, trata-se da segunda obra do britânico Cristopher Nolan, precisamente dois anos após o brilhante Memmento e ainda muito distante dos blockbusters a que mais tarde se iria dedicar. Com um elenco e um production value, muito superior à sua anterior película, Nolan assina um policial seguro e original, mas ao mesmo tempo algo decepcionante. Especialmente se tivermos em conta o brilhantismo que o cineasta tinha revelado na sua fita anterior. Al Pacino em registo de underacting (algo novo para ele) está próximo da perfeição. O seu William Dormmer, é um dos grandes personagens de 2002. Complexo, torturado e trágico, Pacino, brilha com uma intensidade, tão forte como o sol do Alaska, ofuscando um insólito Robin Williams (no seu 1º papel de vilão) e a belissima Hillary Swank. Nolan alem de manobrar com habilidade as nunaces dos seus personagens, é igualmente hábil na gestão de um guião que poderia caír nos sempre traiçoeiros clichés. Nas mãos de Nolan, o enfase é dado ao conflito interior do seu torturado protagonista, potenciado pela invulgar paisagem que o rodeia. Apesar de todos estes pontos fortes, o final é resolvido a martelo (ou a tiro se preferirem), e no fim apesar dos esforços do realizador, ficamos com uma sensação de deja vu. Mesmo assim é um belo filme a descobrir.

Aceitando o desafio, e agradecendo desde já aos blogueiros que escolheram o Grandes Planos para o Prémio Dardos, aqui segue a lista dos 15 blogues que sigo diariamente. O desafio fica passado a eles.
Essas falhas começam num claro desequilíbrio de tom, entre a primeira e a segunda parte. E se nessa primeira parte, Cameron pretendia mostrar-nos algum desenvolvimento dos personagens, o seu objectivo é algo falhado, pois elas não são mais que estereótipos básicos. No entanto James Cameron é muito bom, na sua atenção obsessiva aos detalhes da direcção artística, no prodígio técnico que é a recriação do Titanic, e no tom de desespero e morte, que consegue implantar na ultima hora e meia de filme. Tal como nos seus filmes anteriores, o tema é o final de um mundo, causado pela arrogância tecnológica do homem. Mas o que Titanic tem em relação aos Terminators, Aliens, ou o The Abyss, é um sopro trágico e claustrofóbico, que deixa o espectador aterrorizado e comovido, com o destino dos tripulantes do infame navio.
E depois temos Kate Winslet, belíssima, forte e tocante, conseguindo dar carne e alma, a uma personagem que no papel sofria de muitas “armadilhas melodramáticas”. A sua Rose, não destoa absolutamente nada, ao lado de outras heroínas do cinema de Cameron, tais como Sarah Connor e Ellen Ripley. Kate tem um dos papéis da sua vida. E se relativamente à parte tecnica, Titanic é um prodígio, artisticamente é um deleite para os sentidos. Seja na fotografia evocatória de Russel Carpenter, ou na montagem e nos morphings de Cameron e Conrad Buff, assim como na romântica e melancólica banda sonora, que o sempre prodigioso James Horner, compôs para o filme(muita da força emocional da fita, passa pela sua música).
Além do mais, há que valorizar o risco que cineasta correu com este filme, que na altura foi o mais caro da história. Muito tiveram que engolir as suas previsões de desgraça, ao constatar o sucesso incomprável deste belo espectáculo.Titanic é ainda hoje, o filme com mais box-office na história do cinema. E isso deve-se a um sonhador visionário, chamado James Cameron, que apesar de tudo, assinou um filme inesquécivel. Que volte em breve com o seu Avatar.



Este Jericho Mile é um retrato duro e violento, contra-balançado por momento líricos belíssimos. O filme conta a história do prisioneiro Murphy, que encarcerado para o resto da vida (por ter morto o seu pai), tenta qualificar-se para os Jogos Olímpicos, lutando contra o sistema penal, assim como contra vários gangs da prisão. As corridas de Murphy (Peter Strauss nunca esteve tão convincente e intenso como aqui) ao som de Sympathy For The Devil, têm um carácter quase transcendente, e revelam de forma sublime, o esforço e a integridade do seu torturado personagem. Além de Peter Strauss, temos boas respresentações de Brian Dennehy e Geofrey Lewis, e de uma vasta gama de coloridos secundários, que reforçam o realismo, uma vez que se tratam de presos reais. Rodado integralmente na prisão de Folsom, esta foi a obra que chamou a atenção do mundo do cinema, para um realizador, que se viria a revelar, um dos mais talentosos cineastas do final do sec. XX.
Neste filme a integridade artística de Michael Mann está bem evidente, assim como a sua coragem de levar o realismo a um extremo nunca visto. Isso combinado com o seu óbvio talento para a escrita e para uma direcção de actores perfeita, fazem deste belíssimo Jericho Mile, o cartão de visita ideal, para a obra de um cineasta essencial.

Em 1989, Portugal foi surpreendido com a notícia do feito de um cineasta até então desconhecido. Esse cineasta tinha arrecadado o Leão de Prata do Festival de Veneza (feito inédito e irrepetível), com o seu filme, Recordações da Casa Amarela. Desde então, não mais o cinema português esqueceu João César Monteiro.
Primeira parte, das desventuras de João de Deus (Monteiro em auto-retrato?), foi e ainda é uma película de ruptura. Nunca até então se tinha visto algo parecido no cinema português (e mundial já agora). Um filme tão disposto a abraçar o sagrado e o profano, o sublime e o kitsch, Shubert e Quim Barreiros. Para além disso, é um filme ferozmente crítico. A forma como João César Monteiro se lança à pequenez e à hipocrisia dos brandos costumes à portuguesa, é iconoclasta e originalmente provocatória. O seu João de Deus, é o anti-establishment por excelência (não é por acaso que chega a fazer-se passar por militar, com o intuito de “marchar sobre São Bento”). Monteiro dispara em várias direcções, mas sempre com um humor irónico, blasfemo e por vezes desarmante, fazendo-nos render à sua personagem. E depois aqueles planos geniais, que mostram que nunca houve composições tão belas no cinema português. Isso, e uma utilização invulgar da mise-en-scéne, demonstram um realizador no topo da sua forma, cheio de conceitos e ideias nunca vistas.
Um grande filme e uma excelente forma de iniciar a descoberta da obra de um génio (louco?), que voltaria à carga com o senhor João de Deus, nos superiores A Comédia de Deus e As Bodas de Deus.

Rodado após a bomba que foi Mean Streets, este documentário com sabor a home movie (no bom sentido do termo), assinala a tentativa de Scorsese, em mergulhar nas suas origens familiares, abordando por arrasto, as origens de toda a comunidade ítalo-americana. Essa abordagem é directa, bem humorada e muito, muito pessoal. Os seus pais, Catherine (lembram-se da mãe de Joe Pesci em Goodfellas?) e Charles Scorsese, são os anfitriões de um animado jantar, em que partilham com o seu filho (e connosco) receitas italiana e as mais variadas e mirabolantes histórias familiares, enquanto demonstram uma enorme capacidade para prender o ouvido do espectador. Aliás, há uma altura em que o pai de Scorsese justifica a sua enorme capacidade enquanto contador de histórias, com facto de em tempos passados, não existirem nem tv’s nem rádios para entreter, e essa tarefa era dada a uma pessoa da família, que narraria as histórias mais mirabolantes. Olhando para os dois senhores, percebe-se claramente que o seu talentoso filho teve a quem saír, em espírito e em talento como storyteller. Mais que um documentário, este é um trabalho de exposição e de amor filial extremamente honesto e sem filtros. Só é de lamentar que o virtuosismo cinematográfico de Scorsese, esteja completamente apagado, deixando-nos 50 minutos com histórias contadas. Mas mesmo assim, os intervenientes nunca são aborrecidos. E seja como fôr, não é todos os dias que assistimos, a uma exposição tão honesta, ao universo familiar de um dos maiores realizadores, da história do cinema.
