quarta-feira, abril 30, 2008

Amor ao primeiro som...

O album português mais surpreendente do ano! Uma belissíma voz com canções que fazem lembrar Aimee Mann. Golden Era é o primeiro album de Rita Redshoes, uma companheira de canções da banda de David Fonseca. A sua belíssima voz desperta sentimentos, sonhos e nostalgias. Possivelmente o melhor album do ano...

Deixo-vos aqui uma amostra da sua magia...


terça-feira, abril 29, 2008

The Brave One (2007)

de Neil Jordan


Num regresso aos universos de Taxi Driver, Jodie Foster brilha a grande altura, neste complexo thriller de Neil Jordan (Crying Game e The End Of The Affair). Jodie interpreta uma traumatizada radialista, que marcada por um acto de violência extrema, acaba por assumir um papel de justiceira, numa espécie de catarsis emocional.

As consequências, são o diluir das fronteiras, entre “bons” e “maus”.Terrence Howard, no papel do detective que tal como Jodie, está farto de vêr os criminosos fugirem à Justiça, é fulcral para perceber a personagem de Foster. O irlandês Neil Jordan, revela um talento inesperado na direcção de um blockbuster de acção, imprimindo-lhe um carácter bastante intimista. O realizador filma com a sua habital elegância técnica e mestria narrativa. A haver pontos negativos, serão algumas cenas mais inverosímeis, ou a sensação que se poderia ir mais longe num tema tão delicado como este. Mas quando o filme parecia começar a descambar lá para o final, acontece um brilhante volte face, que foge aos clichés deste género de fitas, e apresenta-nos a única conclusão possivel de forma surpreendente.

Foster e Howard fazem uma dupla com uma química arrebatadora e Jordan assina um belíssimo filme, com um tema sensível e polémico. Pena não ter ido mais longe.

segunda-feira, abril 28, 2008

THE END - Parte 1

É por estas e por outras, que John Ford é um dos maiores mestres da 7ª arte! E aquela porta a fechar, é de um simbolismo sublime. Um dos finais mais brilhantes na história do cinema.

domingo, abril 27, 2008

Filmes da Minha Vida - IX


Obra explosiva de Michael Cimino. Com Robert de Niro num dos seus grandes papéis, e Christopher Walken, inesquecivel na pele do perturbado Nick (papel que lhe valeu o Oscar). Cimino aplica um ritmo deliberadamente lento, mas adequadissimo, a esta história sobre a perda das ilusões e da destruição da inocência. Balançando entre sequências ora líricas (as caçadas nas montanhas) ora violentíssimas (o capitulo no Vietname), The Deer Hunter foi na altura da sua estreia considerado de racista, devido ao retrato que faz dos vietnamitas. Se essa acusação é verdadeira ou não, é algo de somenos importância, tal é a intensidade das cenas e o impacto emocional causado no espectador. A musica, a fotografia e a edição são tambem sublimes. Um dos filmes maiores da minha época favorita de Hollywood, os anos 70.

sábado, abril 26, 2008

Bond Song nº20

Em 1995 Tina Turner e Eric Serra recuperaram a mistica perdida das canções de 007. O resultado foi esta homage ao legado de John Barry com um toque actual e apropriado em qualquer revivalismo. Mediano mas catchy....

quinta-feira, abril 24, 2008

A estreia do Mês!

Infelizmente apenas numa sala:
Lisboa UCI Cinemas - El Corte Inglés
Sala 5 / 14h20, 16h45, 19h15, 21h50, 00h20

quarta-feira, abril 23, 2008

Bond Song nº21

A menos querida... Die Antother Day! Péssima Madonna e sem David Arnold para a ajudar! Uma bond-song completamente descaracterizada e sem personalidade. Muito mau.

"I've abandoned my child"

Depois de Boogie Nights e depois de Magnolia, o conflito de pais e filhos, numa das cenas mais intensas do filme do ano! Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis os grandes senhores do cinema do sec XXI...

domingo, abril 20, 2008

O estado do Benfica ...

...por João César Monteiro.
Há coisas que não mudam mesmo!

quinta-feira, abril 17, 2008

quarta-feira, abril 16, 2008

terça-feira, abril 15, 2008

"Reles e ridículo"

Esta crítica (pag6) é muito infeliz! Rechada de ataques não fundamentados e inverdades. Utiliza expressões como "E essa coisa vai do mais reles ao mais ridículo", ou, "Durante quantos anos se tentou combater este tipo de cinema português, tentando evitar o filme pessoal egoísta dos que só sabem mendigar subsídios ao ministério".

Reles e rídiculo? Se a crítica se refere à estética utilizada, talvez na sua próxima análise a um Lynch ou a um Von Trier, se lembre de utilizar os mesmo adjectivos.
E já agora, eu gosto de filmes pessoais e egoístas! Mas não creio que esse seja o caso deste filme. Além do mais, a obra em questão foi feita sem necessitar de "mendigar subsídios ao ministério"!

Uma sugestão: que tal para a próxima, investigar um pouco mais, antes de se começar a bater no que é nosso.

O filme em questão é o belíssimo The Lovebirds.

Uma das mortes mais "belas" do cinema

Agora que Charlton Heston partiu, deixo-vos aqui o momento alto de um dos seus melhores (e mais obscuros) filmes: O apocalítico e assustadôr Soylent Green de 1973. Comovente e sublime...



* As lágrimas de Heston são verdadeiras, uma vez que o seu amigo de longa data Edward G. Robinson, encontrava-se já muito doente, acabando por falecer 9 dias depois desta cena.

domingo, abril 13, 2008

Mr. Brooks (2007)

de Bruce A. Evans

A carreira de Kevin Costner, é um caso que sempre me intrigou. A sua ascenção meteórica com obras únicas e marcantes como The Untouchables, Revenge, JFK ou The Perfect World, valeu-lhe comparações com James Stweart ou Gary Cooper. Além do mais revelava um enorme talento na realização, com o lírico e belíssimo Dances With Wolves (pelo qual recebeu dois Oscars). Mas de repente, Costner eclipsou-se. A partir de Waterworld, iniciou uma espiral em queda livre, com desastres comerciais e artísticos uns após os outros. Bons (ou maus) exemplos são, For The Love of The Game, The Postman, ou 300 Milles to Graceland, tudo maus demais para sêr verdade. Costner, apercebendo-se disso, tentou dar a volta a essa situação.

Este Mr. Brooks, é uma dessas tentativas em que Costner procura recuperar a credibilidade perdida. Numa clara aposta de desconstruir (ou destruir) a sua imagem de bom rapaz, Costner assume a interpretação de um personagem complexo e arriscado. Justamente um serial Killer com dupla personalidade. Mas os resultados deixam muito a desejar. Costner apesar do seu óbvio star power, não é adequado neste tipo de papéis (em Perfect World foi muito muito melhor). O seu Mr. Brooks, nunca assusta, e sente-se o pouco à vontade de Costner, numa personagem tão psicótica e negra como esta. A sua inadequação, torna-se quase embaraçosa, cada vez que William Hurt (o seu alter ego), surge no ecrã e rouba-lhe descaradamente, todas as cenas em que surge.

O casting de Demi Moore no papel de uma polícia, é algo estranho e sente-se que o único motivo para tal, é a necessidade de grandes estrelas para chamar o público. As culpas da fraqueza deste projecto, podem também ser repartidas, por um guião demasiado esquematizado e algo trapalhão, e que se perde em narrativas paralelas que em nada fazem avançar a história e apenas distraiem e quebram o tom da fita. Bruce A. Evans com uma realização certinha, bem que se esforça para levar o filme a bom porto, mas o guião (da sua co-autoria) não dá para muito mais. Um factor interessante e original, é a relação de Mr. Brooks com a sua filha, que possivelmente, herdou do seu pai, mais do que este esperava.

Mas em suma, Mr. Brooks, é um filme com alguns bons momentos, mas que no seu todo, transmite uma sensação de desperdício ( especialmente de bons actores ) e que ainda não foi aquele regresso às boas graças do público, que Kevin Costner tanto esperava.

Under Capricorn (1949)

de Alfred Hitchcock

Esta história ambientada na Austrália do século XIX, aborda temas como amor, adultério e culpa, ou seja as obcessões recorrentes na obra de Hitchcock. Mas apesar disso, trata-se de uma obra atípica na carreira do mestre, uma vez que se trata de um filme de época. Nas palavras do seu realizador, este foi um filme que apenas aceitou fazer, devido ao seu deslumbramento pela maior estrela feminina da altura, a deslumbrante Ingrid Bergman.

Filmado com algumas das técnicas utilizadas em Rope (os planos sequência), Under Capricorn, falha no seu todo. E essa falha deve-se a um guião anémico, que apenas faz engrenar a história, após passar-mos a primeira hora de filme. Até lá, Hitch delicia-se (e delicia-nos) com a sua actriz principal, e intriga-nos com o tom de mistério que envolve a relação de Bergman com o muito seguro Joseph Cotten. Mas todo esse jogo, sabe a muito pouco.

Apesar de sêr uma obra menor na carreira do mestre do suspense, Under Capricorn, vale o visionamento. Nem que seja pela destreza técnica e narrativa do seu realizador, assim como pelo carisma e talento dos seus actores principais.

sábado, abril 12, 2008

Hitchcock & Truffaut - A entrevista

Para ouvirem a entrevista que deu origem a um dos mais célebres livros sobre cinema, basta clicarem na imagem. São 25 ficheiros de pura magia cinematográfica, que consistem numa análise a toda a carreira de Hitchcock, conduzida de forma inspirada por Truffaut. Enjoy!

quinta-feira, abril 10, 2008

quarta-feira, abril 09, 2008

terça-feira, abril 08, 2008

Genialmente irreverente

"Em 1963, na injusta qualidade de bolseiro da Fundação Calouste Gu1benkian, parti para Londres e fim de frequentar a London School of Film Technique. Suponho que nunca por aquela escola passou aluno tão mau, mas nesse passo não tive grandes culpas no cartório: é que de facto os ingleses não nasceram para o cinema. Aliás, ainda não percebi muito bem para que é que os ingleses nasceram. Deve com certeza ser pela mesma razão que nasceram os percevejos, as baratas e o pão integral, vulgo pão que o diabo amassou."

João César Monteiro

segunda-feira, abril 07, 2008

João de Deus e arte de um gelado

HILARIANTE!

4 facetas de um grande actôr

por William Wyller
por Cecil B. DeMille
por Orson Wellespor Sam Peckinpah

R.I.P. Charton Heston

1924-2008

Outro dos herói da minha infância. Mestre na composição de personagens "bigger than life" Trabalhou às ordens de gente tão ilustre como Wyller, De Mille, Welles, Ray, Peckinpah, Stone ou Carpenter. E polémicas e actividades políticas à parte, era realmente um dos últimos heróis clássicos e mais uma grande perda neste negro 2008.

terça-feira, abril 01, 2008

RED CARPET - Abril

Não, não é mentira não. É verdade. A RED CARPET de Abril já saiu! E este mês vem recheada de coisas boas: os filmes em sala, críticas, entrevistas, dvd's e especiais. São 52 páginas feitas por cinéfilos para cinéfilos. E à borla! Uma boa leitura para todos.

ONLINE

segunda-feira, março 31, 2008

Saving Private Ryan (1998)

de Steven Spielberg


Existem duas vertentes distintas no cinema de Steven Spielberg. Se numa o cineasta aposta claramente em filmes escapistas e de grande espectáculo (Jaws, Indiana Jones, Jurassic Park), na outra o seu cinema vira-se para terrenos mais “adultos”, com histórias geralmente inspiradas em factos verídicos e com uma forte componente humanista (Schindler’s List, Amistad, Munich). Saving Private Ryan, insere-se claramente na segunda vertente. Duro e com um realismo que retrata de forma o mais fiel possível, toda a violência de um campo de batalha. Nunca até Saving Private Ryan, o cinema tinha ido tão longe, no mostrar sem complacências, toda a barbárie que é uma guerra.

Os seus primeiros 30 minutos (a batalha da Normandia) foram apelidados na altura da sua estreia, como os 30 minutos mais violentos da história do cinema. Exagero? Não. Realmente o realismo da violência do desembarque das tropas aliadas, possuiu uma carga tão visceral (em certas cenas literalmente), que é difícil, ficar indiferente ao que passa à frente dos nossos olhos. Um após outro, vários são os momentos, em que nessa sequência de abertura, somos chocados com a loucura e a brutalidade do que é a guerra realmente. A violência surge de forma animalesca, completamente aleatória e igualmente implacável para ambos os lados do conflito. Spielberg mostra-nos essa questão fundamental, de forma clara. Especialmente na forma como filma toda a acção como se de um documentário se tratasse. O efeito é o arrastamento do espectador para o centro da batalha. Seja através de longos planos sem montagem, captando toda a acção à sua volta com um hiper-realismo dantesco, ou através de outra ferramenta essencial para a imersão do espectador, o impressionante trabalho sonoro. Nunca o som das balas, dos tiros de canhão, da carne a ser dilacerada, foi tão autêntico e presente. Spielberg sabiamente, opta por não utilizar música durante as cenas de batalha. Nelas a banda sonora é o som da morte que envolve os seus personagens.

Mas essa abordagem documental não se reflecte apenas nas fortes imagens e sons de Saving Private Ryan. Também na escrita de Robert Donat, as acções e motivos dos personagens são por vezes moralmente questionáveis. Os nossos “heróis” comandados por um misterioso Capt. Miller (Tom Hanks irrepreensível), são rapazes assustados com os quais simpatizamos, mas que nos momentos de batalha, são capazes de matar soldados já rendidos e desarmados. É essa ambiguidade moral que está magnificamente sintetizada na cena da captura do soldado nazi, onde apenas uma voz (Jeremy Davies num belíssimo papel) se insurge contra a loucura do que estão prestes a fazer. Cruelmente, esse soldado irá ressurgir mais tarde, para ter papel crucial no destino de vários personagens. Spielberg observa todas as acções com um distanciamento que não é comum na sua carreira. E é esse distanciamento que torna a sua abordagem justíssima e equilibrada. Pena é, que o filme sofra de alguma dispersão na sua narrativa episódica. E além disso, algumas cenas estão a mais, e perturbam o tom do filme (toda a sequência que envolve as altas patentes militares e a mãe de Ryan era perfeitamente dispensável).

Steven Spielberg tem aqui um dos maiores sucessos artísticos e comerciais da sua carreira. Saving Private Ryan, confirma em definitivo a transição para cineasta “sério”, tendo inclusivé ganha outro oscar. Pena algumas lacunas, pois senão teríamos aqui o melhor filme de sempre sobre a 2ª guerra mundial. Sendo assim esse continua a sêr The Thin Red Line.

domingo, março 30, 2008

sexta-feira, março 28, 2008

terça-feira, março 25, 2008

Filmes da Minha Vida - VIII


Adulto, desencantado, provocador, subversivo, arriscado, polémico. Munich é isso e muito muito mais. E é por isso mesmo que adoro este filme. Uma obra maior, incompreendida e inesperada, de um dos maiores nomes de Hollywood. Com um casting perfeito (enorme Eric Banna), uma equipe no auge (destaque para Janus Kaminski e John Williams)e um realizador apostado em usar o seu enorme poder, para chegar de forma justa e sem concessões, ao âmago de algumas das mais pertinentes questões éticas, morais e humanas alguma vez abordadas em filme. O facto de vir de Hollywood, só valoriza este obra única na carreira de Spielberg. Um filme de uma profundidade tocante que assombra o espectador muito após a saída do cinema. E aquele plano final...

quinta-feira, março 20, 2008

Crime Story Opening

Só porque me apetece! Michael Mann is the Man!

quarta-feira, março 19, 2008

A minha cena romântica favorita

Esta cena sempre me causou um misto de arrepio e emoção. O poder que emana, deve-se à intensidade emocional de Fiennes, à música de Yared, a fotografia de Seale e a deslumbrante direcção do malogrado Minguella. Todos estes factores são merecedores dos oscars, que esta película recebeu.



Em memória de Anthony Minguella.

terça-feira, março 18, 2008

Anthony Minguella ...

R.I.P.
(1954-2008)

É com tristeza que publico mais um post deste género. Anthony Minguella, o realizador de 54 anos, faleceu devido a complicações durante uma operação. Este 2008 está a sêr cruel para com o mundo do cinema. Depois de Heath Ledger e Roy Scheider, agora foi o autôr de um dos filmes da minha vida, o inesquécivel, The English Patient.

segunda-feira, março 17, 2008

The Lovebirds (2007)

de Bruno de Almeida

“There is a sad beauty in defeat”. Uma das frases mais belas que já ouvi nos últimos tempos num filme. Paradoxalmente, uma frase pronunciada em inglês, por um realizador português (Fernando Lopes), num filme em que se interpreta a si próprio, guiado pela mão do cineasta Bruno de Almeida. Essa cena encerra todo o espírito melancólico que atravessa o filme. Funcionando no contexto temático de The Lovebirds, essa cena é também ela, uma declaração de amor ao cinema e a todos os utópicos, que apesar das derrotas, continuam a sua luta (por vezes sobre-humana) que é fazer um filme.

Curioso, mas ao mesmo tempo óbvio, que tenha sido um realizador radicado há quase 20 anos em Nova Iorque, a conseguir o “milagre” de contornar as contingências de mercado e de lobby, que são necessárias para fazer cinema em Portugal. Para tal “milagre”, Bruno de Almeida teve o apoio imprescendivel de um magnífico leque de actores (lusos e norte-americanos) e o suporte digital como grande “arma” de cinema. É precisamente com a liberdade desse digital, que Bruno de Almeida, bate aos pontos muita produção faustosa e inconsequente, que infelizmente se faz por cá. E se já há pouco referia paradoxos, não resisto a salientar, que com a câmara solta e próxima dos personagens, The Lovebirds transmite uma liberdade e um intimismo, que me arrisco a classificar de poético. Duvido que com as contingências de uma grande produção, essa expontaniedade fosse possível de alcançar. Alguém falou em Cassavetes, como referência espiritual para este filme, e a referência parece-me fazer todo o sentido. A sua sombra paira em todo o filme, quer na técnica cinematográfica, quer na abordagem solta e de improviso na direcção de actores.

A narrativa em mosaico com multíplas personagens, muito ao jeito de Magnólia, ou Short Cuts, funciona em pleno. Especialmente em três segmentos. O primeiro é o tocante episódio de um cineasta que faz o seu último filme (Fernando Lopes numa evocação cinéfila ao seu Belarmino). O segundo é a cruel história de um taxista que comete um acto chocante, para no final atingir uma inesperada redenção. E no terceiro assistimos à terna e por vezes hilariante (genial a cena do chouriço) relação entre o americano (grande Michael Imperioli) e a empregada de mesa de Alfama (uma surpreendente Ana Padrão). As outras história paralelas não me parecem funcionar tão bem, apesar do segmento protagonizado por Joaquim De Almeida, ser verdadeiramente hilariante. E apesar de algumas insuficiências na montagem, o filme possuiu um espírito tão honesto e despretensioso, que só apetece revê-lo mais uma vez.

Um refrescante e surpreendente filme, que pode contribuir para uma mudança de mentalidades no cinema português.

quarta-feira, março 12, 2008

Top Robert De Niro

Nº1 RAGING BULLNº2 TAXI DRIVER
Nº3 HEAT

segunda-feira, março 10, 2008

domingo, março 09, 2008

Shadow of a Doubt (1943)

de Alfred Hitchcock

Quando o tio Charlie (um ambíguo Joseph Cotten) decide visitar a família, a sua sobrinha (Theresa Wright) também chamada Charlie, é a única a desconfiar que o seu tio esconde um segredo que poderá incluir vários assassinatos. Mas será mesmo o tio Charlie um assassino, ou a sua sobrinha estará apenas com uma grande dose de paranóia? Shadow of Doubt gira em torno do tema preferido de Hitchcock, a suspeita. Tal como eu Rear Window, ou em Rope, aqui temos uma protagonista que suspeita de algo terrível, com a mais valia dramática, de o suspeito ser o seu simpático e (aparentemente) inofensivo tio.

A abordagem de Hicthcock é no mínimo ambígua, pois o realizador parece simpatizar na mesma medida com a sua protagonista e com o seu antagonista. E Hitch vai mais longe ainda, criando uma forte identificação com o tio e a sua sobrinha, tal como Theresa Whright diz a certa altura, “ mais que o meu tio, ele é o meu gémeo”. Essa ligação entre personagens, é estabelecida formalmente através de composições que funcionam como espelhos entre os dois protagonistas. Mas não é de gémeos que aqui estamos a falar, pois claramente há aqui um subtexto, com uma sugestão de uma possível atracção incestuosa. Mas Hitch, devido ao código Hays, nunca leva demasiado longe essa sugestão. E ainda bem, pois o filme não é nenhum drama psico-sexual, é sim um belíssimo thriller, onde a sugestão é muitíssimo mais eficaz no espectador, do que qualquer visualização. Quase até ao final, o brilhante cineasta não abre o jogo, deixando todas as leituras possíveis. Somente quando chegamos ao climático final, é que a verdade é revelada e a monstruosa face do mal emerge de forma perturbante.

Outro ponto curioso, é o local onde decorre a história. Uma pacata cidade do interior. Hitch, ao situar o clima de suspeita nos habitantes desse ambiente, parece sugerir que o mal não conhece fronteiras, pois até em zonas perfeitas e idílicas, o mal pode surgir a qualquer momento e assumir a forma de um terrível pesadelo. E isto tudo 43 anos antes de Blue Velvet. Um filme a descobrir por todos os fãs do mestre do suspense.

Lição de cinema com o mestre - Parte 1

sexta-feira, março 07, 2008

Poesia Pictórica

Este post é apenas para exprimir a minha paixão desmedida, por este filme tão mal tratado.




E como brinde aqui vai uma das cenas mais belas do cinema de Cimino.

Anti-establishment

"Dizem-me: eram produções absurdas, impensáveis, más gestões, orçamentos ridículos, inexperiências. Serão. Mas o que eu vejo é a tensão entre o dinheiro e o pensamento livre, a luta com as formas, vejo o cinema... O Amor de Perdição, Trás-os-Montes, A Ilha dos Amores são poços de energia, não são montanhas de dinheiro. Um filme exige concentração, trabalho, intensidade. É terrível o dispêndio do sistema de produção corrente, a dispersão, os empregozinhos das equipes de cinema. Não sei que diga. Considerem-me um inimigo"
Pedro Costa

quarta-feira, março 05, 2008

terça-feira, março 04, 2008

No Country For Old Men (2007)

de Ethan e Joel Coen


Há uma cena em No Country for old Men, que me agarrou a atenção e me fez lembrar o porquê de os irmãos Coen, terem sido os meus heróis cinematográficos no início dos anos 90. Lewlind Moss, está sozinho no seu quarto de motel. Lá fora parece estar o assassino psicopata que o persegue, desde que Moss descobriu uma mala cheia de dinheiro. Nessa cena, estamos presos ao ponto de vista de Moss, e isso no universo coeniano, implica ficarmos presos num quarto com um personagem, apenas ouvindo os ruídos, e vislumbrando as ténues variações de luz, que emanam da frincha da porta. Em suma, uma sequência plena de suspense e com uma encenação que nos remete para essa obra esquecida e genial que é Barton Fink.

Claro que não vou revelar o desenlace dessa cena, mas ela surge sensivelmente a meio do filme, e fez-me esperar que grandes momentos viriam aí. Enganei-me em parte. Grandes momentos , apenas só ultimos nos 10 minutos de filme, com os Coen a mostrar todo o poder da elipse, de forma simplesmente genial. Até lá, sequência após sequência, os realizadores, acabam por se repetir em universos e situações já por si explorados com muito mais originalidade e mestria, como foi no caso do superior Fargo. Essa repetição de temas e situações parece-me a mim algo esquemática e prejudicou-me o visionamento do filme. O que nuns casos se pode chamar de marca do autôr, em No Country For Old Men, parece-me sinceramente, desinspiração, pois muitas das situações vividas pelos seus ricos personagens, não parecem fazer nem avançar a trama, nem revelar personagens, e como consequência tornam-se maçadores.

Mas não crendo sêr injusto com o filme, há que referir a obra, tem muitíssimos méritos. Sendo de destacar a fotografia de Roger Deakins, a montagem e como é óbvio num filme dos Coen, as grandes interpretações. Incontornável referir em primeiro lugar a composição intensa e perturbada de Javier Bardem, que consegue transmitir com pouquíssimas palavras, toda a loucura e o mal que emanam do seu Anton Chirguh. Realmente um dos personagens mais assustadores dos ultimos tempos. Tommy Lee Jones como sempre vai bem, e Josh Brolin, é uma revelação com a sua personagem a carregar surpreendentemente bem o peso da história.

No Coutry For Old Men, não é o filme do ano. É sim um belíssimo filme negro, e uma tentativa dos seus excelentes autores regressarem à boa forma. Filme do ano, esse foi outro. Um tal de There Will Be blood…

sábado, fevereiro 23, 2008

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Filmes da Minha Vida - VII


"If you want me to keep my mouth shut, it's gonna cost you some dough. I figure a thousand bucks is reasonable, so I want two. "
Tom Reagen


Assinado em 1990 pelos irmãos Coen, este é daqueles filmes que quem viu não esquece. Apostados em homenagear um dos seus autores favoritos, Dashiel Hammet, os Coen, assinam este portentoso trabalho, recheado de referências cinéfilas a vários filmes de gangsters. Envolvido no meio de uma guerra de gangs, Tom Reagen (Gabriel Byrne no papel da sua vida) irá têr de escolher entre a lealdade ao seu patrão (um poderoso Albert Finney) ou à companhia da mulher que o ama (Marcia Gay Harden). Mas será que tudo é o que parece? Como diz a certa altura um dos personagens: “Up is Down. Black is White.”O tom é nilista e extremamente negro, e a violência explosiva não é para todos. Tem um enredo complexo e genial, uma fotografia deslumbrante, uma realização de mestre e interpretações inesquéciveis. E depois para além disso tudo, há aquela música fantasmagórica de Carter Burwell, plena de nostalgia e melancolia. Perfeita neste mundo único que é Millers Crossing. Fracasso de bilheteira na altura da sua estreia, Millers Crossing conquistou o estatuto de filme de culto e destaca-se como um filme fundamental no universo dos Coen, sendo o seu trabalho mais bem conseguido até hoje. Para mim, uma obra-prima apaixonante.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Top Harrison Ford

Nº1: BLADE RUNNER


Nº2 : TRILOGIA INDIANA JONES



Nº3: WITNESS

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