quarta-feira, setembro 17, 2008

Eastwood, Jolie, Malkovich

Changeling

The Jericho Mile (1979)


de Michael Mann

Obra de estreia de Michael Mann, este filme foi feito para televisão e galardoado com vários prémios. Curiosamente nele, estão já bem patentes, todos os temas e obsessões que o autor americano, iria mais tarde explorar, de forma brilhante. O individualismo feroz, o fatalismo trágico e uma dedicação e entrega total à autenticidade de personagens e decors.

Este Jericho Mile é um retrato duro e violento, contra-balançado por momento líricos belíssimos. O filme conta a história do prisioneiro Murphy, que encarcerado para o resto da vida (por ter morto o seu pai), tenta qualificar-se para os Jogos Olímpicos, lutando contra o sistema penal, assim como contra vários gangs da prisão. As corridas de Murphy (Peter Strauss nunca esteve tão convincente e intenso como aqui) ao som de Sympathy For The Devil, têm um carácter quase transcendente, e revelam de forma sublime, o esforço e a integridade do seu torturado personagem. Além de Peter Strauss, temos boas respresentações de Brian Dennehy e Geofrey Lewis, e de uma vasta gama de coloridos secundários, que reforçam o realismo, uma vez que se tratam de presos reais. Rodado integralmente na prisão de Folsom, esta foi a obra que chamou a atenção do mundo do cinema, para um realizador, que se viria a revelar, um dos mais talentosos cineastas do final do sec. XX.

Neste filme a integridade artística de Michael Mann está bem evidente, assim como a sua coragem de levar o realismo a um extremo nunca visto. Isso combinado com o seu óbvio talento para a escrita e para uma direcção de actores perfeita, fazem deste belíssimo Jericho Mile, o cartão de visita ideal, para a obra de um cineasta essencial.

domingo, setembro 14, 2008

sexta-feira, setembro 12, 2008

She's Back!


"Portugal volta a ter uma revista de cinema: a Premiere volta às bancas na primeira semana de Outubro. A revista de cinema será relançada pela Multipublicações e terá um formato muito similar ao antigo. A notícia foi confirmada ao briefing por José Vieira Mendes, ex-editor chefe da revista, que voltará a ocupar o seu antigo cargo na nova Premiere.

José Vieira Mendes explicou que, apesar da revista estar descontinuada desde Outubro do ano passado, nunca tinha desistido da ideia de voltar a trazê-la para o mercado. «Depois da descontinuação fui a Paris, por minha iniciativa, falar com os patrões da Hachette e dizer-lhes que a Premiere fazia falta no mercado português. Era a única revista de cinema e ficou um vazio no mercado», confessa. «Garantiram-me que se eu conseguisse um parceiro à altura, comigo à frente na direcção editorial, não hesitariam em ceder os direitos do título».

Foi assim que, depois de ter «batido em muitas portas», encontrou-se com Ricardo Florêncio, director da Multipublicações. «O Ricardo é um grande cinéfilo mas também um grande empreendedor no seio de um grupo de revistas (Marketeer e Executive Digest) muito bem sucedido em nichos de mercado. Por isso, decidimos em conjunto relançar a Premiere com a aposta, estrutura e riscos, da Multipublicações», disse ao briefing José Vieira Mendes.
Com uma tiragem de 20 mil exemplares, a equipa da revista será composta, essencialmente por colaboradores. Francisco Silva será o único redactor e «a equipa de colaboradores será basicamente a mesma com mais algumas jovens esperanças do jornalismo e da crítica de cinema para refrescar os conteúdos», adianta o director editorial. "

quinta-feira, setembro 11, 2008

Copycat Tarantino

Ora aqui está a razão porque Tarantino além de cineasta, daria um belo gatuno. Senhor Tarantino, "shame on you"! A cena em questão é de American Boy, um documentário realizado por Scorsese em 1978. Plágio anyone?

Recordações da Casa Amarela (1989)

de João César Monteiro

Em 1989, Portugal foi surpreendido com a notícia do feito de um cineasta até então desconhecido. Esse cineasta tinha arrecadado o Leão de Prata do Festival de Veneza (feito inédito e irrepetível), com o seu filme, Recordações da Casa Amarela. Desde então, não mais o cinema português esqueceu João César Monteiro.

Primeira parte, das desventuras de João de Deus (Monteiro em auto-retrato?), foi e ainda é uma película de ruptura. Nunca até então se tinha visto algo parecido no cinema português (e mundial já agora). Um filme tão disposto a abraçar o sagrado e o profano, o sublime e o kitsch, Shubert e Quim Barreiros. Para além disso, é um filme ferozmente crítico. A forma como João César Monteiro se lança à pequenez e à hipocrisia dos brandos costumes à portuguesa, é iconoclasta e originalmente provocatória. O seu João de Deus, é o anti-establishment por excelência (não é por acaso que chega a fazer-se passar por militar, com o intuito de “marchar sobre São Bento”). Monteiro dispara em várias direcções, mas sempre com um humor irónico, blasfemo e por vezes desarmante, fazendo-nos render à sua personagem. E depois aqueles planos geniais, que mostram que nunca houve composições tão belas no cinema português. Isso, e uma utilização invulgar da mise-en-scéne, demonstram um realizador no topo da sua forma, cheio de conceitos e ideias nunca vistas.

Um grande filme e uma excelente forma de iniciar a descoberta da obra de um génio (louco?), que voltaria à carga com o senhor João de Deus, nos superiores A Comédia de Deus e As Bodas de Deus.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Italianamerican (1974)

de Martin Scorsese

Rodado após a bomba que foi Mean Streets, este documentário com sabor a home movie (no bom sentido do termo), assinala a tentativa de Scorsese, em mergulhar nas suas origens familiares, abordando por arrasto, as origens de toda a comunidade ítalo-americana. Essa abordagem é directa, bem humorada e muito, muito pessoal. Os seus pais, Catherine (lembram-se da mãe de Joe Pesci em Goodfellas?) e Charles Scorsese, são os anfitriões de um animado jantar, em que partilham com o seu filho (e connosco) receitas italiana e as mais variadas e mirabolantes histórias familiares, enquanto demonstram uma enorme capacidade para prender o ouvido do espectador. Aliás, há uma altura em que o pai de Scorsese justifica a sua enorme capacidade enquanto contador de histórias, com facto de em tempos passados, não existirem nem tv’s nem rádios para entreter, e essa tarefa era dada a uma pessoa da família, que narraria as histórias mais mirabolantes. Olhando para os dois senhores, percebe-se claramente que o seu talentoso filho teve a quem saír, em espírito e em talento como storyteller. Mais que um documentário, este é um trabalho de exposição e de amor filial extremamente honesto e sem filtros. Só é de lamentar que o virtuosismo cinematográfico de Scorsese, esteja completamente apagado, deixando-nos 50 minutos com histórias contadas. Mas mesmo assim, os intervenientes nunca são aborrecidos. E seja como fôr, não é todos os dias que assistimos, a uma exposição tão honesta, ao universo familiar de um dos maiores realizadores, da história do cinema.

terça-feira, setembro 09, 2008

De Niro & Pacino - parte 2

Eastern Promises (2007)

de David Cronenberg

Que David Cronenberg é um cineasta fascinado com o corpo, e com as suas diferentes mutações e variações, já não é novidade para nenhum cinéfilo que se preze. Agora o que é novidade, é a forma elegante em como esta sua obsessão, se camuflou no cinema mainstream, a que o realizador canadiano se tem dedicado ultimamente. Em Eastern Promisses, os temas recorrentes do autor, estão todos lá: identidade, a carne como algo de mutável e directamente associada à psique dos personagens (as famosas tatuagens), a violência ( a cadeira do barbeiro ou a impressionante sequência na sauna), a ambivalência sexual, e finalmente a impossibilidade (ou a negação) do amor. O que espanta é que Cronenberg consegue abordar esta impressionante variedade de obsessões pessoais, e apesar disso assinar uma história policial escorreita e que pode apelar a um espectador menos “exigente”. Pena que o guião de Steven Knight não esteja à altura da mestria de Cronenberg, que apesar do esforço do cineasta, acaba por mergulhar o filme nalguns clichés e twists desnecessários. Mas seja como fôr, Eastern Promisses é uma obra que todos os fãs (e não fãs) de Cronenberg irão apreciar. Uma nota final para Viggo Mortensen, que está cada vez mais actor, e que assina um dos mais impressionantes papéis de 2007.

segunda-feira, setembro 08, 2008

W.

Star Trek - The Wrath of Kahn (1982)

de Nicholas Meyer

Após o semi-flop que foi Star Trek – The Motion Picture, os executivos da Paramount viram-se com uma batata quente nas mãos. Por um lado, os resultados comerciais do 1º filme, deixaram muito a desejar. Por outro, todo uma legião de fãs (os trekies) exigiam um novo filme á altura da série. E numa jogada audaz e arriscada, afastaram Gene Rodenbery das rédeas da produção (que tinha sido um dos problemas na anterior película), entregando os comandos a Nicholas Meyer (realização) e Harve Bennet (produção), por metade do orçamento do 1º filme. O resultado não podia ser melhor. Star Trek – The Wrath of Kahn, é o mais amado e conseguido filme, de toda a saga.

Esse sucesso deve-se em grande parte, á mão segura e à abordagem insólita de Meyer e Bennet. Repescando o vilão de um dos episódios mais amados pelos trekies, fazem a ponte com todo um passado que estava para trás, deixando as pretenções metafísicas do 1º filme. E o que temos aqui é um belíssimo entretenimento, que tem tanto de deslumbre, assim como doses maciças de diversão e emoção.

Kirk (William Shatner na sua melhor performance) e Spock (Leonard Nimoy inimitável) nunca estiveram tão bem. Cada qual com um conflito interior muito credível, em particular Kirk, que tem de enfrentar a decadencia e algo que sempre se recusou a olhar de frente: a morte. E depois temos Kahn (Ricardo Montalblan), um vilão “biger than life” obsessivo na sua sede de vingança, com um gosto particular por citações de Moby Dick. Um pormenor que é tudo menos inocente, pois Kahn funciona como uma espécie de capitão Ahab intergalático. Aliás, todo o filme tem um sabor aos velhos clássicos de aventuras marítimas, muito bem fundidas com a vastidão do espaço. Factor que realça esse sabor, é a magnífica partitura de James Horner, que poderia facilmente ser a banda sonora de um Captain Blood ou um Sea Hawk.

O tom do filme, a edição vertiginosa, a história muitíssimo bem contada e a abordagem cinéfila de Nicholas Meyer, elevam este filme a patamares elevadíssimos. E depois temos aquele final semi-aberto, que deixa o espectador ansioso por novas aventuras. Um dos meus favoritos, que está para a saga Star Trek, como Empire Strikes Back para Star Wars: simplesmente o melhor da série.

domingo, setembro 07, 2008

O melhor Rourke

A propósito do seu comeback em The Wrestler, não resisto a colocar dois frames do seu melhor trabalho até hoje. Complexa, intensa, raivosa, polémica e torturada, é simplesmente a melhor performance de qualquer actor no cinema dos anos 80. Stanley White em Year of the Dragon.

Leão de Ouro

The Wrestler, de Darren Aronofsky, foi o grande vencedor do festival de Veneza deste ano. Saúde-se o regresso de um dos meus herois de juventude, o grande Mickey Rourke, num papel que se diz assombroso. Assim como o retorno à boa forma e o reconhecimento artístico do brilhante Darren Aronofsky, depois da grande desilusão que foi The Fountain.


terça-feira, setembro 02, 2008

segunda-feira, setembro 01, 2008

Last Action Hero

""What is best in life: Crush your enemies, see them driven before you, and to hear the lamentation of the women!" Conan the Barbarian

"I'm not into politics, I'm into survival" The Running Man

"Oh, you think you're bad, huh? You're a fucking choir boy compared to me! A CHOIR BOY! " The End Of Days

"You're a funny man, Sully, I like you. That's why I'm going to kill you last. " Comando

"You're one... *ugly* motherfucker! " Predator

" I'll be back! Ha! You didn't know I was gonna say that, did you? " Last Action Hero

"Enough talk! " Conan The Destroyer

quinta-feira, agosto 28, 2008

Ray

"If it were all in the script, why make the film?"

"You like these films, but you can't imagine how often they represent only fifty percent of what I wanted to do. You have no idea how I had to fight to achieve even that fifty percent."

"The closer I get to my ending, the closer I am getting to rewriting my beginning."

quarta-feira, agosto 27, 2008

Bigger Than Life (1956)

de Nicholas Ray


Cada vez gosto mais de Nicholas Ray. Não há volta a dar. A cada filme que vejo, mais me convenço que o homem era mesmo um grandíssimo cineasta. Em fase de descoberta da sua obra, eis que revejo Bigger Than Life. Um filme que tinha visto na minha infancia, numa matiné de domingo na rtp. Na altura o filme impressionou-me pelo medo que me causou. Nunca tinha visto nada assim, pois não haviam nem monstros, nem aliens, nem nada de paranormal. O medo, provinha de dentro da familia, na figura do habitual protector, o pai (outro retrato semelhante é o de Jack Nicholson em The Shinning). Agora passado uns aninhos, já consigo perceber o que mexeu tanto comigo na altura em que vi esta obra-prima.

Sufocante e negro, nunca a revolta e a desintegração de um homem, foi tão sublime e perturbante como neste subversivo Bigger Than Life de Nicholas Ray. O realizador, famoso pelos seus "rebeldes sem causa", tem aqui mais um brilhante exercício de cinema total, em que exprime as suas ideias de rebeldia, camuflado pelo sub-género do melodrama. A inicio parece que estamos em terrenos de Douglas Sirk, com a famila feliz, com os seus bens materiais e estabilidade financeira, onde aparentemente tudo são rosas. Mas cedo nos apercebemos, que estamos em terrenos de Ray, que tem nesta obra um exercicio de explosão e crítica à conformidade e a falsa felicidade, de um certo "american way of life" da altura.

O veículo para essa explosão, é o torturado personagem de Mason, que se apresenta a inicio, completamente esmagado pela sociedade em que se insere. Dá a impressão que a revolta de Mason, não advem das drogas que toma, mas sim de uma frustrações e tensões mais ou menos óbvias. Seja a relação com a sua submissa mulher (Barbara Rush), a pressão de manter um american way of life que o obriga a manter dois empregos (com o desconhecimento da mulher) ou um filho obviamente estereotipado quase acéfalo. James Mason, num retrato insuperável de demência e não-conformidade, é inesquécivel no papel de um homem que devido à sua "habituação" a uma droga experimental (na altura), chamada cortisona, explode contra o puritanismo e o politicamente correcto da América dos anos 50.

Brilhante Ray, no uso inspirado do Scope´, na composição de planos com tanto de belo como de expressionista (a famosa e ameaçadora sombra "bigger than life" de Mason), num uso de côr deslumbrante e na encenação de cenas aparentemente mundanas, mas que transmitem uma tensão em surdina quase insuportável de tão sufocante. Nunca um copo de leite foi tão perturbante, nem mesmo em Notorious. Ou então que dizer das cenas finais em que no cumulo da sua loucura, Mason, emulando a história de Abraão pega num par de tesouras e numa bíblia, disposto a chacinar o seu filho. A sua mulher ao confrontá-lo dizendo-lhe que de acordo com a bíblia, Deus salvou o filho de Abrão, a resposta é aterradora: "god was wrong". Isto sim é terror. Um terror sublime, que funciona a vários níveis e onde estranhamente simpatizamos com a revolta do protagonista. Ou será antagonista ?

sábado, agosto 23, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 3)

3ª e ultima parte. Aqui são analisados Heat e The Insider, duas das obras-primas do cinema de Mann.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (3/3)
Enviado por SoWiFo

sexta-feira, agosto 22, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 2)

Nesta 2ª parte. estão em análise, Manhunter, Last of the Mohicans e Heat. Amanhã, coloco a 3ª e última parte, desta belissima retrospectiva sobre a obra de Michael Mann.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (2/3)
Enviado por SoWiFo

quinta-feira, agosto 21, 2008

Documentário sobre Michael Mann (parte 1)

Michael Mann, um dos cineastas que mais aprecio e admiro e que felizmente começa finalmente a ser reconhecido pela crítica, como um dos grandes mestres do cinema moderno. Amanhã segue a 2ª parte.


"Les Réalisateurs" - Michael Mann (1/3)
Colocado por SoWiFo

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