terça-feira, novembro 20, 2007

Votação Corrupção - Resultados


O resultado da sondagem "Corrupção é um filme que faz falta ao cinema português?" foi ... NIM
(SIM - 8 votos)
(Não - 8 votos)

segunda-feira, novembro 19, 2007

Filmes da Minha Vida - II


Uma verdadeira proeza este filme mágico. Realizado, produzido e interpretado por Kevin Costner, que teve aqui o pico da sua carreira. Esta história de um homem que foi à procura da fronteira e acabou por se descobrir a si próprio, é um dos mais líricos e mais belos westerns da história. A evolução de John Dunbar até se converter em Danças com Lobos, é uma viagem fascinante. Belíssimas imagens, sequências inesquéciveis (aquela caça ao bufallo ou o inesperado e dramático final), representações fortes e especialmente uma banda sonora recheada de melodias sublimes, assinada pelo mestre John Barry, que para mim é capaz de ser uma das mais perfeitas conjugações entre música e imagem a que alguma vez assisti. Um filme intemporal e de forte pendor humanista! Magnífico!

domingo, novembro 18, 2007

War of The Roses (1989)

de Danny De Vito


Oliver (Michael Douglas) e Barbara Rose (Kathleen Turner), tinham tudo para ser felizes. Dinheiro, sucesso profissional, dois filhos que prometem seguir as pisadas e uma casa de sonho. Mas no dia em que Oliver tem um suposto ataque cardíaco, Barbara confessa-lhe que já não o ama e pede-lhe o divórcio, exigindo-lhe apenas ficar com a casa em troca. Oliver recusa e a guerra começa.

Mais que um Mr. E Mrs. Smith, aqui a guerra é total. Nesta comédia muito negra vale tudo: da destruição de mobília, à matança de animais de estimação, ou a rega de um peixe para jantar, com um condimento muito duvidoso. Os Rose são implacáveis, e na sua selvagem batalha, não há lugar para prisioneiros. Das situações de discussão do dia a dia, assistimos a uma escalada no conflito que rapidamente entra no reino do puro nonsense, mas nunca caindo no tom de cartoon. Aqui o nonsense é cruel e negro.

Danny De Vito, assina aqui um filme único e o seu melhor enquanto realizador. Esta comédia negra não faz concessões nem tratados de paz. A guerra vai até às ultimas consequências, como o magnífico final demonstra de forma cruel e violenta. E esse lado selvagem deve-se à inspirada realização de De Vitto (com muito de Hitchcokiano), ao divertidíssimo guião de Michael Leeson, à fantástica fotografia de Stephen Burum (colaborador habitual de De Palma) e last but not least, ao fantástico par de protagonistas. Michael Douglas e Kathleen Turner, que têm uma química única e fora de série.
Uma das comédias mais negras e mais divertidas de todos os tempos!

Letters From Iwo Jima (2006)

de Clint Eastwood


O segundo filme de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima. Desta vez abordando o lado derrotado do conflito, o japonês. Letters From Iwo Jima, é um filme de guerra, mas mais que isso, é um filme sobre a derrota. Os soldados nipónicos, pressentem logo de início que aquela, será uma batalha perdida à partida, mas o seu código de honra e a sua dedicação à mãe pátria impele-os a ficar e enfrentar a morte.

Este prenúncio de morte, está omnipresente na primeira parte, revelando-se com toda a sua crueza na segunda metade do filme. É de louvar a opção de Eastwood, de mergulhar fundo na mentalidade que está por detrás de seres humanos que preferem a morte à desonrra da derrota. E é de seres humanos que o filme de Eastwood se trata. Um pouco à maneira do superior The Thin Red Line, aqui, o realizador mostra o lado do homem por detrás do soldado, recorrendo a flashbacks particularmente eficazes, que criam a empatia necessária com os personagens.

A crueldade da guerra, não escolhe lados, e na visão justa de Eastwood, não há lugar para maniqueísmo primários. Tanto os japoneses como os americanos, têm elementos nas suas fileiras que são capazes da maior das desumanidades (o oficial japaonês que ordena o suícidio dos seus homens, e os americanos que assassinam os prisioneiros de guerra). Mas a justiça da camara de Eastwood, revela também um lado humano tocante. Particularmente na figura do general magistralmente interpretado por Ken Watanabe, ou na figura do jovem padeiro que prometeu regressar, custe o que custar, para a sua mulher e o seu filho por nascer. Estes personagens, demonstram de forma trágica a barbárie da guerra, e da loucura que esta prossupõe.

Além da mão segura de Eastwood, ou das excelentes interpretações do elenco, é de destacar a fotografia de Tom Stern, que com as suas imagens esbatidas e praticamente vazias de côr, dão o tom sombrio e fúnebre, perfeitamente adequado à trágica história que contam.

Um filme que obriga a reflectir sobre a natureza e a crueldade da guerra.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Scorsese e a Violência

Yeh, that comes up a great deal whenever people mention a Martin Scorsese film. People talk about the violence, but if you look at the films that I've made, the world's that we are depicting in these pictures, Mean Streets for example; they're very very violent. The rules are enforced by the violence of that society. Even with Alice Doesn't Live Here Anymore which is about a different area, there is a scene where Ellen Burstyn's character is beaten up by her husband. [Harvey Keitel] Now that's a scene in which violence is shown negatively, it's shown that she doesn't want to be with a person like that and surrounded by violence, so she leaves town. Then Taxi Driver, you're dealing with, again, a very violent milieu and then Raging Bull, here's a man who's life and his job in life is to go into a ring and hit people and get hit and then he comes home and he expresses himself in the same way. He expresses himself through violence. And so, I think because violence figures so prominently in these worlds that I depict, I guess the question is why am I attracted to these worlds?

quarta-feira, novembro 14, 2007

Grizzly Man (2005)

de Werner Herzog


Werner Herzog, sempre foi atraído por histórias com heróis à margem da sociedade. Os seus cinco filmes com esse monstro de seu nome Klaus Kinski, são bons exemplos do tipo de histórias que fascinam o realizador. Não é portanto de estranhar quando se viu o seu nome, na ficha da realização deste magnífico documentário sobre um ambientalista que se isolou durante 13 Verões nas paisagens naturais do Alaska. Com o objectivo de registar o dia a dia dos perigosos ursos pardos, o ambientalista e a sua namorada tiveram um fim trágico acabando por ser devorados vivos pelos animais a que Treadwell tinha dedicado a sua vida. Mas antes Timothy Treadwell registou mais de 100 horas de imagens únicas.

Partindo desta história fascinante, Herzog lança-se de forma apaixonada, a descobrir quem era aquele ex-actor, ex-alcoólico, alienado e em conflito com a sociedade e que se tinha reinventado como defensor e observador desses perigosos animais selvagens, num local igualmente selvagem. As imagens de Treadwell tinham um caracter claramente maniqueísta, simplista e ingénuo, mas ao mesmo tempo imbutidas de uma inegável beleza, tal era o espectáculo natural que registavam. Treadwell, via-se como o único defensor daquelas criaturas. Herzog apesar da óbvia simpatia que sente pelo seu protagonista, não hesita em divergir dos pontos de vista naifs de Treadwell e explicar os seus, bem mais nilistas e pessimistas. Para Treadwell, a natureza possuiu uma harmonia, que se balança a si própria, sendo o homem o elemento a mais. Para Herzog, a natureza, não é harmoniosa, mas sim caótica, onde na sua teoria, quando a fome aperta, um urso não hesita duas vezes, antes de devorar um homem que o defendia de tudo e de todos. Os factos deram razão a Herzog.

É precisamente essa divergência de visões do mundo entre os dois cineastas (sim porque grande parte do filme vive das imagens filmadas por Treadwell), que torna ocasionalmente, Grizzly Man um objecto fascinante como há muito eu não via. Isso e a revelação da perturbada personalidade de Treadwell, que apesar de tentar construir uma personna aventureira e idealista, nas mãos de Herzog, acaba por revelar um lado muito mais negro. Muito mais que o conceito inicial das suas imagens pretendia. Herzog mostra todo o poder da sua montagem, e ao decidir não fazer o corte em momentos aparentemente banais, como Treadwell a encenar para a câmara a conclusão de mais uma época de observação, revela subitamente uma personalidade maníaca e psicótica, mas ao mesmo tempo estranhamente comovente.

Recheado de momentos variados, uns de uma riqueza visual deslumbrante, outros assustadores e outros simplesmente tocantes. Este é um retrato de um indivíduo perturbado, que tal como Herzog, não se revia na sociedade, encontrando finalmente a paz, no meio dos animais selvagens.

Um documentário essencial e inesquécivel.

Fatal Atraction (1987)

de Adrian Lyne


Datado do ja longínquo 1987, Fatal Atraction, foi o filme do ano na altura. Não só no box-office, mas também na polémica e no debate que abriu sobre as relações extra-conjugais. De certa forma esta intenso thriller, pode ser considerado uma alegoria sobre a Sida, uma vez que a aventura de uma noite de Michael Douglas, praticamente destroi-lhe a sua família. Mas aparte esse tendor simplista, esta obra é um marco no cinema dos anos 80, sendo dos poucos thrillers a conseguir uma nomeação para melhor filme nos Oscars de Hollyood.

Glenn Close e Michael Douglas, incendeiam o ecrã com uma quimica tórrida e cenas de sexo intensas e escaldantes (para a altura). Close vai particularmente bem, conseguindo alternar a loucura latente da sua personagem, com uma fragilidade tocante que vem ao de cima de forma particularmente subtil. Ela é, por mérito seu e do seu realizador, uma das grandes vilãs, da história do cinema, podendo ombrear sem problemas com outros monstros como Hannibal Lecter, ou John Doe. Douglas vai seguro e não compromete, no papel do homem comum que num momento de luxuria, se deixa arrastar para um pesadelo que não estava nos seus planos. Quanto a Anne Archer, no papel de esposa traída, também vai segura, emanando uma beleza, simples e desarmante, conjugada com uma força interior que será fulcral para o final da história.

Adrian Lyne, realizador de clássicos como 9 ½ Weeks, ou do muito substimado Jaccob’s Ladder, tem uma mão segura, e particularmente inspirada. Sem os excessos estílisticos que o caracterizam, Lynne, aposta claramente nos personagens e na história, em detrimento de um certo floreado visual de outros filmes, e isso só dá mais força a Fatal Atraction. Com uma camara fluída e certeira, Lynne cria vários momentos inesquéciveis com a ajuda dos seus colaboradores, sendo de destacar o seu montador, o genial Michael Kahn (braço direito inseparável de Spielberg).

Um thriller inteligente e provocador, com grandes interpretações e um realizador inspirado. Um clássico a redescobrir.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Filmes da Minha Vida - I


Um filme muito á frente do seu tempo. Temas como racismo, obcessão e solidão, num Western único, dirigido magistralmente pelo maior mestre do cinema clássico, o mítico John Ford. Fotografado de forma deslumbrante e com uma carga emocional avassaladora. Não é por acaso que é o filme favorito de senhores como Scorsese, Lucas, Leone, Spielberg, Lean, Millius ou Tarantino. Além disso, John Wayne compõe um Ethan Edwards, ambíguo e anti-heróico, revelando o grande actor que era. Apetece mesmo citar John Millius: "quem diz que John Wayne não sabe representar é porque nunca viu The Searchers".

quarta-feira, novembro 07, 2007

10 anos de Razzies

Uma pequena lista com os vencedores na categoria de pior filme do ano em Hollywood

1996 Striptease de Andrew Bergman
1997 The Postman de Kevin Costner
1998 An Alan Smithee Film: Burn Hollywood Burn de Alan Smithee
1999 Wild Wild West de Barry Sonnefeld
2000 Batlefield Earth de Roger Christian
2001 Freddy Got Fingered de Tom Green
2002 Swept Away de Guy Ritchie
2003 Gigli de Martin Brest
2004 Catwoman de Pitof
2005 Dirty Love de John Mallory Usher
2006 Basic Instinct 2 de Michael Caton Jones

quarta-feira, outubro 31, 2007

Votação Irmãos Coen - Resultados

Pela primeira vez nas sondagens do Grandes Planos houve um empate técnico. Mas parece-me um empate justo. Pois se um é uma pérola perfeita de comédia desparafusada, provocadora e hilariante, o outro é uma pérola perfeita de um filme noir, sombrio, complexo e belíssimo.

TOP COEN

Millers Crossing (1990)

The Big Lebowski (1998)

Obrigado a todos os que participaram.

terça-feira, outubro 30, 2007

Top 5 - Cinema de Oliver Stone

5º - Born On the 4th of Jully.

O filme mais trágico de Stone até à data. Um retrato dramático e revoltado, com uma grande história e um fortíssimo contéudo político, histórico e social. Magnífica realização, Tom Cruise no papel da sua vida e uma inesquécivel banda sonora de John Williams.

4º - Natural Born Killers.

O filme bomba de uma década. Está para os anos 90 como A Clockwork Orange para os anos 70. Inovador, iconoclasta e subversivo, NBK é uma inteligente e bombástica sátira à violência na sociedade e no cinema. Escrito por Tarantino e reescrito por Stone. Genial!

3º - JFK.

O filme polémico. A revista a um dos momentos mais traumáticos da história norte-americana: o assassinato de John F. Kennedy. Visualmente frenético, com uma pulsão imparável, Stone deixa no ar a possibilidade de uma conspiração nas mais altas esferas do governo americano estar por detrás do assassinato do malogrado Kennedy (o que lhe valeu uma injusta fama de maluquinho das conspirações). Independentemente disso, há inteligência e talento q.b., de um genial cineasta que tem em JFK um dos seus mais belos filmes. Destaque para Kevin costner num grande papel.

2º - SALVADOR.

O filme revelação. Mergulho na torturada América Latina, e na guerra civil em El Salvador. James Woods (genia e nomeado para Oscarl) e James Belushi, são o par de escroques, alcoólicos, sexistas e vulgares, que em busca de mulheres fáceis e bebida barata, acabam por se deparar com um verdadeiro genocídio apoiado pelo governo norte-americano de Reagan. Com um humor selvagem e com cenas de uma brutalidade chocante (e por vezes tocante) Salvador, é dos filmes mais emocionais e directos de Stone. Ou seja: um dos seus melhores.

1º - PLATOON.

O filme sucesso. Fortemente autobiográfico, retrato impiedoso, cruel e realista da guerra do Vietname, (onde o próprio Stone combateu). Os soldados de Platoon não são nem bonzinhos nem heróicos. Uns bebem, drogam-se, assassinam e violam. Mas outros também são capazes da amizade, da entreajuda, da compaixão e finalmente da redenção. No final a Guerra a todos muda, e a todos marca. Charlie Sheen num grande papel, assim como Tom Berenger e Willem Dafoe, constituem o potente trio de actores. O filme mais forte, mais dramático, mais corajoso, mais marcante, mais tudo! O Melhor de um cineasta apaixonante, muito pouco reconhecido em Portugal. Ao qual, deixo desde já, esta pequena homenagem.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Grande embrulhada

""É um filme de produtor", explicou Alexandre Valente, o dito, terça-feira, numa conferência de imprensa em Lisboa. Instado pelos jornalistas a explicar as razões das discordâncias com João Botelho, que levaram este a romper com a produção e a retirar o seu nome do filme, sobre o que tinha sido filmado e depois cortado (entre 12 a 17 minutos) e quais as alterações por ele feitas no alinhamento das imagens e na banda sonora, Alexandre Valente pouco adiantou. Num texto no dossier de imprensa, o produtor escreve que ele e João Botelho não conseguiram "chegar a acordo na montagem e na banda sonora". Ontem, disse que "o objectivo do filme era adaptar o livro `Eu, Carolina`, objectivo que implica riscos e que devem ser corridos por mim". Acrescentou que viu a montagem apresentada por João Botelho, "discordou dela e disse-lhe", mas nunca explicará "o que havia" antes no filme e "o que há agora. Mas não alterei o contexto do filme". Valente negou ao DN existirem duas versões de «Corrupção». Uma de cinema, a sua, com menos 17 minutos que a de João Botelho, e a de DVD, do realizador, com esses 17 minutos acrescentados. Nicolau Breyner, que interpreta o Presidente, e Ruy de Carvalho, elogiaram o trabalho de João Botelho e apoiaram Alexandre Valente nas suas decisões. Não estamos habituados a ter indústria cinematográfica em Portugal. A indústria implica que haja filmes destes, os chamados filmes de encomenda, disse Breyner. E pelo contrato, o produtor pode cortar, escolher actores, etc. É normal. Não há jogo escondido, rematou. Para Ruy de Carvalho, Não há censura. Essa, sentimo-la eu e o Nicolau na pele. Há cortes de produção. Houve um desacordo entre o realizador e o produtor. Carolina Salgado já viu o filme e "amou". Está muito contente "por ter chegado até aqui", e estará "ainda mais" quando for a antestreia do filme, no dia 31, numa festa no Freeport de Alcochete. «Corrupção» irá para os cinemas sem ter sido mostrado antes aos media e à crítica."
in Diário de Notícias a 24 de Outubro de 2007

quarta-feira, outubro 24, 2007

terça-feira, outubro 23, 2007

Pedro Costa na 1ª pessoa

Um grande senhor...

Cinemateca em Marcha


JUVENTUDE EM MARCHA de Pedro Costa

com Alberto Barros “Lento”, Antonio Semedo “Nhurro”, Ventura, Vanda Duarte
Portugal/França/Suíça, 2006 - 155 min / legendado em português

"Pedro Costa volta à comunidade do Bairro das Fontaínhas depois de OSSOS e NO QUARTO DA VANDA: “Em JUVENTUDE EM MARCHA, o bairro está já destruído e segui um dos seus residentes, Ventura. É um filme sobre um homem que carrega um passado, um homem com fantasmas. O filme também lida com a relação filial (…). É uma história de fidelidade ao nascimento de um bairro, e Ventura contribui muito para esta história de fidelidade”. "

Sexta-feira (dia 26) 21:30 Sala Dr. Félix Ribeiro
Com a presença de Pedro Costa

domingo, outubro 21, 2007

Crimson Tide (1995)

de Tony Scott


No início dos anos 90, o regime soviético acaba por cair nas mãos de um louco de seu nome Radchenko (inspirado em Zironofsky), que ameaça o mundo com o seu armamento nuclear. O submarino americano Alabama, comandado pelo veterano Ramsey (Gene Hackman) , parte em direcção à Rússia, numa missão preventiva. O novo imediato Hunter ( Denzel Washington), acaba por entrar em rota de colisão com Ramsey, devido a uma mensagem muito dúbia, que poderá levar o mundo a uma guerra nuclear.

Com produção de Jerry Bruckheimer e realizado com mão segura por Tony Scott , Crimson Tide é dos melhores filmes do britânico até à data. A gestão da tensão é feita de forma eficiente e em crescendo. Os habituais exageros estílisticos de Scott, estão quase ausentes, reforçando assim a importância dos personagens e aumentando a claustrofobia do espaço do submarino.

Servido por um argumento, muito bem trabalhado, que consegue dar-nos a entender perfeitamente as motivações tanto de Ramsey, como de Hunter, sendo perfeitamente plausível a escalada de conflito entre os dois homens. O argumentista Michael Schiffer, nunca recorre a saídas fáceis, e opta pelo desenvolvimento dos personagens, em detrimento da pirotecnia de artifícios, a que este tipo de história poderia levar. Como nota curisosa, é de salientar que Tarantino trabalhou no guião a convite de Scott, para reforçar alguns diálogos, como facilmente se percebe na cena do Silver Surfer.

Apesar do leque de actores fortíssimo, onde se incluem Jason Robards, George Dzundza, Viggo Mortenssen ou James Gandolfini (muito antes dos Sopranos) , Crimson Tide, aposta tudo e bem, nos seus principais: uns enormes Gene Hackman e Denzel Washington, que dão uma verdadeira lição da arte de bem representar, apesar dos seus estilos diferentes. São impressionantes as cenas de confronto entre os dois gigantes, tal é a intensidade, a pura força e carisma que ambos emanam, sendo quanto a mim as grandes mais valias deste belíssimo filme.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Brava Dança

Documentário nacional que aborda em detalhe, a carreira dos míticos Heróis do Mar. Premiado no DocLisboa.
A não perder! Hoje às 23.30 na TV2

quinta-feira, outubro 18, 2007

Trainspotting (1996)

de Danny Boyle

Baseado no livro escândalo de Irvine Welsh, Trainspotting é um retrato de uma juventude escocesa, perdida no crime, na droga, na doença e na violência, mas com um toque de humor negro Q.B que faz toda a diferença para a necessária identificação com os personagens. Filme culto dos anos 90, Trainspotting é a prova da vitalidade do cinema europeu dessa altura, assim como a afirmação do talento de Danny Boyle (que até aí tinha apenas assinado o excelente Shallow Grave).

Recheado de uma galeria de figurões extremamente coloridos e divertidos. Eles são, o protagonista Mark Renton (Ewan Mcgregor), com a sua filosofia de escolher cavalo em vez de escolher a vida. Simon “Sick Boy” (Johnny Lee Miller) o grande teórico de Sean Connery e engatão incorrigível. Spud (Ewen Bremmer, o drogado de bom coração com uma grande apetência para defecar em camas estranhas e para se encher de speeds nas entrevistas de emprego. E finalmente o psicótico e paranóico “Franco” Begbie (Robert Carlyle), perigoso, irrascível e sempre na vertigem da violência. Todos os actores, estão à altura dos papéis, conseguindo dar o toque humano essencial, na composição destas bizarras personagens. Outro ponto fortíssimo, é a adaptação que o argumentista John Hodge fez do livro de Welsh. Hodge combina personagens e situações do livro, mantendo-se sempre fiel ao espírito da obra original. É de salientar que o livro tinha uma estrutura não linear algo complexa, que Hodge escolheu contar de forma mais tradicional e eficaz.

E para final o melhor: a virtuosa realização de Danny Boyle. O realizador parece ter sido possuído pelo mesmo espírito febril dos seus personagens. Personagens esses, que nunca em momento algum são julgados pela câmara de Boyle. A sua realização nunca recorre a saídas fáceis e prefere manter-se do lado dos seus heróis(?) até às ultimas consequências (incluíndo um delírio numa cena de antologia na pior casa de banho da Escócia). A encenação arrojada e destemida, o uso de grandes angulares que distorcem e alienam os personagens, uma montagem frenética e inovadora, a manipulação de sons, conjugada com a pujante banda sonora (Underworld, Iggy Pop, Lou Reed), revelam aqui o melhor momento da carreira de Danny Boyle.

Um dos melhores filmes dos anos 90, e obrigatório para (quase) todos.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Isto não é uma crítica


Mas sim um desbafo de motivos, para a TREMENDA DESILUSÃO que apanhei com The Fountain:

Devo de ir ser bombardeado mas cá vai:

1-Argumento muito mal desenvolvido e personagens estereotipadas
2-Deconexão total entre as três histórias (especialmente a do sec.XVI e sec.XXI)
3-Uma realização académica e repetitiva (aqueles POV picados)de Aranofsky
4-Apagamento de todos os secundários para dar lugar ao par Jackman/Weiz
5- Um final que tem tanto de supostamente místico, como de piroso a tresandar a incenso New Age (aquela pose de meditação espacial desafia o rídiculo)

Filme falhado e desiquilibrado? Parece-me que sim e que nem com revisionamentos melhorará muito.

Quem quiser um filme verdadeiramente romântico com uma pulsão de morte, sugiro-lhe The English Patient

quinta-feira, outubro 11, 2007

Votação Cineasta Europeu - Resultados

E o grande vencedor da sondagem cineasta europeu, é este grande senhor!


LARS VON TRIER (7 votos 31%)

2º - Win Wenders (6 votos 26%)

3º - Nanni Moretti (5 votos 21 %)

4º - Mike Leigh (3 votos 13%)

5º - Michael Hanneke (2 votos 8%)

terça-feira, outubro 09, 2007

The Candy Color Clown from Mr. David Lynch

Bizarro! Perturbador! Musical! Belo! Pura Poesia Lynchiana.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Sabiam que ...


Em Pulp Fiction (1994) o segmento da overdose de Mia Wallace, e o seu ressuscitar causado por uma injecção de adrenalina directamente no seu coração, é uma transcrição palavra por palavra de uma história contada em American Boy (1978) um documentário realizado por Martin Scorsese.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Hilariante !!!


Jesus Quintana: You ready to be fucked, man? I see you rolled your way into the semis. Dios mio, man. Liam and me, we're gonna fuck you up.
The Dude: Yeah, well, you know, that's just, like, your opinion, man.
Jesus Quintana: Let me tell you something, pendejo. You pull any of your crazy shit with us, you flash a piece out on the lanes, I'll take it away from you, stick it up your ass and pull the fucking trigger 'til it goes "click."
The Dude: Jesus.
Jesus Quintana: You said it, man. Nobody fucks with the Jesus.
Walter Sobchak: Eight-year-olds, Dude.
in The Big Lebowski (1998)

terça-feira, outubro 02, 2007

Estalou a bronca em Corrupção

"O realizador João Botelho recusa-se a assinar a ficha técnica do filme «Corrupção», porque viu o filme alterado pelo produtor, avança hoje a SIC.
«Corrupção», protagonizado por Margarida Vila-Nova e Nicolau Breyner e baseado no livro «Eu, Carolina», de Carolina Salgado, vai estrear no dia 1 de Novembro numa versão do produtor, Alexandre Valente.
Segundo a SIC, o produtor do filme, Alexandre Valente, não terá concordado com a montagem de João Botelho e decidiu cortar algumas cenas, bem como alterar partes do filme, nomeadamente a banda sonora.
Como resultado, o realizador e a argumentista, Leonor Pinhão, recusaram-se a assinar a ficha técnica.
É a primeira vez na história do cinema português que um realizador não assina um filme.
Conta a SIC que o caso está agora nas mãos dos advogados. "

in IOL cinema

segunda-feira, outubro 01, 2007

Por mais um punhado de dolares
















ANTES (TAXI DRIVER)
DEPOIS (STARDUST)

domingo, setembro 30, 2007

Batman Begins (2006)

de Christopher Nolan


Se há capítulo que esteve omisso, seja na obra-prima de Tim Burton, seja na BD original de Bob Kane, foi a origem do Homem-Morcego. A transição do rapazinho que assiste ao assassinato dos seus pais, até se tornar o vingador implacável que é Batman, nunca nos tinha sido revelada, em qualquer um dos outros quatro(!) filmes. Pois bem é essa origem que este filme dirigido por Christopher Nolan (Memento, The Prestige) aborda de forma muito satisfatória e engenhosa.

Este regresso do homem-morcego mais famoso, do mundo pela mão do talentoso Nolan, é um belo entretenimento. Neste caso, o tom gótico de Burton, ou o carnaval trash de Schumacher, são abandonados, para dar lugar a uma abordagem, mais assente em pressupostos realistas e verosímeis. Servido pela melhor interpretação até à data, do super-herói, responsabilidade de Christhian Bale, que se revela cada vez mais, um actor com grande apetência para personagens complexos e sinistros, assim como para as cenas que requeiram uma maior exigência física.

A mão firme de Nolan, leva o filme a bom porto. Conseguindo um eficaz equilíbrio entre o desenvolvimento psicológico de Batman e as obrigatórias cenas de acção. Se há algo a apontar neste capítulo, será provavelmente um certo automatismo para filmar essas mesmas cenas de acção, que se revelam por vezes algo confusas, tal é a velocidade do corte assim como da escolha de grandes planos para supostamente aumentar a intensidade da cena. Mas aparte disso, Nolan revela-se um exímio director de actores, que além de Bale, tem um cast à sua disposição verdadeiramente impressionante: Liam Neeson, Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine, Ken Watanabe, Cilian Murphy, Rutger Hauer(um regresso à 1ª divisão), Tom Wilkinson, Katie Holmes. Enfim, um elenco verdadeiramente luxuoso e que curiosamente funciona e complementa-se na perfeição.

Destaque ainda para a união sui generis de dois dos maiores compositores de Hollyood, Hans Zimmer e James Newton Howard, que assinam uma banda sonora, impressiva e pujante que não fica nada atrás do clássico composto por Dany Elfman em 1989.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Arrepiante de Tão Belo que é

Digam-me lá se esta sequência não é das mais belas de sempre, da história do cinema ...

domingo, setembro 23, 2007

O Capacete Dourado (2007)

de Jorge Cramez


O primeiro filme de Jorge Cramez, é uma obra vagamente inspirada em Romeu e Julieta, e num caso verídico passado no Norte de Portugal. A história gira a volta de um casal que em plena descoberta do seu amor, tem que lidar com a forte oposição do pai dela, que é professor na escola dele.

Antes de mais, o filme a nível narrativo é praticamente nulo. A história quando finalmente começa a engrenar, acaba abruptamente e deixa o espectador pendurado. Mas afinal o que foi aquilo? Um história sobre o principio e a inocência do amor adolescente, mas completamente desprovida de conflitos. Apesar de uma riqueza pictórica como nunca se viu no cinema português, essa poesia visual torna-se por vezes, vazia e oca, tal é a falta de emoção que percorre todo o filme. Mais um caso típico do cinema português, em que o guião é preterido em favor de um conjunto de belas (neste caso belíssimas) imagens, conseguindo com isso, alienar praticamente o espectador menos “esclarecido”, ou seja , o espectador normal.

Destaque para a realização de Cramez, que recheia o filme com referências cinéfilas, (por vezes de forma demasiado óbvia), tão variadas como 2001 de Kubrick, Rebel Whithout a Cause de Ray, ou A Clockwork Orange , também de Kubrick. Nota-se a paixão de fazer cinema neste filme algo desiquilibrado, que alterna os momentos inócuos e algo maçadores, com outros verdadeiramente sublimes e poéticos. Assim de repente vem-me à cabeça, aquele arrebatador plano final, ao som de Camané e dos Humanos, num momento de verdadeira poesia cinematográfica como nunca antes se viu no cinema português.

Só é pena o guião preguiçoso, pois Capacete Dourado poderia ser um grande filme, caso prestásse mais atenção à narrativa da história que quer contar.

sexta-feira, setembro 21, 2007

American Psycho (2000)

de Mary Harron


Patrick Bateman é um jovem yuppie de Wall Street, com muito dinheiro, gosto por fatos caros e uma obcessão pela perfeição física.. Os seus dias no escritório são preenchidos a fazer palavras cruzadas, a ouvir os ultimos êxitos da pop dos 80’s, a combinar almoços nos restaurantes in da cidade, em que se perde em conversas superficiais e frívolas com os seus igualmente supérfulos e frívolos colegas executivos. Mas é durante a noite que a verdadeira natureza monstruosa de Patrick vem ao de cima. Das prostitutas que contrata para os seus jogos doentios, aos pobres vagabundos da cidade que despreza, até às próprias autoridades policias, todos os que se cruzam com Patrick têm como fim uma morte violenta e sangrenta.

Baseado no polémico livro de Breat Eston Ellis, American Psycho, foi igualmente rodeado por muita celeuma na altura da estreia, devido ao seu forte contéudo gráfico e as cenas de sexo quase explícito. Ambientado na América dos anos 80, este filme funciona a vários níveis. É uma sátira mordaz à sociedade de consumo e superficial, é um filme de terror e por fim um mistério policial que tem um fim inconclusivo e amoral. Bateman personifica o lado mais doentio e perverso da américa regueniana, desprovida de moral e de empatia pelos outros e onde apenas conta a ganância e a ambição de cada um. Com uma estrutura narrativa que nos pôe desde o início a acompanhar o doentio personagem principal, o filme nunca tenta (e bem) explicar as motivações psicológicas que fazem Bateman agir como age. A aposta da realizadora Mary Harron, está no sub entendido e revela muitíssimo no que não é dito pelos personagens. O diálogo funciona quase como uma antítese da natureza dos intervenientes.
E claro, falar de American Psycho é falar da interpretação explosiva e magnética de um Christian Bale pré-Batman, que tem no seu Bateman (curioso o nome) um dos seus melhores papéis até à data. O filme pertence-lhe por inteiro. E a forma assustadora como revela a sua total ausência de sentimentos e natureza doentia, indica-nos que estamos na presença de um grande actor. Podia destacar vários momentos brilhantes. Mas um particularmente, cómico, tenso e chocante, está numa sequência onde Bateman faz uma das suas entusiasmadas disertações, sobre as maravilhas da música pop (neste caso os Huey Lewis and The News), de machado na mão e prestes a desmembrar um Jared Leto completamente embriagado. Sem dúvida, um dos grandes vilões do cinema recente.

Em suma, um filme, cruel, chocante e perturbador, no retrato satírico que faz a uma América numa crise muito profunda. Não é aconselhável aos mais impressionáveis, mas é uma magnífica e poderosa obra a (re)descobrir.

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