domingo, fevereiro 10, 2008

In The Valley of Ellah (2007)

de Paul Haggis

Esta película pertinente e actual, marca o regresso de Paul Haggis à realização, após os oscars e o sucesso de Crash. Tommy Lee Jones num registo dorido e em subtil underacting, tem um forte papel no personagem do ex-militar que procura descobrir o que aconteceu ao seu filho recem chegado do Iraque. Durante a sua investigação, irá ser auxiliado por uma civil, interpretada por Charlize Theron. Os dois irão descobrir uma verdade inesperada e assustadora que irá pôr em causa todas as suas convicções.

A inicio, In The Valley of Elah, parece situar-se em terrenos semelhantes ao magnífico Missing (o execelente thriller político assinado em 82 por Costa-Gavras). Más após a primeira parte, já sabemos o que aconteceu ao militar desaparecido. A questão torna-se descobrir o que causou aquela tragédia. E é nesse processo de descoberta, que se encontra a riqueza deste filme. Se de início, há insinuações de um possível “cover-up” por parte dos militares, o inteligentíssimo guião de Paul Haggis, acaba por renegar esse lugar-comum e começa a trocar as voltas ao espectador, habituado aos clichés típicos neste género de filme. Haggis encontra-se muito mais interessado numa humanização (ou desumanização) dos seus personagens. O mistério que realmente lhe interessa, é descobrir o porquê das consequências que as guerras têm nos seus intervenientes. Esse é o verdadeiro mistério, deste filme algo surpreendente.

A fotografia de Roger Deakins (este ano com duas nomeações) valoriza bastante o trabalho de Haggis, com composições originais e eficazes, que reforçam o tom de justeza da narrativa. Haggis dirige com mão segura os belíssimos actores ao seu dispor. A haver reticicencias nesse capítulo, elas cairiam no papel algo superficial de Charlize Theron, que peca por ser um pouco sub-desenvolvido. Mas no geral não é nada que prejudique esta inteligente longa-metragem com tons anti-belicistas, que acaba por levantar mais perguntas, que respostas.

Em suma In The Valley of Elah vem comprovar o talento imenso de dois senhores: o primeiro de seu nome Paul Haggis como um dos mais talentosos e originais guionistas de Hollywood. O segundo de seu nome Tommy Lee Jones, comprova o porquê de sêr simplesmente um dos maiores actores da actualidade.

Wall Street (1987)

de Oliver Stone

Em 1987, Oliver Stone, carregado com o prestígio alcançado com o sucesso e os Oscars de Platoon, passou das selvas do Vietname, para as selvas urbanas da alta finança de Wall Street. Nas palavras do realizador, essa foi a continuação natural de um antigo guião seu, o já mítico Scarface. Se nesse clássico o sub-texto da narrativa era impulsionado pelo consumismo implacável e desenfreado do início dos anos 80, em Wall Street a crítica torna-se mais acutilante e de certa forma realista. Aqui os gangsters dão lugar aos iupies da alta finança, sedentos de poder financeiro e desprovidos de valores éticos e morais. Essa filosofia é sintetizada de forma brilhante no célebre discurso proferido pelo personagem de Michael Douglas: “greed is good”.

No casting, Stone é brilhante como sempre. Resgatando de novo o seu alter ego da altura, o “desaparecido” Charlie Sheen, como o idealista Bud Fox, que lentamente se deixa corromper pelo maquiavélico Gordon Gekko. Gekko é interpretado por Douglas, com um sentido de timing e uma aura implacável que tornam este personagem um dos grandes vilões do cinema. Douglas ganharia um merecido Oscar com o seu papel. Outra jogada de casting brilhante, é a escolha do sempre seguro Martin Sheen, para o papel do íntegro pai de Fox, nem mais nem menos que o seu pai na vida real.

Stone com a sua dinâmica realização, consegue tornar um filme, que por tendência natural tenderia para o palavroso, em algo com bastante entretenimento e que nunca aborrece o espectador. Filmado quase como um documentário (utilizando por vezes takes longuíssimos sem cortes), Wall Street, tem aquele tipo de energia nervosa, que mais tarde explodiria nos trabalhos seguintes de Oliver Stone.

Em suma, um dos grandes filmes dos anos 80, e um belo conto moral, que funciona a vários níveis, criticando fortemente o espírito que reinava na altura: “Money never sleeps pal!”


quinta-feira, fevereiro 07, 2008

O 1º post do Blog de Hank Moody

Hell-A Magazin Blog Number 1:
Hank hates you all. A few things I've learned in my travel through this crazy little thing called life.One: A morning of awkwardness is far better than a night of loneliness.Two: I probably won't go down in history, but I will go down on your sister.And three: While I'm down there it might be nice to see a hint of pubis. I'm not talking about a huge seventies playboy bush or anything, just something that reminds me that I'm performing cunnilingus on an adult. But I guess the larger question is: Why is the city of angels so hellbent on destroying its female population?

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Manoel de Oliveira: O Documentário e a Arte em geral

Apesar de não ser fã dos seus ultimos filmes, é admirável a sabedoria das suas palavras e a sua lucidez nesta excelente entrevista.

Californication - 1ª season

série de Tom Kapinos

“You can't snort a line of coke off a woman’s ass and not wonder about her hopes and dreams, it's not gentlemanly.”

Hank Moody

Hank Moody é um escritor em plena crise: com "writers block" (que nas suas palavras é algo que não dá muito jeito) , alcoólico, sarcástico e viciado em sexo. A sua vida gira em torno de encontros sexuais, com mulheres fáceis e perturbadas que encontra em bares, stands de automóveis ou livrarias. Mas apesar desse lado depravado, há algo muito mais profundo em Hank, que funciona como catalizador para este comportamento: as suas recorrentes tentativas de regresso para a sua ex-mulher que o abandonou e está prestes a casar com outro homem. A filha adolescente de Hank funciona como único pólo de equilíbrio, na sua depravada existência.

Está achada uma das melhores séries de 2007. Com um humor políticamente incorrecto e recheada de sexo, alcoól e palavrões, esta série mesmo assim contem uma inesperada e tocante profundidade. David Duchovny no papel da sua vida (que lhe valeu um Globo de Ouro) está surpreendente na sua composição de escritor frustrado e desiludido com o rumo que a sua vida levou. Quem o viu como Mulder nos X-Files, terá uma valente surpresa com a sua magoada composição de Hank Moody.

Com uma escrita acutilante e inspiradíssima, esta série de Tom Kapinos vêm mais uma vez provar a pujança da actual produção televisiva norte-americana. Por vezes cómicas, outras vezes trágicas, as desventuras de Hank são um reflexo da sociedade em que vivemos, onde a ausência de valores, o desnorte emocional, a não comunicação e as famílias destruídas, são cada vez mais frequentes. A melancolia e as magníficas tiradas que Hank dispara contra todas as direcções desta sociedade à deriva, contribuem para analisarmos e reflectirmos o nosso lugar no mundo.

Poderá ser considerada uma série nilista e excessiva, mas o tom hilariante e por vezes trágico, dão-lhe um intenso sabor a verdade. Isso e a ausência de tabus ou clichés, fazem de Californication uma das melhores e mais arrojadas séries do ano! Um must.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

terça-feira, janeiro 22, 2008

Choque!

HEATH LEDGER
1979 - 2008
R.I.P

Um dos mais promissores e talentosos actores de Hollywood, foi encontrado morto no seu apartamento. Uma grande perda para o mundo da representação e do cinema. Tinha apenas 28 anos. A triste notícia encontra-se aqui.


Aproveito, e em jeito de homenagem, deixo aqui um dos finais mais tristes da história do cinema. O olhar sofrido deste grande actor, transmite toda a dôr e desgosto do seu personagem, de forma, sublime. So long Heath...

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Hitch Blonds

Nº3
Tippi Hedren


Nº2
Grace Kelly


Nº 1
Kim Novak

5 injustiças

Filmes nomeados para melhor realização pelos Academy Awards:

Psycho (1960)
Rear Window (1954)
Spellbound (1945)
Lifeboat (1944)
Rebecca (1940)

O realizador em questão, apesar das nomeações, acabou sempre de mãos a abanar. Justiça em prémios? Não em Hollywood!

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Rope (1948)

de Alfred Hitchcock

A premissa simples e inspirada em factos verídicos, gira em torno de dois amigos que cometem um assassinato apenas para provar a sua superioridade intelectual. Para cúmulo decidem convidar todos os amigos do falecido para uma festa em que a mesa de comes e bebes é é uma arca que no seu interior contém …o morto. Mas entre os convidados está o seu antigo professôr (James Stewart), que no decorrer da festa começa a desconfiar que algo está errado.

O brilhantismo deste filme, pouco referido na obra do mestre do suspense (o seu 1º a cores), é algo que deve ser destacado de imediato. Filmado como se fosse um enorme plano sequência, só não o é devído às limitações técnicas da altura (as bobines só levavam 10 minutos de fita), mas que Hitchcock, consegue camuflar escondendo os cortes no escuro das costas dos personagens em momentos chave. Além desse desafio temporal, há o desafio espacial uma vez que todo o filme decorre num único local, um apartamento. Mais tarde outros filmes do mestre partilhariam esta característica, Dial M For Murder e a obra-prima Rear Window.

A encenação e virtuosismo visual, que com movimentos de câmara precisos e enquadramentos únicos, consegue criar um enorme clima de suspense ( a cena da criada a arrumar a mesa), assim como escapar à limitação do espaço, criando cinema e não teatro filmado. O que é admirável na forma como Hitch filma, é a sua capacidade para virar o jogo, tornando o espectador cumplíce do que se está a passar em todos os momentos, ficando os personagens muitas vezes para trás. Nesse capítulo, o realizador dava cartas como nínguem.

Além do virtuosismo técnico, há o tom deliciosamente cómico e macabro que caracteriza os melhores filmes do mestre. A forma como os dois assassinos jogam com a situação que criaram e a maneira como Hitch filma essa situação, faz com que personagens e realizador, partilhem do mesmo gozo de estar um passo à frente do jogo. As interpretações são todas sólidas, destando-se um seguro James Stewart (a sua 1ª de muitas colaborações com Hitch) , que no final leva uma grande lição de vida (ou será de morte?) e um maquiavélico John Dahll, sempre com tiradas de um humor negro inspiradíssimo. De salientar também a magnífica galeria de personagens secundários, que acabam por humanizar e contextualizar o personagem que se encontra morto na arca

Em suma, Rope é um filme pura e simplesmente brilhante! Sendo provavelmente aquele mais experimental e formalmente ousado, na obra desse grande génio, a quem tantos cineastas devem (e cinéfilos já agora), de seu nome Alfred Hitchcock.

A propósito de Colombo...

... o Melhor!

quinta-feira, janeiro 17, 2008

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Estreia mundial

Meu Querido Portugal

Vencedores dos Golden Globes

Destaque para Johnny Depp, Daniel Day-Lewis e os fantásticos irmãos Coen.


BEST MOTION PICTURE – DRAMA
ATONEMENT
Working Title Films Limited; Focus Features

BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE – DRAMA
JULIE CHRISTIE
Away From Her

BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE – DRAMA
DANIEL DAY-LEWIS
There Will Be Blood

BEST MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL
SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET

BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL
MARION COTILLARD
La Vie En Rose

BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL
JOHNNY DEPP
Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

BEST ANIMATED FEATURE FILM
RATATOUILLE

BEST FOREIGN LANGUAGE FILM
THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY – FRANCE AND USA

BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE IN A MOTION PICTURE CATE BLANCHETT
I’m Not There

BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A SUPPORTING ROLE IN A MOTION PICTURE
JAVIER BARDEM
No Country for Old Men

BEST DIRECTOR – MOTION PICTURE
JULIAN SCHNABEL
The Diving Bell and the Butterfly

BEST SCREENPLAY – MOTION PICTURE
ETHAN COEN & JOEL COEN
No Country for Old Men

BEST ORIGINAL SCORE – MOTION PICTURE
DARIO MARIANELLI
Atonement

BEST ORIGINAL SONG – MOTION PICTURE
“GUARANTEED” — INTO THE WILD
Music & Lyrics by: Eddie Vedder

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Clint + Kevin = Um filme perfeito

E a belíssima música que ouvimos é também do senhor Eastwood himself!

terça-feira, janeiro 08, 2008

Juventude continua a marchar!

Um total de 106 (!!!) críticos de cinema de publicações prestigiadas como a «Film Comment», «New Yorker», «Variety» e «The New York Times» participou na iniciativa promovida, pelo segundo ano consecutivo, pela revista online Indiewire.

O filme foi distinguido pela crítica norte-americana nas categorias de:
Melhor Filme
Melhor Realizador
Melhor Actriz Secundária (Vanda Duarte)
Melhor Fotografia.

Mais um merecido reconhecimento para o grande Pedro Costa! Uma prova que ainda há esperança para o cinema em Portugal...

Timothy Treadwell e a insanidade

Excerto do fantástico documentário de Werner Herzog.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

O estado do nosso Cinema

Sinopse de Corrupção
Um Presidente, interpretado por Nicolau Breyner, deixa-se caír nas malhas da corrupção. Um inspector da Judiciária e uma prostituta de luxo, unem esforços para arranjar as provas que incriminem o corrupto Presidente...

Sinopse de Call Girl
Um Presidente, interpretado por Nicolau Breyner, deixa-se caír nas malhas da corrupção. Um inspector da Judiciária e uma prostituta de luxo, unem esforços para arranjar as provas que incriminem o corrupto Presidente...

domingo, janeiro 06, 2008

Filmes da Minha Vida - VI

A pérola na filmografia de Spielberg. A par do recente Munique, é o seu filme mais realista, pertinente e pessoal. Aquando da sua estreia vi-o pelo menos 3 vezes em sala. As interpretações são únicas: o magnetismo assombroso de Liam Neeson e a malovolência que Ralph Fiennes emana. A fotografia é um achado: a primeira colaboração entre o cineasta e o brilhante Janus Kaminski, transmite toda a melancolia e tristeza que a história conta. A montagem de Michael Kahan é original e francamente virtuosa, conseguindo com o simples poder de um corte entre dois planos, falar mais que mil palavras. A banda sonora é imortal: aqueles acordes de Itzhak Perlman e John Williams, arrepiam sempre que os oiço. E por fim a realização, o verdadeiro ás de trunfo desta magnífica obra de arte, que é do mais cinematográfico e inspirado que Spielberg alguma vez conseguiu, com inúmeros momentos transcendentes que levam o espectador numa viagem com tanto de horrível, como de sublime.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

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