quinta-feira, dezembro 13, 2007

Honestidade cinematográfica

"Haverá sempre, como nesse filme com o Ventura, um oceano entre eu e ele, eu não poderei jamais passar para o lado dele, eu não saberia atravessar esse oceano para passar para o lado dele, e nem quero, acho que é mais interessante contar com esse abismo, esse silêncio, de uma pessoa de uma outra classe social que a minha, eu não nasci naquela classe, não tive a mesma vida que ele...Ventura dizia isso todos os dias, quase sem dizer : “nós estamos aqui fazendo um filme sobre mim, sobre o meu passado, mas você nunca saberá o que eu sofri”.E eu não posso sequer imaginar o que ele sofreu. Eu não posso representar o que ele sofreu, ou lutou, e ganhou. Eu nunca poderei ser ele. Portanto, essa distância no cinema é visível, sempre foi, para o bem e para o mal."

Podem ler a versão integral, desta reveladora entrevista a Pedro Costa, no excelente The Last Picture Show

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Juventude em Marcha vence prémio dos críticos de L.A.

Foi premiado esta noite com o prestigiante prémio de melhor filme independente/experiental a obra Juventude em Marcha, de Pedro Costa. Além do prestígio que traz, este prémio representa a merecida consagração do seu talentoso realizador. Muitos Parabéns!

Filmes da Minha Vida - V

Autoretrato narcisista para alguns. Obra de arte corajosa, original e única para outros. No meu caso revejo-me na 2ª posição. Dívidido em 3 segmentos (Vespa, Ilhas e Médicos) Caro Diario é um retrato fascinante e surpreendente ao lado pessoal, emocional e intelectual de um dos maiores nomes do cinema mundial. O 1º segmento está cheio de referências incontornáveis na memória deste cinéfilo. Os passeios de Moretti por uma Roma deserta ao som de Leonard Cohen, ou a visita a um desolado monumento dedicado a Pier Paolo Pasolini ao som de Keith Jarret. Vespa é o capítulo mais sensorial. O 2º segmento é uma sátira à sociedade italiana, abordando um tema recorrente na obra de Nanni Moretti, a incomunicabilidade (magníficamente representada pelas ilhas em questão) Ilhas é o capítulo cómico e satírico. A 3º e último segmento, é o meu favorito dos 3. Médicos, é um retrato cómico e ao mesmo tempo comovente, da odisseia que Moretti viveu na realidade, ao tentar descobrir a origem de uma misteriosa doença que o afligiu durante um ano. Neste segmento temos uma 1ª cena em que Moretti se filma numa situação real e em que partilha directamente com o espectador um momento verdadeiramente doloroso. Médicos é o capítulo mais pertinente e emocional. Uma obra hilariante, dramática, sensível e poética. Um filme que revejo vezes sem fim e que é uma verdadeira fonte de inspiração.

Passagem de testemunho

domingo, dezembro 09, 2007

Groundhog Day (1993)

de Harold Ramis

Imagine que acordava todos os dias à mesma hora, com a mesma música no rádio, no mesmo local e no mesmo dia do ano, vendo sempre as mesmas pessoas envolvidas exatamente nas mesmas situações dia após dia. A início a situação leva-o à incredulidade, depois ao desespero que o conduzem às tentativas de suicídio. Mais tarde à ocorre-lhe manipular os outros à sua volta, mas por fim acaba por descobrir sentimentos que desconhecia: a compaixão e finalmente, o amor.

A partir desta original permissa, Harold Ramis (o Egon dos Ghostbusters), assina uma das mais inventivas e brilhantes comédias dos anos 90. A sua realização discreta mas eficaz q.b., potencializa ao máximo e em igual medida, os elementos cómicos e dramáticos da inverosímil situação do protagonista. A mão de Ramis, nunca treme, contando a história de uma forma tão dinâmica e suave que o espectador é agarrado desde o primeiro segundo, nas história que se desenrola. A culpa é tambem repartida pelo magnífico guião, que de uma trama única, cria uma série de conflitos (interiores e exteriores) ora cómicos ora dramáticos ao personagem do magnífico Bill Murray.

Muito antes de Wes Anderson, ou Sofia Coppola, descobrirem a sua faceta mais dramática, foi neste Groundhog Day, que Murray começou a revelar o seu lado mais melancólico. É extramente credível a angústia existencial que o seu papel transmite sem recurso a tiques ou excessos, mas sim de uma forma subtil e talentosa.

Em suma, um dos filmes mais originais que sairam de Hollywood, e que com o tempo acabou por ganhar um merecido estatuto de filme de culto.

Momento Sublime

Um dos momentos mais comoventes e obcessivos de La Stanza Del Figlio. As palavras não são necessárias para transmitir a dôr que esta cena emana. Basta aqueles olhares, a montagem e a sublime música de Michael Nyman.

Um grande momento de Moretti

quinta-feira, dezembro 06, 2007

domingo, dezembro 02, 2007

Votação Nova Vaga Americana - resultados


1º Paul Thomas Anderson 10 (41%)

2º Sofia Coppola 8 (33%)
3º Quentin Tarantino 5 (20%)
4º Wes Anderson 1 (4%)
5º Alexander Payne 0 (0%)

Aqui fica um exemplo do génio e mestria deste cineasta brilhante. Esta é uma das minhas cenas favoritas do magnífico Boogie Nights. Plena de uma tensão desconcertante, de um humor delirante e de um desespero latente no excelente Mark Walberg.

Espero que gostem!

Más-Linguas? Tomem! E assim sucessivamente...

quarta-feira, novembro 28, 2007

Filmes da Minha Vida - IV


Entretenimento? Sim. Escapista? Definitivamente! Ocasionalmente inverosímil? Sem dúvida. Mas afinal de contas não é isso que por vezes nos leva ao cinema? Exemplo máximo da qualidade que pode emergir do cinema-pipoca, este é daqueles filmes em que a mão e a originalidade do seus criadores (Spielberg e Lucas), levam o espectador numa montanha-russa de emoções, através de personagens bigger than life, em aventuras que sucedem num ritmo verdadeiramente halucinante. Além da virtuosa realização de Spielberg (recheada de citações cinéfilas), ou da magnífica representação de Harrisson Ford (no papel que o inscreve nas grandes figuras da história de cinema), ou ainda da inesquécivel banda sonora do maestro John Williams, Raiders of the Lost Ark, é um marco na história do cinema. Com tanto de comercial como de artístico, um filme brilhante e incontornável. Até para o mais sisudo dos cinéfilos.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Diálogos que ficam

"Guy. Gets on a subway. Dies.Think anybody'll notice? "

Saudades


quinta-feira, novembro 22, 2007

Filmes da Minha Vida - III


Mais que o filme que marca o encontro entre dois monstros do cinema, Pacino e De Niro (no Godfather 2 nunca chegam a contracenar), este é dos poucos policiais que consegue transcender os limites do seu género. Os seus personagens são retratados de uma forma profundamente real e humanista, e ao mesmo tempo impregnadas de um fatalismo, que eleva o filme a níveis sublimes. A câmara de Michael Mann (esse grande grande cineasta tão subvalorizado) nunca esteve tão inspirada, aguerrida e ao mesmo tempo poética. Planos de um deslumbre visual total (a sequência de De Niro e Amy Brennan contemplando as mil luzes de LA é daquelas que fica gravada na memória), direcção de actores impressionante (especialmente De Niro no seu último grande papel) e uma banda sonora electrónica perfeita (como é marca do cinema de Mann). Um filme que vejo e revejo vezes sem conta, e onde descubro sempre algo de novo. Heat é realmente uma obra-prima moderna!

quarta-feira, novembro 21, 2007

As bandas sonoras favoritas de 8 ilustres senhores

Olivier Assayas
  • "With not a second of hesitation David Mansfield's music for Heaven's Gate (1980). Its the one movie soundtrack that I can listen to on its own. And then it's also the very soul of this film. Somehow it embodies everything the movie is reaching for, especially a heartbreaking sense of time passing. I remember the catch line on the poster, it went something like (I'm not sure of the precise wording) what one loves in life is things that fade. Usually this is stuff to make fun of, in this case it was pure poetry to me. And exactly what Mansfield's soundtrack is about.”
Francis Ford Coppola
  • "The Thief of Baghdad (1940), also, Spellbound (1945)- - the same composer, actually. They are just memorable, seemed to catch the essence of the film. But there are many great ones. I thought the recent work of John Williams on Catch Me If You Can (2002), was a great score, wonderful orchestration...really helped the film work very well."
Alex Cox
  • "A film called The Big Silence (1968), directed by Sergio Corbucci with music by Ennio Morricone. It's completely different from everything else that he did."
Sidney Lumet
  • "The music for The Godfather and The Godfather Part II (1972, 1974). Aside from the brilliant casting of actors we fall in love with, nothing provided a source of identification with the characters more than the score. Music should always reflect something that is not present in the rest of the movie. Here, the score provided a heartfelt loss of innocence, a yearning for a simpler yet more desperate time for that family. It kept the family's unspoken wish for itself alive."
Fernando Meirelles
  • "I find Paul Thomas Anderson's way of using music in his films extraordinary. Usually he doesn't cut the music in to pieces; he uses the entire piece, and mixes it with the dialogs in a loud level. I don't know any other director who has the courage to do this. It works very well. The soundtrack I like best, from all of his films, is the one from Punch-drunk Love (2002)."
Alan Parker
  • "In recent times I liked Clint Mansell's score for Requiem for a Dream (2000), which still hangs in my head. It's haunting and powerful as it subliminally tweaks at your nerve-ends - viscerally ratcheting up the emotional stakes from bar to bar and shot to shot."
Martin Scorsese
  • "A big question. There are so many, and they all work so differently – from a big, beautiful score for full orchestra like Jerome Moross' for Wyler's The Big Country (1958) or David Raksin's for Force of Evil (1948), to a more modern score with very spare instrumentation, like Giovanni Fusco's for L'Avventura (1960) or Hans Werner Henze's for Resnais' Muriel (1963). I suppose that if I were hard-pressed to answer this question – and I suppose I am – I'd have to say Bernard Herrmann's score for Vertigo (1958). Hitchcock's film is about obsession, which means that it's about circling back to the same moment, again and again. Which is probably why there are so many spirals and circles in the imagery – Stewart following Novak in the car, the staircase at the tower, the way Novak's hair is styled, the camera movement that circles around Stewart and Novak after she's completed her transformation in the hotel room, not to mention Saul Bass' brilliant opening credits, or that amazing animated dream sequence. And the music is also built around spirals and circles, fulfilment and despair. Herrmann really understood what Hitchcock was going for – he wanted to penetrate to the heart of obsession."
Wim Wenders
  • "My all-time favourite soundtrack is Miles Davis' score to Louis Malle's 1958 masterpiece Lift to the Scaffold. What I like(d) so much about it, was its spontaneity. Miles Davis apparently just stood in front of the screen and played along to the film. Utterly cool."

Estas são as deles. A minha provavelmente será Dances With Wolves de John Barry. E vocês?

terça-feira, novembro 20, 2007

Inveja de cineasta ?

Coppola numa entrevista à revista Empire referindo-se acerca de Scorsese:

"He's making movies because he needs to make a certain amount of money because he has a big family and many previous wives."

Será que sou só eu, ou o senhor Coppola está com uma grande dose de dôr de corno? Tendo em conta que Scorsese foi dos poucos a manifestar-se contra Youth Without Youth, é fácil deduzir de onde vêm esta palavras...

Votação Corrupção - Resultados


O resultado da sondagem "Corrupção é um filme que faz falta ao cinema português?" foi ... NIM
(SIM - 8 votos)
(Não - 8 votos)

segunda-feira, novembro 19, 2007

Filmes da Minha Vida - II


Uma verdadeira proeza este filme mágico. Realizado, produzido e interpretado por Kevin Costner, que teve aqui o pico da sua carreira. Esta história de um homem que foi à procura da fronteira e acabou por se descobrir a si próprio, é um dos mais líricos e mais belos westerns da história. A evolução de John Dunbar até se converter em Danças com Lobos, é uma viagem fascinante. Belíssimas imagens, sequências inesquéciveis (aquela caça ao bufallo ou o inesperado e dramático final), representações fortes e especialmente uma banda sonora recheada de melodias sublimes, assinada pelo mestre John Barry, que para mim é capaz de ser uma das mais perfeitas conjugações entre música e imagem a que alguma vez assisti. Um filme intemporal e de forte pendor humanista! Magnífico!

domingo, novembro 18, 2007

War of The Roses (1989)

de Danny De Vito


Oliver (Michael Douglas) e Barbara Rose (Kathleen Turner), tinham tudo para ser felizes. Dinheiro, sucesso profissional, dois filhos que prometem seguir as pisadas e uma casa de sonho. Mas no dia em que Oliver tem um suposto ataque cardíaco, Barbara confessa-lhe que já não o ama e pede-lhe o divórcio, exigindo-lhe apenas ficar com a casa em troca. Oliver recusa e a guerra começa.

Mais que um Mr. E Mrs. Smith, aqui a guerra é total. Nesta comédia muito negra vale tudo: da destruição de mobília, à matança de animais de estimação, ou a rega de um peixe para jantar, com um condimento muito duvidoso. Os Rose são implacáveis, e na sua selvagem batalha, não há lugar para prisioneiros. Das situações de discussão do dia a dia, assistimos a uma escalada no conflito que rapidamente entra no reino do puro nonsense, mas nunca caindo no tom de cartoon. Aqui o nonsense é cruel e negro.

Danny De Vito, assina aqui um filme único e o seu melhor enquanto realizador. Esta comédia negra não faz concessões nem tratados de paz. A guerra vai até às ultimas consequências, como o magnífico final demonstra de forma cruel e violenta. E esse lado selvagem deve-se à inspirada realização de De Vitto (com muito de Hitchcokiano), ao divertidíssimo guião de Michael Leeson, à fantástica fotografia de Stephen Burum (colaborador habitual de De Palma) e last but not least, ao fantástico par de protagonistas. Michael Douglas e Kathleen Turner, que têm uma química única e fora de série.
Uma das comédias mais negras e mais divertidas de todos os tempos!

Letters From Iwo Jima (2006)

de Clint Eastwood


O segundo filme de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima. Desta vez abordando o lado derrotado do conflito, o japonês. Letters From Iwo Jima, é um filme de guerra, mas mais que isso, é um filme sobre a derrota. Os soldados nipónicos, pressentem logo de início que aquela, será uma batalha perdida à partida, mas o seu código de honra e a sua dedicação à mãe pátria impele-os a ficar e enfrentar a morte.

Este prenúncio de morte, está omnipresente na primeira parte, revelando-se com toda a sua crueza na segunda metade do filme. É de louvar a opção de Eastwood, de mergulhar fundo na mentalidade que está por detrás de seres humanos que preferem a morte à desonrra da derrota. E é de seres humanos que o filme de Eastwood se trata. Um pouco à maneira do superior The Thin Red Line, aqui, o realizador mostra o lado do homem por detrás do soldado, recorrendo a flashbacks particularmente eficazes, que criam a empatia necessária com os personagens.

A crueldade da guerra, não escolhe lados, e na visão justa de Eastwood, não há lugar para maniqueísmo primários. Tanto os japoneses como os americanos, têm elementos nas suas fileiras que são capazes da maior das desumanidades (o oficial japaonês que ordena o suícidio dos seus homens, e os americanos que assassinam os prisioneiros de guerra). Mas a justiça da camara de Eastwood, revela também um lado humano tocante. Particularmente na figura do general magistralmente interpretado por Ken Watanabe, ou na figura do jovem padeiro que prometeu regressar, custe o que custar, para a sua mulher e o seu filho por nascer. Estes personagens, demonstram de forma trágica a barbárie da guerra, e da loucura que esta prossupõe.

Além da mão segura de Eastwood, ou das excelentes interpretações do elenco, é de destacar a fotografia de Tom Stern, que com as suas imagens esbatidas e praticamente vazias de côr, dão o tom sombrio e fúnebre, perfeitamente adequado à trágica história que contam.

Um filme que obriga a reflectir sobre a natureza e a crueldade da guerra.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Scorsese e a Violência

Yeh, that comes up a great deal whenever people mention a Martin Scorsese film. People talk about the violence, but if you look at the films that I've made, the world's that we are depicting in these pictures, Mean Streets for example; they're very very violent. The rules are enforced by the violence of that society. Even with Alice Doesn't Live Here Anymore which is about a different area, there is a scene where Ellen Burstyn's character is beaten up by her husband. [Harvey Keitel] Now that's a scene in which violence is shown negatively, it's shown that she doesn't want to be with a person like that and surrounded by violence, so she leaves town. Then Taxi Driver, you're dealing with, again, a very violent milieu and then Raging Bull, here's a man who's life and his job in life is to go into a ring and hit people and get hit and then he comes home and he expresses himself in the same way. He expresses himself through violence. And so, I think because violence figures so prominently in these worlds that I depict, I guess the question is why am I attracted to these worlds?

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