Millers Crossing (1990)
The Big Lebowski (1998)
The Big Lebowski (1998)

4º - Natural Born Killers.

O filme bomba de uma década. Está para os anos 90 como A Clockwork Orange para os anos 70. Inovador, iconoclasta e subversivo, NBK é uma inteligente e bombástica sátira à violência na sociedade e no cinema. Escrito por Tarantino e reescrito por Stone. Genial!
3º - JFK.

O filme polémico. A revista a um dos momentos mais traumáticos da história norte-americana: o assassinato de John F. Kennedy. Visualmente frenético, com uma pulsão imparável, Stone deixa no ar a possibilidade de uma conspiração nas mais altas esferas do governo americano estar por detrás do assassinato do malogrado Kennedy (o que lhe valeu uma injusta fama de maluquinho das conspirações). Independentemente disso, há inteligência e talento q.b., de um genial cineasta que tem em JFK um dos seus mais belos filmes. Destaque para Kevin costner num grande papel.
2º - SALVADOR.

O filme revelação. Mergulho na torturada América Latina, e na guerra civil em El Salvador. James Woods (genia e nomeado para Oscarl) e James Belushi, são o par de escroques, alcoólicos, sexistas e vulgares, que em busca de mulheres fáceis e bebida barata, acabam por se deparar com um verdadeiro genocídio apoiado pelo governo norte-americano de Reagan. Com um humor selvagem e com cenas de uma brutalidade chocante (e por vezes tocante) Salvador, é dos filmes mais emocionais e directos de Stone. Ou seja: um dos seus melhores.
1º - PLATOON.

O filme sucesso. Fortemente autobiográfico, retrato impiedoso, cruel e realista da guerra do Vietname, (onde o próprio Stone combateu). Os soldados de Platoon não são nem bonzinhos nem heróicos. Uns bebem, drogam-se, assassinam e violam. Mas outros também são capazes da amizade, da entreajuda, da compaixão e finalmente da redenção. No final a Guerra a todos muda, e a todos marca. Charlie Sheen num grande papel, assim como Tom Berenger e Willem Dafoe, constituem o potente trio de actores. O filme mais forte, mais dramático, mais corajoso, mais marcante, mais tudo! O Melhor de um cineasta apaixonante, muito pouco reconhecido em Portugal. Ao qual, deixo desde já, esta pequena homenagem.

No início dos anos 90, o regime soviético acaba por cair nas mãos de um louco de seu nome Radchenko (inspirado em Zironofsky), que ameaça o mundo com o seu armamento nuclear. O submarino americano Alabama, comandado pelo veterano Ramsey (Gene Hackman) , parte em direcção à Rússia, numa missão preventiva. O novo imediato Hunter ( Denzel Washington), acaba por entrar em rota de colisão com Ramsey, devido a uma mensagem muito dúbia, que poderá levar o mundo a uma guerra nuclear.
Apesar do leque de actores fortíssimo, onde se incluem Jason Robards, George Dzundza, Viggo Mortenssen ou James Gandolfini (muito antes dos Sopranos) , Crimson Tide, aposta tudo e bem, nos seus principais: uns enormes Gene Hackman e Denzel Washington, que dão uma verdadeira lição da arte de bem representar, apesar dos seus estilos diferentes. São impressionantes as cenas de confronto entre os dois gigantes, tal é a intensidade, a pura força e carisma que ambos emanam, sendo quanto a mim as grandes mais valias deste belíssimo filme.
Baseado no livro escândalo de Irvine Welsh, Trainspotting é um retrato de uma juventude escocesa, perdida no crime, na droga, na doença e na violência, mas com um toque de humor negro Q.B que faz toda a diferença para a necessária identificação com os personagens. Filme culto dos anos 90, Trainspotting é a prova da vitalidade do cinema europeu dessa altura, assim como a afirmação do talento de Danny Boyle (que até aí tinha apenas assinado o excelente Shallow Grave).Recheado de uma galeria de figurões extremamente coloridos e divertidos. Eles são, o protagonista Mark Renton (Ewan Mcgregor), com a sua filosofia de escolher cavalo em vez de escolher a vida. Simon “Sick Boy” (Johnny Lee Miller) o grande teórico de Sean Connery e engatão incorrigível. Spud (Ewen Bremmer, o drogado de bom coração com uma grande apetência para defecar em camas estranhas e para se encher de speeds nas entrevistas de emprego. E finalmente o psicótico e paranóico “Franco” Begbie (Robert Carlyle), perigoso, irrascível e sempre na vertigem da violência. Todos os actores, estão à altura dos papéis, conseguindo dar o toque humano essencial, na composição destas bizarras personagens. Outro ponto fortíssimo, é a adaptação que o argumentista John Hodge fez do livro de Welsh. Hodge combina personagens e situações do livro, mantendo-se sempre fiel ao espírito da obra original. É de salientar que o livro tinha uma estrutura não linear algo complexa, que Hodge escolheu contar de forma mais tradicional e eficaz.

E para final o melhor: a virtuosa realização de Danny Boyle. O realizador parece ter sido possuído pelo mesmo espírito febril dos seus personagens. Personagens esses, que nunca em momento algum são julgados pela câmara de Boyle. A sua realização nunca recorre a saídas fáceis e prefere manter-se do lado dos seus heróis(?) até às ultimas consequências (incluíndo um delírio numa cena de antologia na pior casa de banho da Escócia). A encenação arrojada e destemida, o uso de grandes angulares que distorcem e alienam os personagens, uma montagem frenética e inovadora, a manipulação de sons, conjugada com a pujante banda sonora (Underworld, Iggy Pop, Lou Reed), revelam aqui o melhor momento da carreira de Danny Boyle.
Um dos melhores filmes dos anos 90, e obrigatório para (quase) todos.

LARS VON TRIER (7 votos 31%)
2º - Win Wenders (6 votos 26%)
3º - Nanni Moretti (5 votos 21 %)
4º - Mike Leigh (3 votos 13%)

"O realizador João Botelho recusa-se a assinar a ficha técnica do filme «Corrupção», porque viu o filme alterado pelo produtor, avança hoje a SIC.
Se há capítulo que esteve omisso, seja na obra-prima de Tim Burton, seja na BD original de Bob Kane, foi a origem do Homem-Morcego. A transição do rapazinho que assiste ao assassinato dos seus pais, até se tornar o vingador implacável que é Batman, nunca nos tinha sido revelada, em qualquer um dos outros quatro(!) filmes. Pois bem é essa origem que este filme dirigido por Christopher Nolan (Memento, The Prestige) aborda de forma muito satisfatória e engenhosa.
A mão firme de Nolan, leva o filme a bom porto. Conseguindo um eficaz equilíbrio entre o desenvolvimento psicológico de Batman e as obrigatórias cenas de acção. Se há algo a apontar neste capítulo, será provavelmente um certo automatismo para filmar essas mesmas cenas de acção, que se revelam por vezes algo confusas, tal é a velocidade do corte assim como da escolha de grandes planos para supostamente aumentar a intensidade da cena. Mas aparte disso, Nolan revela-se um exímio director de actores, que além de Bale, tem um cast à sua disposição verdadeiramente impressionante: Liam Neeson, Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine, Ken Watanabe, Cilian Murphy, Rutger Hauer(um regresso à 1ª divisão), Tom Wilkinson, Katie Holmes. Enfim, um elenco verdadeiramente luxuoso e que curiosamente funciona e complementa-se na perfeição.
Destaque ainda para a união sui generis de dois dos maiores compositores de Hollyood, Hans Zimmer e James Newton Howard, que assinam uma banda sonora, impressiva e pujante que não fica nada atrás do clássico composto por Dany Elfman em 1989.
O primeiro filme de Jorge Cramez, é uma obra vagamente inspirada em Romeu e Julieta, e num caso verídico passado no Norte de Portugal. A história gira a volta de um casal que em plena descoberta do seu amor, tem que lidar com a forte oposição do pai dela, que é professor na escola dele.
Patrick Bateman é um jovem yuppie de Wall Street, com muito dinheiro, gosto por fatos caros e uma obcessão pela perfeição física.. Os seus dias no escritório são preenchidos a fazer palavras cruzadas, a ouvir os ultimos êxitos da pop dos 80’s, a combinar almoços nos restaurantes in da cidade, em que se perde em conversas superficiais e frívolas com os seus igualmente supérfulos e frívolos colegas executivos. Mas é durante a noite que a verdadeira natureza monstruosa de Patrick vem ao de cima. Das prostitutas que contrata para os seus jogos doentios, aos pobres vagabundos da cidade que despreza, até às próprias autoridades policias, todos os que se cruzam com Patrick têm como fim uma morte violenta e sangrenta.
Baseado no polémico livro de Breat Eston Ellis, American Psycho, foi igualmente rodeado por muita celeuma na altura da estreia, devido ao seu forte contéudo gráfico e as cenas de sexo quase explícito. Ambientado na América dos anos 80, este filme funciona a vários níveis. É uma sátira mordaz à sociedade de consumo e superficial, é um filme de terror e por fim um mistério policial que tem um fim inconclusivo e amoral. Bateman personifica o lado mais doentio e perverso da américa regueniana, desprovida de moral e de empatia pelos outros e onde apenas conta a ganância e a ambição de cada um. Com uma estrutura narrativa que nos pôe desde o início a acompanhar o doentio personagem principal, o filme nunca tenta (e bem) explicar as motivações psicológicas que fazem Bateman agir como age. A aposta da realizadora Mary Harron, está no sub entendido e revela muitíssimo no que não é dito pelos personagens. O diálogo funciona quase como uma antítese da natureza dos intervenientes.
E claro, falar de American Psycho é falar da interpretação explosiva e magnética de um Christian Bale pré-Batman, que tem no seu Bateman (curioso o nome) um dos seus melhores papéis até à data. O filme pertence-lhe por inteiro. E a forma assustadora como revela a sua total ausência de sentimentos e natureza doentia, indica-nos que estamos na presença de um grande actor. Podia destacar vários momentos brilhantes. Mas um particularmente, cómico, tenso e chocante, está numa sequência onde Bateman faz uma das suas entusiasmadas disertações, sobre as maravilhas da música pop (neste caso os Huey Lewis and The News), de machado na mão e prestes a desmembrar um Jared Leto completamente embriagado. Sem dúvida, um dos grandes vilões do cinema recente.
Em suma, um filme, cruel, chocante e perturbador, no retrato satírico que faz a uma América numa crise muito profunda. Não é aconselhável aos mais impressionáveis, mas é uma magnífica e poderosa obra a (re)descobrir.